Demorou um pouco para que as coisas tomassem um rumo que eu pudesse considerar decente no meu ponto de vista. Eu ainda não gostava de sentar na beira da calçada como tantas vezes vi Yeonjun fazer, porém de alguma forma feito encanto que é jogado em mágica, ver as árvores antes das onze da manhã passou-me a sensação de que valia a pena estar ali, mesmo que por motivos tão simples quanto o nascimento da vida que era a natureza verde, azul, laranja e todas as outras cores de um arco-íris que nunca vi em Seul.
Há algum tempo eu resolvi emprestar os olhos de quem viu além, para descobrir como era o mundo através de alguém que amava viver independente de sua história. Eu ainda não amava viver tanto quanto achei que deveria, mas admito que estava tentado cada vez mais a amar suas partes descomplicadas – eu estava tentando amar mais as árvores, o céu, a areia, as formigas, as pessoas.
Eu ainda me sentia um pouco mal comigo mesmo na maior parte do tempo, porém estava tentando o meu melhor para não afundar novamente em areia movediça de peçonha.
Quando cheguei na lanchonete, fiquei surpreso ao encontrar Taehyun, pois na maior parte dos dias ele sempre chegava atrasado.
– Uau, Soobin hyung... primeiramente, você se perdeu no caminho? – Era algo que eu sempre perguntava a ele.
– A lanchonete é que está mais longe.
Talvez eu tenha me perdido um pouco como ele disse, talvez eu tenha deixado a minha moto em casa, talvez eu tenha parado para fazer carinho no gato dormindo em seu descanso diário no ponto de ônibus. Talvez eu tenha tentado o equilíbrio perfeito de Yeonjun no meio-fio da calçada ali perto, me estressado e tropeçado sem que alguém visse, eu espero – talvez eu realmente estivesse um pouco mais atrasado do que Taehyun normalmente estaria.
– Segundamente, o que diabos aconteceu com o seu cabelo?
– Yeonjun hyung aparentemente é um faz-tudo. Ele descoloriu pra mim, ficou ruim? Eu estranhei um pouco no começo, agora até que me acostumei.
Yeonjun era realmente como um faz-tudo. Ele podia cozinhar perfeitamente, costurar, bordar, fazer crochê, pintar telas, cantar, fazer artesanato e colares, mexer com cabelos. Ele até mesmo fez as minhas unhas e se eu não o tivesse parado após o dedo anelar, ele com certeza teria esmaltado todas as unhas das minhas mãos em um preto que simplesmente me passava a imagem que eu não gostaria de passar.
Além de tudo, ele ainda podia se vestir de pateta e animar festas infantis, vestir seu uniforme e abastecer veículos, colocar um terno ou roupas extravagantes e desfilar como modelo. Ele era moda. Só não era muito bom andando de skate e em ficar calado, mas quem gostaria de ouvi-lo em seu silêncio? Ele podia dançar como o vento, em movimentos tão leves e também tão bruscos quanto águas de piscina clara em contraste ao mar profundo. No final de tudo, Yeonjun ainda podia me beijar como se fosse dono do universo e, talvez, só talvez, ele fosse um Deus.
– Ficou muito bom, eu diria que combina contigo. Parabéns, você é super alto e tem cabelo praticamente branco, seu namorado com certeza vai te encontrar em qualquer lugar do mundo.
– Ele já fez isso uma vez.
Era comum que o local estivesse sempre o meio termo entre cheio e vazio quando não era horário de almoço, ou o horário que pessoas comumente se preparavam para lanchar. O horário que mais enchia era entre às três, então estava relativamente calmo. Coloquei o meu avental e anotei o pedido de uma moça que provavelmente estava saindo da escola.
Eu não odiava o meu trabalho, eu só queria não estar ali na maior parte do tempo. Se eu voltasse a estudar, seria extremamente corrido. Eu estava cansado de rotinas corridas, rotinas que o tempo de sobra seria equivalente à inexistência.
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Inefável
FanfictionEu o puxei sem segundas intenções, deixando que ele deslizasse por entre minhas pernas, era sem intenções de torná-lo meu, sem intenções de deixá-lo ir. O que é a vida senão retornar para os lugares dos quais não queríamos ter ido embora? A vida ain...
