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A Taiwanesa suspirou aliviada ao sair da grande loja de roupas, no qual foi praticamente obrigada a experimentar diversos vestidos de casamento extremamente caros, tudo isso graças a estilista exigente que seu pai havia contratado.

Enquanto Tzuyu se sentia uma boneca qualquer, gastando quase trinta minutos e com a ajuda de três mulheres totalmente desconhecidas para si, trocava de vestido toda hora enquanto observava a estilista anotar coisas em seu pequeno caderno de capa grossa vermelha.

A estilista, que Tzuyu descobriu que se chamava Penélope, afirmou que analisaria com calma tudo o que havia anotado e daria a resposta em menos de uma semana. Ela quase se ajoelhou e lhe agradeceu por estar finalmente livre.

Então aquilo era realmente se casar? Toda aquela correria, se descabelando por vestidos, maquiagem, cabelo, decoração? Se a pequena Tzuyu de anos atrás soubesse de tudo isso, lá se ia os grandes planos de se casar com seu príncipe encantado.

E encostada em um carro luxuoso do lado de fora da loja, estava Sana enquanto lambia calmamente a grande bola de sorvete que estava por cima da casquinha.

Como se não tivesse um casamento em algumas semanas.

– Você não teve que ir experimentar vestidos?! – Tzuyu disse exasperada. – Eu passei quase o dia todo nessa porcaria de loja!

– Querida, vejo que tudo isso tem te deixado bem estressada. – Comentou cínica. – Talvez devêssemos ir para casa relaxar um pouco, hm?

Tzuyu rangeu os dentes e viu Sana se aproximar sorrindo, ainda com o sorvete em mãos.

– Você só pode estar de palhaçada com a minha cara. – Riu sem humor.

Sana ergueu o braço direito e passou os dígitos pelas bochechas bronzeadas de Tzuyu, que estranhou o ato repentino, mas isso não impediu que um pequeno sorriso ameaçasse nascer em seus lábios.

– Tem dois paparazzis nos fotografando, querida. – Sussurrou sorrindo de um jeito teatral. – Por favor, disfarce um pouco e vamos dar um conteúdo novo para nossos fãs.

– Se tentar me beijar, eu juro que arranco sua língua, Minatozaki. – Sorriu.

Tzuyu se abaixou um pouco e selou de leve os lábios rosados na bochecha clarinha de Sana, sentindo o cheiro doce dos cabelos dela lhe inebriando.

Já era noite em Chicago e as belas modelos estavam esparramadas no grande sofá aconchegante da sala, enquanto Sana estava em uma ponta do sofá, Tzuyu estava em outra.

Toda aquela distância não era proposital, era como se fosse apenas um modo de defesa que o cérebro de ambas ligara automaticamente. Mantê-las separadas era bem mais seguro.

— Esses sites de fofocas são malucos. — Sana disse enquanto negava e ria das especulações de seus fãs nos comentários das fotos que os paparazzis tiraram mais cedo.

Mas não houve nenhuma resposta.

Estranhando o fato de estar um silêncio insuportável — o que não era muito normal com Tzuyu em casa. — Sana olhou para o lado e apenas escontrou o lindo perfil de Tzuyu focado em algum canto aleatório da sala.

Ela poderia estar apenas pensando, mas Sana a conhecia bem o suficiente para saber que teria mais coisas enterradas bem no fundo daquela cabeça oca.

A japonesa se levantou enquanto fazia a cara mais lavada do mundo e se sentou no meio do sofá, observou as pantufas de esquilos e olhou para o lado.

Tzuyu continuava na mesma posição, talvez sem sequer ter piscado.

Sana bufou.

Se pôs de pé novamente e se sentou ainda mais próxima de Tzuyu. Com o silêncio do apartamento, era possível escutar até a respiração delas, incluindo os roncos do cachorro caramelo em algum canto daquele apartamento.

— Está tudo bem? — Sana sussurrou, mas mesmo assim a modelo mais nova deu um pulo e levou a mão ao coração.

— Como diabos chegou tão perto e eu sequer percebi? — Perguntou se recuperando do susto recente.

— Você estava aí no mundo da lua. — Respondeu. — Está tudo bem? — Refez sua pergunta anterior.

— Eu só estava pensando algumas coisas sobre o casamento. Não se preocupe. — Deu de ombros e Tzuyu e Sana lambeu os lábios.

O olhar de Tzuyu foi atrevido o suficiente para lhe trair e guiar sua atenção para aquele ato.

A japonesa se levantou e pegou o controle da grande e sofisticada televisão em sua frente, ligando e guiando para um aplicativo mais que conhecido para Tzuyu.

— Assistir todos os filmes de Hotel Transilvânia sem pipoca doce e coca cola? — Tzuyu disse surpresa. — Definitivamente tem algo errado com você.

— Poderia ir lá pegar o cobertor? — Sorriu ao ver a taiwanesa caminhar em direção ao quarto, com suas novas meias de dinossauros em seus pés.

Enquanto ajeitava o sofá-cama, ela decidiu que daria uma chance para que os contatos físicos fluírem livremente por elas.

Afinal, se casariam em algumas semanas e precisavam estar acostumadas com o toque uma da outra novamente, certo? Mas Sana definitivamente não estava com saudade do cafuné maravilhoso na nuca que somente Tzuyu sabia fazer.

Sentiu algo macio colidir com suas costas, se virou com um falso olhar mortal e viu Tzuyu sorrir sapeca. Pelo menos ela estava sorrindo, não é?

— Agora quem estava no mundo da lua é você, querida. — Provocou e a japonesa revirou os olhos.

Elas se encararam para ver quem tomaria a iniciativa de se deitar primeiro, e travaram essa guerra de olhares confusos por quase trinta segundos.

— O que está esperando, Tzuyu? — Perguntou. — Deite-se.

Mesmo sem entender quase nada, a Taiwanesa fez o que lhe foi mandado e ficou ainda mais confusa e nervosa ao ver Sana se deitar e se aconchegar naquela confusão de conchinha.

— Céus, isso é tão estranho! — A Chou disse em um fio de voz.

— Não é como se nunca tivesse feito isso, Tzuyu. — Murmurou. — Deixe de agir feito uma virgem.

Dito isso, a modelo mais nova passou os longos braços musculosos pelo corpo de Sana, lhe trazendo para mais perto. Ela não percebeu, mas um sorriso brincava nos lábios da japonesa.

—  Olha, se não for muito incômodo, será que poderia fazer seu cafuné especial? — Perguntou manhosa e Tzuyu não deixou de rir debochada.

— Quem diria, Minatozaki. — Riu. — Quem diria.

Com os minutos de filme passando, o carinho de Tzuyu em sua nuca que foi se perdendo cada vez mais, até parar completamente e restar somente a respiração calma da modelo atrás de si.

Não importa a época, não importa a idade, mas Tzuyu sempre vai dormir no mesmo minuto do filme. Eram sempre em exatos quinze minutos que Tzuyu já se encontrava apagada.

— Céus, Tzu, você nunca vai perder esse hábito, não é? — Sussurrou baixo.

— Não tenho culpa se esse filme é tedioso, Sannie.

Inefável | Satzu. Histórias para pegar e não largar. Descubra agora