Como é ser amado aos olhos de quem te ama?
Com o tempo passando e com uma mente um pouco mais clara sobre o mundo e sobre as pessoas ao meu redor, fui percebendo que Yeonjun era tão humano quanto qualquer outra pessoa, por mais que meu coração insistisse em enxergá-lo em forma de figura divina, figura que ilustra meus dias, sol que aquece o meu inverno, presença que ativa o sangue em minhas veias.
Era um daqueles dias em que ele não fazia tanta questão assim de me mostrar, mas eu podia facilmente ver suas fraquezas. Eu cheguei ao posto de gasolina e ele estava sentado lá, o perfume forte em seu casaco me dava a sensação de que talvez, só talvez, ele tentasse camuflar o cheiro de algo em suas roupas e eu diria que não funcionou.
– Hyung?
– Ah, você já chegou? – Ele me olhou e sua postura não era nada além de torta. Não combinava com alguém que era figura de modelo. A tristeza lunar não combinava com seus olhos de brilho límpido de sol eterno.
Ele parecia quebrado em resquícios de algo que permaneceu, algo como a caixa de pandora que se abriu em seu coração e espalhou por lá todos os males. Havia algo sobre a maneira como ele desmoronou quando me viu, algo sobre a maneira como ele ergueu os braços e mais era parecido com uma criança pedindo colo do que com um adulto de vinte e tantos.
Eu o puxei para meus braços e ele nunca me abraçou de volta daquela vez, mas deixei que fosse assim. A voz era embargada, solitária e perdida em um limbo do inesquecível.
– Desculpe, eu quebrei minha promessa silenciosa de não fumar.
– Aconteceu alguma coisa? – Eu alisei seus cabelos com meus dedos, sem realmente repreendê-lo por sua forma de fuga.
– Podemos ir para casa?
Ir para casa. Aquilo havia se tornado algo tão comum, palavras tão comumente ditas após às sete da noite, porém as borboletas dormindo balançaram em meu estômago numa tortura sem fim, num tsunami de asas quebradas que voavam sozinhas. Não o questionei, sentei-me na moto e esperei que ele me segurasse por trás. Fiz questão de apertar seus braços ao meu redor, num medo silencioso que ele caísse para trás, por infortúnio ou desejo.
Yeonjun não usou amarelo naquele dia.
Quando chegamos, Yeonjun foi tomar banho e eu fui tentar minhas habilidades na cozinha em algum tipo de hotteok que provavelmente não daria certo. No congelador, o sorvete de chocomenta era certeiro. Abraços e comida eram tudo o que eu poderia oferecer, além de carinhos no cabelo e beijinhos de adoçante na bochecha. Terminei as panquecas e fui até o banheiro. Bati na porta, certificando-me de que poderia entrar, então entrei e me sentei na privada.
– Quer conversar?
– Não é nada. É só que hoje é o aniversário dela e… eu também não fui aprovado na escola de dança.
Eu não sabia o que dizer, no entanto eu sabia que apesar de sua pose, Yeonjun era cheio de inseguranças. Não adiantava nada tentar dizê-lo que quem estava perdendo não era ele, mas era a escola quem o perdia. Ele amava dançar e dançava tanto quanto as árvores em um vendaval, mas certas coisas eram impossíveis de se ver com os mesmos olhos. Ninguém era tão esforçado em amar algo que amava tanto quanto meu hyung era.
– Eu tinha me esforçando tanto, Soobin. Tanto. E ainda não foi o suficiente.
– Eu sei, hyung, mas nada nem ninguém que não valoriza a sua paixão e as suas noites de sono perdidas merece o seu esforço. Você precisa mandar todo mundo se foder.
– É… acho que é assim.
Eu retirei minhas roupas, peça por peça, até que eu estivesse com arrepios por toda a minha pele nua. Fiz questão de me infiltrar debaixo daquela água quente, enquanto meus braços procuravam pela figura genuína de Yeonjun. Quando o abracei, senti seu corpo instantaneamente desmoronar diante de mim e nada mais importava além do fato de que nossos corpos eram unidos em um abraço de alma, em um abraço de corações, onde o meu batia em sincronia total com o dele.
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Inefável
FanficEu o puxei sem segundas intenções, deixando que ele deslizasse por entre minhas pernas, era sem intenções de torná-lo meu, sem intenções de deixá-lo ir. O que é a vida senão retornar para os lugares dos quais não queríamos ter ido embora? A vida ain...
