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Tzuyu passou as palmas das mãos pela testa suada, aquela tarde em que estava no parque havia esfriando muito para o seu gosto desde que chegou ali. Ela deveria ter pedido Sana para trazer um moletom para ela, mas não queria abusar da boa vontade da mulher.

O pequeno cachorro caramelo estava deitado ao seu lado na grama verdinha, sequer percebendo os calafrios que a modelo taiwanesa dava do seu lado, seu sono devia ser muito interessante.

Alguns minutos se passaram e ela reconheceu um carro de táxi que estacionava cuidadosamente no estacionamento do parque e piscou com os olhos cansados ao olhar a mulher elegante que saia de dentro do veículo.

Passou a mão no pelo caramelizado do cão e viu seu braço se arrepiando, provavelmente de frio, e levantou seu olhar para a mulher que se aproximava de um jeito incrivelmente rápido.

一 Pelo visto você já fez um novo amigo. 一 Sana disse.

O cachorro  levantou suas orelhas ao escutar uma voz diferente, mas logo se rendeu ao sono e voltou a se deitar quando percebeu a mulher se sentar ao seu lado, ficando assim no meio das duas modelos.

Ficaram alguns minutos observando o lago a frente, a brisa balançava suavemente os cabelos longos das duas em uma mistura de perfumes.

Sana de repente pareceu se lembrar do motivo do qual a levou a estar ali, enfiou a mão direita no bolso do jeans preto epegando a carteira preta da modelo prodígio, franzindo as sobrancelhas bem desenhadas ao observar a mão trêmula.

一 Você está bem, Chou? 一 A Taiwanesa pegou a carteira.

一 Sim, só estou com um pouco de frio.

一 Mas está fazendo quase trinta e três graus. 一 Argumentou.

一 Então deve ser só ressaca. 一 Levantou o olhar para Sana e viu o olhar aflito dela em direção ao lago, logo olhando na mesma direção que a japonesa e uma vontade de rir lhe acertou em cheio.

Um ganso estranhamente parecido com o que correu atrás de Sana há quatro anos atrás estava saindo do lago balançando seu rabo para tirar o excesso de agua e indo em direção as duas

A cara de espanto de Sana era incrível.

Mas o ganso branco e preto apenas foi em direção ao cachorro como se fossem amigos de longa data se cumprimentando casualmente e depois de ganhar uma lambida bem molhada do cão, ele se pôs a voltar para o lago novamente.

一 Bem, eu acho que o problema dele não era comigo. 一 Sana falou mais para si do que para Tzuyu.

Tzuyu estava criando coragem para falar com a modelo mais velha sobre o cachorro e esperando o clima descontrair um pouco, mas não sabia se era sua condição que estava lhe deixando tão ansiosa assim ou era como Sana poderia reagir.

一 Eu sei que você está querendo me dizer alguma coisa quando encara as pessoas com o nariz enrugado assim, Chou. 一 Tzuyu riu fraco.

一 Poderia não me chamar de Chou? Sabe, nós poderíamos tentar deixar isso 一 Apontou o dedo indicador para ambas. 一 Um pouco mais amigável. Somos duas adultas e eu tenho certeza que conseguiríamos levar uma amizade numa boa.

一 Certo, Tzuyu. Era só isso? 一 A mulher abraçou os braços arrepiados, tremendo os lábios pálidos.

一 Bem, Eu- 一 A Taiwanesa foi cortada por algo monstruoso em seu estômago que parecia querer sair no próximo milésimo de segundo.

Ela deixou uma Sana confusa sentada e correu em direção a lixeira mais próxima de si, vomitando todos os resquícios de alimentos que estavam lhe sustentando ali. Depois de ter certeza que não vomitaria mais, tirou a cabeça da lixeira e caminhou em direção a japonesa - Essa que sutilmente lhe ofereceu uma bala de menta.

Tzuyu aceitou a bala e coçou os grandes olhos de chocolate.

一 Eu estava falando que esse garoto aqui não tem um dono. - Falou com a voz rouca e apontou o dedo trêmulo para o cachorro, Sana pareceu entender onde ela queria chegar.

一 Então você se ofereceu para ser dona dele sem me consultar antes, certo? 一 Sana completou.

Ela piscou lento.

一 Eu sinto muito, mas foi tudo tão rápido que-

一 Eu só estou brincando, Tzuyu. Você pode ficar com ele. 一 O desespero da modelo mais nova deu um lugar para uma expressão sorridente.

一 Certo, mas ele precisa de um nome 一 A Minatozaki pensou.

一 Bacon. 一 Tzuyu sorriu feliz.

一 Definitivamente não.

一 Certo, garoto. 一 Tzuyu acariciou o cão. 一 O seu nome agora é Bacon.

[...]

Bacon estava no pet shop depois de uma luta gigantesca para Sana conseguir deixar o cachorro imundo confortável no veículo em movimento o que obviamente não deu muito certo, pois o banco de couro estava imundo e o vidro de trás encharcado de saliva de cachorro.

Tzuyu definitivamente pagaria uma fortuna para uma limpeza geral no interior do carro, pois a situação estava difícil por ali.

Elas estavam dentro do carro estacionado na frente do pet shop enquanto esperavam o tempo passar.

O aquecedor do lado do motorista estava cozinhando Sana que nem estava no alcance do vapor, e aparentemente Tzuyu também já que havia pequenas gotas de suor começando a se acumular no canto de sua testa.

一 Você não quer desligar esse aquecedor? 一 Perguntou cuidadosamente.

一 Eu estou com frio.

Sana levou a mão esquerda para a testa da modelo e constatou o óbvio, ela estava queimando de febre e aquilo definitivamente não era um sintoma comum das ressacas de Tzuyu.

一 Você está queimando de febre, Tzuyu. Nós vamos ao hospital agora. 一 A mais velha disse firme.

O olhar vazio de Tzuyu em uma expressão fechada encontrou seus olhos, mas ela não se deixou estremecer diante aquele par de olhos.

一 Você sabe que eu detesto hospitais.

一 Não foi em nenhum hospital até hoje? Como passou os dias em que adoeceu? 一 Sana disse em um choque aparente em seu rosto.

一 Eu sempre fiquei em casa esperando a morte ou que meu corpo se virasse sozinho.

一 Quando chegarmos em casa, entrarei em contato com uma amiga médica e ela irá lhe atender em casa se esse for o problema.

Inefável | Satzu. Histórias para pegar e não largar. Descubra agora