Lei da Vida - A verdade dura e crua

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Ok, eu estava demasiado nervosa por isso comecei a mexer no papel que havia em cima da mesa. O café estava com pouca gente, mas mesmo assim os empregados de mesa andavam a circular, sempre prestáveis perguntando se precisavam de alguma coisa aos seus clientes. Chegou um rapaz alto de cabelo preto, e olhos escuros. E perguntou.

“Vão desejar alguma coisa?”

“Não eu já tomei.” Disse o luke muito naturalmente.

“E a menina?” Disse o empregado muito alegre e entusiasmado quando acabou de perguntar, muito atiradiço, picou-me o olho.

“Hum, era só um café e uma torrada.” Disse meia confusa com o atrevimento do rapaz.

Luke riu-se. E com a sua mão no queixo olhou para mim fixamente.

“Até o rapaz se faz a ti. Muito concorrida?”

“Tens muita piada Luke.”

“Sabes que és extremamente bonita é normal que os rapazes não fiquem indiferentes á tua presença, querida.”

Corei. Sempre que ele me elogia de uma certa forma eu fico sempre assim nervosa e corada. Tinha de ganhar forças e contar-lhe a verdade.

“Luke, eu tenho de falar contigo, sim? Podemos esquecer o rapaz?”

“Claro beleza diz-me tudo o que quiseres.”

“Ok Luke chega dessas tuas ousadias, podes parar?”

Deu um sorriso leve e extremamente doce.

“Não, não posso, linda.”

“Luke eu tenho…” Não consegui terminar a frase, e reparei que estava-mos inclinados na direção um do outro, o braço dele na mesa a mão dele mais um pouco e tocava na minha.

O empregado chegou e pôs o lanche na mesa. Endireitamo-nos.

“Muito bem, irá desejar mais alguma coisa, Dael?”

Ok, como é que este miúdo sabia o meu nome?! Mais vale nem ligar ao rapaz, ignorar é o melhor.

“Sim, é só.”

O rapaz sorriu e foi-se embora.       

“Bem, o que me querias dizer, que o teu admirador nos interrompeu?”

“Ele não é meu admirador, tenho medo que fiques chateado comigo.” Disse meia insegura.

“Contigo? Nunca amor. Diz, a sério.”

“Sabes que, bem, eu e o Helliot somos amigos, certo?”

“Sim, sei, continuo a achar que ele não é boa companhia para ti mas tu é que sabes, amor.”

“Hum...”- Fiz uma pequena pausa para ganhar coragem- “Eu gosto dele, Luke.”

“Eu sei que gostas dele se não, não eras amiga dele, eu tento ser o mais civilizado possível, prometo.” Deu um sorriso de orelha a orelha.

“Pois… Mas bem, não é dessa forma de gostar.” – Dei a ultima trinca na minha torrada e bebi o meu café. – “Eu gosto dele mesmo muito… tipo… amor.”

Ele olhou para mim e ficou fixado no meu olhar não descolou nem por um momento estávamos novamente inclinados um para o outro. Sentia o corpo dele a ficar cada vez mais tenso e cada vez menos dócil.

“Tu ama-lo?”

“Não! Quer dizer, não sei. Ainda não sei.”

“E sabes se ele gosta de ti?”

“Hum… Suponho que sim.”

“E supões, porquê?”

“Hum…” – Agora não olhava para ele diretamente- “Nós beijamo-nos.”

“Isso não significa nada.” Disse todo carrancudo.  

“Foi mais do que uma vez…” Agora a minha voz era um sussurro.

“E tu deixas-te? Estás a brincar certo, El? Ele! Logo ele que nem o conheces bem. Que não sabes nada da vida dele. Trabalha em restaurantes, e como detetive na polícia, é com esse tipo de rapaz com quem queres andar!” - Chateado, a voz dele elevava-se cada vez mais. – “E eu? Ãnh? Aquele que esteve sempre contigo, que te apoiou? Eu amo-te El!”

Fiquei estupefacta com o quão rápido disse o que sentia, sem pestanejar, sem desviar o olhar. Será que era o que eu deveria ter feito á muito tempo? Dizer que gostava de alguém? Assim ele admitia logo. Ele reparou que fiquei em estado de choque.

Pegou na minha mão e sem mais nem menos, pô-la no seu peito. Sentia o coração dele a bater freneticamente, e o seu olhar amoleceu, tornou-se doce novamente.

“Sentes, El? Ele bate por ti, eu amo-te. Mais ninguém te ama como eu a ti. Tu és a minha vida e eu não vou desistir de ti, não te vou deixar, não te vou entregar a ele de mão beijada. Eu cheguei primeiro na tua vida estive-mos sempre juntos, e não é agora que um miúdo aparece e estraga tudo, logo agora que eu estava…” Estava a debater-se nas suas palavras, queria dizer tanta coisa, mas não lhe saia mais nada a não ser o amo-te.

Eu amava-o, sim, era verdade, mas o problema é que não é o suficiente. Não sabia o que dizer, tinha medo de o magoar ainda mais com as minhas palavras.

“Eu também te amo, Luke.”

“Mas… não o suficiente.”

“Desculpa.”

Queria-lhe dizer o quanto o amava e o quanto era importante para mim, mas ao fazê-lo estaria a criar esperanças onde não devia. Estaria a fazê-lo acreditar em algo que não existe, e isso, iria ser pior, do que simplesmente lhe dizer a verdade.

“Não peças, eu já disse que nunca irei desistir de ti, irei-te sempre amar, irei estar aqui ao teu lado, sempre. Eu amo-te El.”

Aproximei-me dele, muito devagar acariciei-lhe o cabelo. Ele estava cabisbaixo, logo a minha mão percorreu desde o seu pescoço ate ao seu cabelo. Vê-lo assim tao mal, nunca pensei que me iria magoar tanto como me magoa.  

“Por favor, Luke, desculpa, não te queria magoar eu sempre confiei em ti e sabia que devia falar contigo acerca disto, mas agora, fiquei mais arrependida como nunca na minha vida fiquei.” Estava mesmo arrependida os meu olhos diziam tudo, estava triste por ele estar triste.

Com a sua mão tocou não minha, pegou nela, mas ainda inclinada, olhou-a levantando a cabeça.

“Tu fizes-te bem em contar-me, obvio que fizes-te, foste honesta comigo é por isso que eu gosto tanto de ti, por muito que te custe dizes sempre a verdade, mesmo que ela seja dura, mesmo que te traga lágrimas és corajosa o suficiente para a enfrentares e dizê-la.”

“Amo-te, Luke.”

“Nem imaginas o quanto eu te amo a ti, meu amor.”

Despedi-me dele e dirigi-me para o meu carro, nem sei como iria conseguir conduzir neste estado, eu não tinha entendido até agora o quanto o amava. E o quanto me custou dizer a verdade.

Começou a chover torrencialmente, os vidros começaram a ficar cheios de água e não conseguia ver nada. Conduzia com extrema cautela e muitíssimo devagar. Tinha a tristeza e o arrependimento a fazerem-me companhia até casa.

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