Capitulo 03

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Rhaenyra não conseguia compreender o que exatamente passava na cabeça de Daemon.

Continuou acompanhando seus passos com o olhar pelo salão após vê-lo escapar de sua pergunta. O que diabos ele queria se não fosse humilhá-la perante todos?

Seu tio nunca foi um homem amoroso, sua forma de treinamento era mais pesada, intensa e por um lado Rhaenyra agradecia por moldá-la como é hoje.

Ela era implacável em qualquer missão que fosse designada.

Um babaca egocêntrico era o adjetivo perfeito para descrevê-lo. Depois de seu divórcio, os comentários sobre suas escapadas com diversas mulheres eram motivos de fofocas com todos da família.

Ela entendia o que fascinava as outras mulheres, era alto, bonito, tinha um charme irresistível, mas era um homem completamente desagradável aos seus olhos.

"Um desagradável gostoso" admitia em seus pensamentos vislumbrando suas vestimentas para ocasião.

Tentava disfarçar como admirava o terno escuro e bem cortado envolver perfeitamente seus ombros largos. A maldita camisa branca desabotoada mostrando discretamente um pouco do seu peitoral e algumas cicatrizes de trabalhos antigos. Uma corrente fina dourada deixava a visão ainda mais tentadora, imaginando como seria ele usando apenas isso em cima da cama.

Mas, é claro, ele estragava essa visão maravilhosa quando abria a boca.

— Em vez de ficar parada sem fazer nada, prepare seus pupilos para a cerimônia dos seus novos nomes ou você espera que eu faça o seu serviço, herdeira mimada?

"Maldito filho da puta"

Rhaenyra odiava receber ordens de algo que estava fazendo ou já fez.

— Eles estão devidamente preparados e não preciso de suas orientações estúpidas. — grunhiu raivosa para ele sem virar o rosto.

— Vejo que aprendeu algo com os meus ensinamentos finalmente. — respondia em tom sarcástico — Só precisa melhorar um pouco sua defesa — sussurrou próximo à orelha fazendo sua pele arrepiar.

Essa reação era de ódio.

Pelo menos era o que gostaria de acreditar.

Encarou seu olhar gelado profundo em seus olhos púrpuras e sorriso presunçoso. Segurou seus punhos com firmeza para não socá-lo e desconfigurar aquele maldito rosto debochado.

***

Rhaenyra tentava manter o foco em socializar entre os grandes chefes das famílias. Ela sabia o poder que tinha, a forma de falar corretamente, a lábia em lidar com comentários sarcásticos. Sua mãe a preparou para essa posição desde pequena e depois seu pai orientava com diplomacia.

Falhas não existiam em seu vocabulário, por isso ser exposta por seu tio fez seu sangue ferver. Por um lado, sabia que a impulsividade a fez agir como uma tola, não entendia os motivos de seus sentimentos se transformarem em um caos por ele estar perto. Era como se seu bom senso desligasse e seu corpo agisse por vontade própria.

Isso começou a acontecer recentemente. Nem quando via Daemon apenas como seu mentor seus pensamentos ficavam tão nebulosos.

Ela não o vê mais como mentor, nem ao menos como tio.

Era apenas Daemon e isso a preocupava.

A única família que poderia ser ela mesma sem julgamentos eram os Velaryons. Rhaenys e Corlys permaneciam com suas posturas grandiosas, a verdadeira representatividade de poder ao olhá-los.

"Um dia, terei um casamento próspero e poderoso, igual a eles"

Ela amava Laena e Laenor e caminhava até eles para conversar de forma calorosa. Precisava de um suporte amigo.

— Vocês como sempre deslumbrantes — seu sorriso largo iluminava onde estivesse.

— Rhaenyra que saudade — um abraço forte e reconfortante foi recebido por Laenor — Os novatos foram bem treinados, estamos orgulhosos, Rhaena evoluiu rápido.

— De fato — acrescentava Laena — estava com medo dela se decepcionar.

— Ela está radiante por chegar ao nível de todos e como mentora, só posso sentir orgulho.

— Com licença meninas, vou avistar belos corpos daquele lado — disse Laenor massageando os braços de Rhaenyra e Laena e caminhando até o lado oposto do grande salão.

Laenor não esconde a sua apreciação pela beleza e corpos masculinos. Falar sobre sexualidade com a família era um tabu e com muita coragem ele seguiu sem medo.

Por sorte, ele tinha escolha sobre seu destino. Uma escolha não sanguinária com tradições. Não precisou de nenhum treinamento, mesmo com a insistência de Rhaenys que conseguiu com muito custo a autorização de Viserys para repassar os treinamentos que apenas Targaryen seguiam.

Somente Laena recebeu a orientação. Mesmo assim, Viserys não permitiu a inclusão dela, na organização.

"Ela é uma Velaryon, o fogo de dragão não é forte em seu sangue, apenas Targaryens possuem essa dádiva"

As palavras de seu pai marcaram por anos os pensamentos de Rhaenys a magoando profundamente pela apunhalada recebida.

Seu direito como matriarca foi negado e seus filhos não se consideravam dragões.

Rhaenyra queria mudar essa história.

Laenor soltava sorrisos e pequenas carícias no braço de um rapaz bonito de cabelos dourados. Próximo a ele um rosto carrancudo mostrava irritação pela situação. Rhaenyra conhecia bem o moreno que faltava vomitar ao lado deles. Criston Cole era um pupilo da casa Hightower contratado como segurança de Alicent, atual esposa de Viserys.

Um completo idiota.

Quando o rapaz decidiu ir ao banheiro, provavelmente para ser seguido com outros objetivos, Cole agarra o braço de Laenor bruscamente e joga ofensas que poderiam ser ouvidas apenas por quem estivesse perto.

Rhaenyra e Laena não precisavam saber as palavras exatas que ele usou, apenas a forma como fechava o punho e encarava tentando amedrontar Laenor, fazia o sangue de ambas ferver.

Antes de tomar qualquer decisão, uma mão conhecida agarra o pescoço de Cole, deixando próximo ao rosto.

— O que foi Crispin, está querendo ser fodido essa noite? Não viu que Laenor já tem um companheiro?

Daemon falava baixo com um olhar sedutor deixando Cole nervoso por ser visto daquela forma. Ele levanta o queixo dele com o polegar deixando mais próximo de seu rosto, fixando em seus olhos verdes.

— Está com a respiração acelerada? Talvez você também goste desse tipo de aproximação, basta apenas experimentar.

O rosto de Cole se transformou em um vermelho intenso, mas não conseguia se mexer, Daemon prendeu suas mãos atrás das costas imobilizando os movimentos.

Qualquer caos causado agora também resultaria em uma punição do patriarca.

— Chega vocês dois! — Otto aproximou tentando disfarçar qualquer confusão aos olhos dos convidados — Pare com essas indecências Caraxes, não é hora e nem lugar para isso.

— Está com ciúmes? — Daemon soltava Cole analisando ironicamente Otto — Nem se me pagassem comeria um velho como você.

Laenor tampa os lábios evitando uma gargalhada alta. Cole sai envergonhado e com raiva ao lado de Otto se perdendo na multidão.

— Nossa, ele foi bem convincente — disse Rhaenyra surpresa com a postura de Daemon e admirada por defender Laenor.

— Como assim? — questionava Laena com um semblante confuso.

— Você sabe... A forma como ele parecia seduzir o Cole. Por um momento quase acreditei.

Laena arregalou os olhos, olhando sutilmente para os lados.

— Você não sabe?

— Não sei o quê?

— Daemon é bissexual.

— É O QUÊ?!

A palma da mão de Laena tampa a boca de Rhaenyra tentando conter os gritos surpresos dela.

— Teve o maior escândalo na época. Quando Viserys soube dele com um príncipe da família Martell, o obrigou a casar imediatamente.

— Então esse foi o motivo do casamento de vocês?

— Sim, — ela riu — depois disso Laenor se sentiu confiante em revelar sua sexualidade e recebeu apoio dele.

Rhaenyra não conseguia acreditar existir alguma bondade no coração de seu tio. Aos seus olhos, parecia sempre um homem ganancioso e egoísta. Esse lado dele era novo para ela.

***

A cerimônia chegava ao fim com o batismo dos novatos e seus nomes oficiais que usariam até sua morte.

Todos cortavam a palma da mão, derramando o sangue na taça dourada com o símbolo do dragão de três cabeças e bebiam, recitando o antigo cântico em valiriano.

O simbolismo do pacto com a família era grande. Igualava ao casamento, unido por sangue até o final da vida.

Os nomes verdadeiros não eram citados. Conforme Viserys caminhava desenhando o sangue na testa dos pequenos dragões, ele os chamavam pelos nomes escolhidos.

— Bem-vinda Moondancer — disse para Baela.

— Bem-vindo Sunfyre — disse para Aegon.

— Bem-vindo Tessarion — disse para Daeron.

— Bem-vinda Dreamfyre — disse para Helaena.

— Bem-vinda Morning — disse para Rhaena.

— Bem-vindo Vhagar — disse para Aemond.

— Quando você decidiu seu nome, pensei que escolheria Vhagar por causa de Visenya — Daemon olhava de soslaio sua sobrinha que sorriu com a lembrança.

— Não nego que (foi) a minha primeira escolha, mas pensei que uma deusa valiriana cairia melhor.

— Realmente, — ele olhou profundamente em seus olhos — faz mais jus a você.

O que exatamente significava esse comentário? Seria um flerte? Uma loucura de sua cabeça pensar em algo assim vindo dele?

Essas palavras deixaram Rhaenyra confusa com o verdadeiro significado. Estava acostumada com a forma idiota dele irritando-a, mas isso foi algo fora da curva de tudo o que conhecia dele.

Com certeza foi uma ironia na qual ela não compreendeu.

***

Tirar finalmente as sandálias, relaxando seus pés em cima da cama, era o melhor presente que recebeu pelo dia cansativo.

Sentia-se feliz pela missão cumprida e poderia seguir com os serviços mais intensos que Viserys destinaria a ela.

Caminhou até a porta do escritório de seu pai. Precisava falar com ele, saber de sua opinião do que achou de seu treinamento e pedir desculpas pelo mal-entendido não querendo fazer a família passar vergonha na frente de todos.

Um sermão era esperado, então que fosse logo e tudo voltasse ao normal pela manhã.

— Sir Harold! Gostaria de falar com o meu pai por gentileza.

Apesar da família ser treinada rigorosamente como assassinos, o patriarca necessitava ainda dos soldados secundários. Em sua porta ficava Harold, fixo igual uma sentinela. Era alto com uma longa barba castanho-avermelhado e olhar intimidador.

— Infelizmente não posso permitir sua entrada Syrax, nesse momento ele está reunido com Caraxes e ordenou ser apenas interrompido por algo de extrema urgência.

— Oh! Tudo bem, posso conversar com calma amanhã. Boa noite, Sir Harold.

Uma conversa agora? Rhaenyra se questionava sobre qual seria o motivo de uma reunião séria tarde da noite, após um dia tão exaustivo.

Ela conhecia as passagens secretas, decidiu usar para ouvir melhor a conversa restrita deles.

A porta em uma parede falsa se abriu com um empurrão leve dela. Fechou silenciosamente e caminhou encontrando o escritório de seu pai e ficando despercebida aos olhos deles por trás das paredes.

Pequenos furos pela decoração rústica deixava Rhaenyra observá-los melhor.

— Está marcado para daqui a dois dias sua viagem. Na maleta estão os nomes e endereços para se localizar. É primordial esperar a volta do policial para casa e tirar as informações solicitadas pelo contratante.

— Preciso ficar de tocaia até o retorno dele, seria mais eficaz se Rhaenyra fosse comigo.

— Daemon, você sabe que esse trabalho exige um psicológico mais preparado.

— E apenas em serviços assim ela vai conseguir aperfeiçoar suas habilidades. Ela precisa fazer os serviços de açougueiro. Se quer colocá-la como matriarca dessa família, precisa parar de protegê-la.

— Não vou discutir o que acredito ser melhor para a minha filha.

— Precisa confiar nela Viserys, eu não posso seguir uma menina que não sabe como funciona o trabalho sujo. Você viu como ela foi precipitada hoje.

Um gosto amargo subiu pela garganta. Ouvir de Daemon que não seguiria alguém despreparado como ela fez seu ódio aumentar.

Ele tinha razão, nunca falaria isso para ele, mas as missões que teve até agora eram apenas algo simples. Daemon e Rhaenys eram os únicos da velha guarda que seguiam com trabalhos mais pesados.

Rhaenyra não era mais uma novata, precisava se preparar como líder da organização.

— Não vou discutir com você. Apenas obedeça às minhas ordens!

A postura de Daemon era dura, os braços cruzados apenas afirmavam seu descontentamento.

Pegou a maleta preta nas mãos de Viserys e seguiu seu rumo para fora do escritório.

***

Rhaenyra andava de um lado para o outro com passos acelerados, revirando os anéis dourados em seus dedos e pensando em como poderia ir com Daemon nessa missão.

Apesar de todo o ódio que sentia, reconhecia que todas às vezes que os serviços foram feitos juntos eram eficazes e perfeitamente executados.

"Posso entrar em seu quarto e analisar os nomes e endereços de quem precisava matar" era uma ideia perigosa, mas Rhaenyra era conhecida por entrar e sair despercebida em todos os lugares. Pegar algo no quarto do seu tio, era mais fácil do que roubar doce de uma criança.

O quarto dele ficava no mesmo corredor, separando de três quartos de hóspedes.

Com os pés descalços, um pijama leve e sem seus acessórios, ela abriu a porta do quarto evitando qualquer barulho.

Daemon dormia em sua cama de bruços, coberto apenas com um edredom acima da cintura, evidenciando as costas esculpidas e musculosas. Uma vontade de passar as pontas dos dedos sentindo as pequenas cicatrizes, apareceu rapidamente em sua mente.

Mas seu objetivo era outro.

Sutilmente procurou a maleta preta. Estava em cima da pequena mesa de centro do quarto. Caminhou devagar analisando uma fechadura. Apenas com a digital ou a chave mestra conseguiria abrir a maleta. Conhecendo Daemon, ele guardaria a chave próximo ao criado-mudo.

Então ela ousou em tentar pegar.

Um silêncio dominava o quarto e a iluminação da lua pela janela, deixava menos escuro.

A chave estava próxima de sua pistola Heckler, arma preferida dele.

Com um pequeno descuido, Rhaenyra resvala sua perna na ponta do dedo mindinho dele o fazendo despertar raivoso. Ele agarra seu pescoço com força puxando na cama e segurando forte, perdendo o fôlego.

— Ke-kepa! — disse com todas as forças que conseguia. Suas mãos grandes envolviam seu pequeno pescoço com facilidade.

— Rhaenyra? — olhava confuso pairando sobre ela.

Encontrou o interruptor acima da cama e clareou o quarto encontrando-a com as mãos no pescoço tentando recuperar o fôlego.

— O que diabos faz aqui?

Engoliu seco, apoiando-se com o cotovelo admirando melhor o corpo dele pela claridade da lâmpada.

Estava encrencada mesmo, por que não aproveitar a visão?

Ele sempre foi a imaginação perfeita quando se masturbava no quarto em todos esses anos. Se odiava quando apenas as imagens dele apareciam em seus momentos de prazer com qualquer tipo de brinquedo que usava.

Com o passar dos anos ele ficou fodidamente gostoso. Pensou em usar uma fita adesiva e tampar aquela linda boca apenas para admirá-lo. Ele sempre estragava tudo quando soltava frases para irritá-la.

— Ei! — ele estalou os dedos chamando sua atenção — Se continuar me olhando assim vou deduzir que sua visita era atrás de outra coisa.

Ela franze a testa levantando rapidamente. Jamais deixaria seus pensamentos luxuriosos ficarem em evidência para ele. Ceder para o maior tormento de sua vida estava fora de cogitação.

— Eu quero ir com você nesse trabalho!

— Sem chance, Rhaenyra, seu pai me mataria.

— Ouvi a conversa de vocês e fiquei interessada em expandir minhas habilidades.

— Usou as passagens secretas como ensinei? Isso era apenas para momentos de emergência e não para fofocar.

— Como se você não fizesse o mesmo.

Ele levanta pegando sua calça preta de algodão em cima da poltrona bordô.

Demorou propositalmente para vesti-la e Rhaenyra não se sentiu intimidada em olhar mais do que deveria.

O olhar e atenção dele, são constantemente atraídos para ela.

Envolveu uma perna em um dos lados da calça subindo devagar, olhando-a com um sorriso torto e egocêntrico.

Ele sabia a beleza que tinha.

Qualquer outro dia Rhaenyra reviraria os olhos achando estupidez um homem se sujeitando a isso, mas com ele, sua boca fica seca e seu olhar escurece.

Era impossível deixar de admirar as coxas torneadas, o volume em destaque no meio de suas pernas coberto pela cueca boxer, subindo o cós até a cintura, curvando delicadamente o abdômen definido e amarrando com um nó forte.

Ele era o perfeito sonho erótico de qualquer mulher. A estrela de suas fantasias obscenas.

Os cabelos bagunçados e soltos deixava um ar despojado e preguiçoso.

Rhaenyra tenta manter a expressão educada, mas não consegue evitar os olhos brilharem e se alimentar em desejo.

Ela nega a si mesmo essa atração, é errado, ele apenas a quer humilhá-la, não seguiria ela por conta de suas habilidades escassas e ceder ao desejo por um homem que sente desprezo, afetaria seu orgulho e iria contra tudo o que acredita.

Por mais que seu tio fale ao seu favor sobre prepará-la para o matriarcado, Rhaenyra vê apenas interesse nisso. Não sentia ser algo genuíno de preocupação. Era Daemon, ele nunca foi confiável.

— Por que deveria ir contra as decisões do patriarca e levar você?

As palavras dele a fazem voltar de seus devaneios.

— Eu preciso fazer trabalhos mais sujos. Sou herdeira por direito, ele vai me nomear e preciso ser melhor que qualquer um da família.

Ele senta ao seu lado pensativo com a proposta.

— Concordo com você, mas ir contra seu pai, vai colocar a minha cabeça a prêmio.

Seu olhar não parecia irônico, ele estava realmente sendo sincero com seus pensamentos.

— Consigo lidar com o meu pai, ele só precisa saber quando estiver lá.

— Não é tão fácil quanto parece, sobrinha.

— Você está vendo apenas por uma perspectiva complicada.

— Perspectiva essa que apenas um levará a punição.

— Eu sei como convencê-lo. Indo com você, não tem como ele mudar de ideia e pedir para voltar.

— O problema é quando voltar Rhaenyra. Não posso desrespeitar sua decisão. Se seus soldados faltarem com respeito sem uma punição você é apenas visto como fraco. Você deveria ser a primeira a pensar nisso.

— A idade te deixou ainda mais dramático...

— Deus, você é irritante pra caralho!

— Obrigada! — ela sorri sentindo-se vitoriosa.

Daemon cataloga Rhaenyra por inteira. Seu corpo reage quente e arrepiado. Os dedos curvados resvalam o braço macio dela. Os olhos dele segue todo o caminho que faz, devagar e silencioso.

Ela não consegue evitar o toque ou impedir as carícias.

A mão dele sobe até seu rosto, ajeitando uma mecha rebelde de seu rabo de cavalo, colocando atrás da orelha.

O polegar desliza pela curva da sua mandíbula e traceja o lábio inferior, olhando atentamente.

Alguns segundos passaram enquanto acariciava sua boca e olhava hipnotizado para aqueles lábios inchados e rosados.

"O que ele está fazendo?" pensava confusa com o turbilhão de sentimentos. Um calor nas maçãs de suas bochechas deixam coradas, não conseguia evitar a excitação do seu toque.

— Rhaenyra, Rhaenyra — disse seu nome como uma súplica. Sua voz grave e rouca despertou um calor intenso entre as pernas.

"Porque ele me deixa tão afetada?"

Ela não consegue responder ainda perdida em como ele olha a desejando. Entendeu finalmente seus olhares no banquete, não era desprezo o que sentia por ela.

Sua mão acaricia o pescoço avermelhado pela pressão que fez antes de notar ser ela em seu quarto.

— Machuquei você? — sussurrou estudando a marca das suas mãos na pele macia abaixo do queixo.

— Não... Eu... Eu achei gostoso. — confessou para seu completo horror.

Não acreditou nas palavras que saíram de sua boca. Agora precisa controlar seus pensamentos antes de soltar qualquer besteira como uma adolescente estúpida no cio.

Ele ri, uma risada quieta e debochada, levantando-se e encostando-se próximo à mesa de centro.

Sentiu-se ridícula pela reação recebida.

"Porque falei algo tão idiota?"

— Você tem dois dias para me provar que realmente consegue, então pare de agir igual uma adolescente e treine o suficiente. Não quero passar a mesma vergonha de antes e salvar seu rabo pelas suas burradas.

Daemon era bom em sempre lembrar o homem desgraçado que era.

***

Espero que gostem e por favor deixem comentários, eu amo ler cada um deles. Me siga no Twitter: moneceles.

Beijooos.

BloodlineWhere stories live. Discover now