Treze | Vinte e Quatro Horas

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Quero dedicar esse capítulo às minhas esposas, Julia e Cecilia, que passaram mais de uma hora me ajudando a criar o desfecho desse capítulo, obrigada, vidas, e um obrigada especial pra Maria que beta todos os capítulos, mesmo odiando o jeito que eu entrego os documentos kkkkk

Uma boa leitura a todos e boa sorte!

#EliteVhope

⚠️: Transtorno alimentar, violência física e psicológica.

TAEHYUNG

É tão estranho sentir que cada estrutura da minha vida está desmoronando.

Como se eu estivesse perdendo tudo, preso num efeito dominó angustiante onde a cada dia eu perco algo ou alguém.

Sei que a minha relação com meu pai piora a cada dia, que as pessoas que dizem ser meus amigos estão mais distantes do que nunca e eu nem mesmo sei mais o que ou quem eu sou.

Está tudo se desfazendo, mas também não é como se eu não soubesse o quão frágil era cada uma das minhas relações com as pessoas, a vida inteira eu me senti sozinho, a diferença é que antes eu tinha a falsa ilusão de que de alguma forma as pessoas se importavam, eu podia acreditar nisso, agora nem isso eu tenho.

Acho que é a primeira vez em que me encontro totalmente perdido, sem saber o que fazer ou pra onde ir, sem ter certeza da minha própria existência, sem ter certeza das coisas que eu realmente quero.

Sinto como se fosse incapaz de pensar, incapaz de tomar minhas próprias decisões e ter meus pais ao lado batendo na tecla de que eu estou agindo feito um idiota não me ajuda nisso.

Sei que sou teimoso e que várias vezes eu paguei pra ver, mas isso tem se transformado numa bola de neve tão grande que não tenho mais tanta certeza do que quero.

Não sei mais se vale a pena arriscar.

A exaustão está acabando comigo, me destruindo de uma forma que meus pensamentos não parecem tão firmes como antes.

Nada vale a pena.

O tempo inteiro é como se eu estivesse preso eternamente dentro de uma caixa e não importa o quanto eu tente sair, nenhum esforço vai ser o suficiente.

Estou começando a me perguntar se não seria melhor simplesmente calar a boca e aceitar todas as merdas que meu pai impõe, só para que eu possa ter um pouco de paz dentro da minha cabeça.

E ao mesmo tempo, algo dentro de mim diz que eu continuaria infeliz, vivendo uma vida que eu nunca quis pra mim, com pessoas que eu nunca quis por perto, mesmo que com os anos eu chegue a me acostumar, não parece confortável.

Sinceramente, não sei mais o que fazer.

Como se tudo já não estivesse um caos, Hoseok simplesmente decidiu sumir, não fala comigo há quase quatro dias, sem nem mesmo me dar um bom motivo pra isso.

— Você não vai comer? — ouço a voz grave e alta do meu pai, mas nem mesmo me dou o trabalho de erguer o olhar em sua direção — Taehyung? — chamou outra vez.

— Eu não quero — murmurei, encarando a comida intocada à minha frente e muito provavelmente fria depois de tanto tempo servida.

— Então sai da mesa, vai pro seu quarto — minha mãe responde em seguida, olho para ela sentada à minha frente, com a taça de vinho próxima a boca.

Começo a me levantar quando mais uma vez meu pai resolve abrir a boca.

— Senta aí.

Puxei o ar, com as mãos apoiadas na mesa e o corpo inteiro mole, apenas uma das consequências de não por nada na boca o dia inteiro.

ELITE | vhopeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora