♡
Se arrependimento matasse, Tzuyu já estaria em decomposição. A única coisa que era agradável dentro daquela imensa sala de cinema, eram as risadas graciosas que Sana dava com aquele filme de animação horrível.
O tipo de filme que tirando Sana, só uma criança de quatro anos era capaz de achar alguma graça nas "piadas". completamente sem humor.
Estava com tanto tédio que havia acabado com o pote grande de pipoca doce, indo buscar mais e quando voltou, Sana continuava rindo.
Podia sentir o gosto do alface em sua boca só de pensar na dieta extremamente rigorosa que iriam lhe passar assim que voltasse a pisar em Chicago.
Até pensou em pegar o celular para checar os comentários das fotos que postou quando saiu de casa, mas a claridade provavelmente faria Sana enfiar o celular na garganta de Tzuyu.
Ela poderia estar dormindo um sono incrível agora, mas deixar Sana feliz é bem mais importante. Foi o que ela pensou. Talvez fosse melhor ter uma Sana emburrada.
Mas Tzuyu repensou bastante sobre este pensamento, já que Sana conseguia ser muito insuportável quando estava irritada e consequentemente, irritava todos ao seu redor.
Chaeyoung havia ido para algum tipo de escritório nos fundos do cinema, dizendo para que ficassem a vontade, mas não o suficiente para que realizassem atos obscenos em seus bancos.
A mulher assegurou que o casal pudesse pegar qualquer alimento por conta da casa, já que fazia muito tempo que não via Tzuyu e estava muito feliz em ver Minatozaki de perto.
A pipoca daquele lugar era simplesmente surreal, e Tzuyu poderia dizer até que Chaeyoung descobriu a receita de pipoca mais gostosa do mundo. Ela levaria a mão até o pote para pegar mais, mas travou ao sentir uma mão gelada esbarrar na sua.
Os rostos se viraram ao mesmo tempo, e os olhos de Sana que estavam com lágrimas de tanto rir estudaram a expressão de Tzuyu.
Tzuyu esperava um grito, um xingamento ou até mesmo um dedo quebrado, mas encontrou somente total atenção de Sana em si.
一 Sabe que isso é muito clichê, não é? 一 Sana perguntou enquanto sorria, aproximando seu rosto de Tzuyu.
A Taiwanesa apenas sorriu com o comentário e também estava se aproximando mesmo sem perceber, desejando mais do que tudo sentir os lábios vermelhos e carnudos de Sana.
Faltando menos de dois centímetros para os lábios se encontrarem, Sana fechou os olhos e já podia sentir a respiração ansiosa de Tzuyu, mas voltou a abri-los ao escutar o grito estridente de algum personagem do filme e Tzuyu murmurando "Merda!"
Tzuyu se assustou com o grito do personagem e derramou o último gole de refrigerante em sua jaqueta de couro. Ela nem se lembrava mais que estava segurando o copo, até agora.
Ela tirou a jaqueta e ainda sem dizer uma palavra, ela encarou o mesmo personagem que gritou, rindo com sua péssima voz aguda, como se estivesse totalmente consciente do que fez.
Tzuyu nunca odiou tanto um personagem de desenho tanto antes.
一 Esse cara estragou a minha chance. 一 Reclamou e escutou a risada de Sana.
一 Talvez assim você tenha um tempo para estudar com a antiga Tzuyu. 一 Comentou. 一 Para aprender a como beijar uma mulher bonita sem tremer feito um pinscher.
一 Eu não tremi feito um pinscher! 一 Reclamou mais uma vez. 一 Do que está rindo?
Ignorando a pergunta de Tzuyu, a japonesa apenas procurou a mão da mulher no meio daquela escuridão e pipocas, entrelaçando seus mindinhos. Ela estava feliz por ter conseguido deixar Tzuyu emburrada.
Tzuyu estava pronta para reclamar, mas se calou ao sentir o calor de Sana em sua mão, sorriu satisfeita e se virou para tentar prestar atenção naquele filme insuportável.
E como esperado, passou o resto do filme amaldiçoando o maldito personagem tão estraga prazeres.
♡
Chegaram de volta ao hotel com muita dificuldade, já que Chaeyoung se prontificou em levá-las de volta para o hotel e não queria sair de perto de Sana.
A coreana voltou para seu cinema cabisbaixa, desejando que as mulheres voltassem o quanto antes e que não iria recusar em fechar todo o cinema para elas.
Antes de tomar banho, Tzuyu pediu comida e pediu para que Sana ficasse responsável por atender e pegar a comida, mas ela sabia que Sana não iria comer enquanto ela não saísse do banho.
Com as palavras certas, Tzuyu encontrou Sana jogada de qualquer jeito, dormindo estranhamente confortavel naquela posição questionadora.
Ela parecia exausta e em um sonho muito bom, mas Tzuyu teria que acorda-la, já que Sana precisava tomar banho e sempre passava mal se não jantasse á noite.
一 Sana, você tem que acordar. 一 Balançou levemente o braço da japonesa.
一Ah, Tzu, me deixa dormir. 一 Disse sonolenta e se virou para o outro lado, deixando uma Tzuyu petrificada e com os olhos arregalados.
Tzu. Um dos únicos apelidos que Tzuyu havia ganhado de Sana, e ela não escutava aquela voz doce dizendo tal palavra fazia semanas.
一 Mas você tem que comer alguma coisa. 一 Insistiu.
E não recebeu nenhuma resposta ou resmungo, mas parou um pouco para pensar que, Sana havia comido bastante pipoca no cinema, então não estava indo dormir sem comer nada.
Resolveu deixar a modelo dormir, mas antes tratou de retirar os saltos e todas as jóias visíveis no corpo da mulher com bastante calma e cuidado.
Sorriu levemente ao observar o rosto adormecido. Os lábios entreabertos e vermelhos naturalmente fizeram Tzuyu piscar e sair de seus pensamentos.
Ajeitou Sana na cama, verificando se a altura do travesseiro estava boa, pois a mulher tinha uma altura específica para ajeitar o travesseiro ou iria acordar com dores no pescoço.
Cobriu Sana e verificou o pequeno criado mudo, encontrando um lençol fino e que provavelmente não esquentava nada, mas seria o suficiente para si.
Recolheu um dos travesseiros e foi até o pequeno sofá que deixaria os pés de Tzuyu para fora e que parecia muito desconfortável.
Ela guardou toda a comida que chegou anteriormente na geladeira e algumas coisas no forno, para que durassem até amanhã, e retornou ao sofá coçando a cabeça, pensando qual posição seria mais vantajosa.
Seria difícil encontrar uma que deixasse seus pés para dentro. Droga, eu odeio ser alta. Pensou suspirando.
Como esperado, não conseguiu dormir quase nada. Uma hora acordava tremendo de frio, e na outra acordava com o corpo doendo por permanecer na mesma posição por muito tempo.
Foi horrível, mas ela iria fazer o possível para não deixar Sana desconfortável. Mesmo que isso signifique ter que dormir em um sofá que mal lhe cabia direito.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Inefável | Satzu.
RomanceSana acreditava que todos tinham almas gêmeas, mas nem todas estavam destinadas a ficar juntas. Aos 20 anos de idade conheceu uma linda e sedutora taiwanesa que roubou todo o seu fôlego e coração em instantes, mas como nem tudo é cor de rosa, seu re...
