Capitulo 37

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Maitê

Já tinha alguns dias que eu não tinha uma boa noite de sono, olhei pelo quarto procurando Henrique mais sequer havia sinal dele por aqui, me levantei e apenas peguei uma blusa sua e vesti, ao abrir a porta do quarto consegui ouvir vozes e distingui bem de quem eram as vozes, eu não queria ser evasiva, não queria me intrometer onde não deveria mais a verdade é que eu me preocupava bastante com Henrique.

Com cuidado fui me aproximando das escadas e sentei no primeiro degrau de um jeito que não conseguissem me ver.

Osman: Já faz um bom tempo que não conversamos ..

Henrique: A última vez que conversamos você mandou me matarem

Osman: Podemos tentar não focar nos erros do passado

Henrique riu sem humor mais rebateu o pai no mesmo instante

Henrique: Me desculpe relembrar o passado, não é em todo lugar que vemos um pai mandar matar o filho e em seguida querer fingir que nada aconteceu

Osman: Estou doente Henrique

Henrique: Eu sei disso, mais não ache que por estar doente anula tudo oque você já fez de ruim na vida

Osman: Estou com câncer terminal, eu sei de tudo que fiz pra você e como fiz, você pode não acreditar em mim mais eu me arrependo muito e é algo que levarei comigo para o caixão, desde que descobri que estou morrendo tenho tentado descobrir um jeito de conseguir seu perdão, você é meu único filho, e hoje eu vejo que eu fui um péssimo pai, um péssimo amigo para você, mais ainda tenho meu orgulho e ainda sim estou aqui querendo seu perdão

Henrique não falou nada, o local ficou em completo silêncio por alguns minutos e eu sabia que ele lutava uma batalha interna, ele era ferido, ainda possuía cicatrizes que vieram dos pais que sequer estavam começando a cicatrizar, e por mais que eu sinta pena de Osman, ele não estava somente tocando em uma ferida aberta de Henrique, estava literalmente cutucando aonde mais o machucava

Henrique: E você chegou a essa conclusão apenas depois que descobriu a doença ?

Osman: Eu achei que tinha que ser duro com você, ser difícil, assim você aprenderia a se tornar um grande homem, aprenderia a gerenciar meus negócios, depois de tudo oque aconteceu eu percebi que tinha sido radical demais, mais uma coisa nenhum de nós dois podemos negar, você tem bastante da minha personalidade, é orgulhoso, não gosta de ceder e eu também não, mesmo percebendo meu erro eu não quis ir atrás de você, quis esperar pra ver até onde você iria e se conseguiria levar uma vida longe do luxo e do nosso sobrenome

Henrique: Devo dizer que eu me sai muito bem

Osman: Sim, você se saiu. Mais ainda sim, eu lutava uma batalha em te pedir perdão e manter minha postura ... Depois de um tempo os sinais da doença começaram a se manifestar mais eu estava Enfiado em trabalho e quando finalmente descobri oque tinha já não tinha mais cura. Eu sei que não vamos apagar o passado e também não peço pra que tenhamos uma relação de pai e filho mais eu realmente quero seu perdão, eu poderia ter sido mais, poderia ter feito mais por você ... Eu ...

Osman começou a tossir oque me fez levantar, neste momento a parte de mim que gostava de cuidar de vidas falava mais alto e comecei a descer os degraus para ir até eles

Osman: Eu tenho orgulho de quem você se tornou, tem uma boa casa, um bom trabalho, está fazendo sua carreira e agora conheceu alguém para montar uma família

Entrei na sala vendo o olhar de ambos recaírem sobre mim, Henrique me analisou da cabeça aos pés e pude ver que não passou despercebido pra ele o fato de eu estar usando apenas sua blusa, já Osman apenas focou em meu rosto e deu um sorriso gentil

Maitê: Aceita uma água ?

Ele acenou concordando e fui pra cozinha mais ainda atenta a conversa

Henrique: Eu não vou assumir suas empresas, não vou largar minha carreira e quero distância da minha mãe

Voltei com o copo d'água lhe entregando e ele apenas deu pequenos goles e acenou concordando

Osman: Os negócios da família estou vendendo para o pai de Biana, se eu deixar tudo pra sua mãe ela levará meu nome para a lama e não vou deixar meu trabalho de anos acabar assim

Henrique pareceu ponderar sobre o assunto e o vi esticar a mão pro pai que pegou sem hesitar

Henrique: Eu aceito suas desculpas, não seremos pai e filho, mais eu aceito

Osman sorriu e acenou concordando, seu olhar voltou pra mim me pegando de surpresa

Osman: Eu desejo a vocês felicidade, espero que se completem e criem uma família

Senti meu rosto esquentar e apenas acenei quando vi Henrique caminhar até a porta e abrir para que o pai fosse embora, assim que fechou a porta ele veio até mim me tirando do chão e mordendo meu pescoço

Maitê: Ei, cuidado !

Henrique: Você sabe que se fosse um dos meninos no lugar do meu pai eu seria obrigado a arrancar os olhos deles fora né ?

Sorri e beijei o canto da sua boca em seguida meus pés encontraram o chão e o vi caminhar até a cozinha, eu podia ver que ele ainda estava tenso

Henrique: Queria saber se já podemos contar as boas novas a Ada

Comecei a rir e me encostei no balcão enquanto ele enchia sua xícara de café

Maitê: E você quer fazer isso quando ?

Henrique: Por mim poderia ser agora .. oque acha ?

Maitê: Tudo bem

Ele me encarou como se tivesse algo de errado

Henrique: Sério ? Assim tão fácil ? Normalmente você briga primeiro

Revirei meus olhos e caminhei até ele tomando sua xícara de café e lhe dando as costas ao ouvi-lo reclamar atrás de mim, o sorriso que se formou em meus lábios era tão sincero que só então percebi que agora eu estava em um relacionamento e era pra valer.

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