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MALU

Sento no chão do quarto da Drica e passo chapinha no meu cabelo para dar uma alinhada. A maquiagem já está pronta, bem leve, estou vestida com um cropped branco por baixo de uma jaqueta curta jeans, um shorts também jeans da mesma lavagem e um cinto branco. Meu pescoço, orelhas, pulsos e dedos estão cheios de acessórios que, para mim, é o principal.

Desligo a chapinha e calço o tênis branco enquanto observo Drica tomar um banho de perfume, procuro o meu body splash na bolsa e borrifo em meu corpo também.

Ta pronta ainda não, mona? – Drica pergunta com a mão na cintura.

Tô, vambora?

Ela concorda tirando seu celular do carregador e mexendo nele enquanto eu tiro uma foto rápida na frente do seu espelho enorme.

Descemos para a quadra do baile, já eram onze da noite e estava bem cheio.

Vamo beber! – ela berra em meu ouvido.

– Não sumam e tomem cuidado, indo pro camarote. – TH avisa e nós concordamos.

Fomos na direção de uma barraca, Drica pede um copo de whiskey e eu peço uma caipirinha, pagamos e ficamos ali perto esperando as amigas da Drica.

– E AÍ! – uma garota dos cabelos cacheados chega gritando animada.

– Gente, essa é a Malu. – Drica me apresenta para as quatro meninas. – Cobra e Victoria já conhecem ela eu acho.

– Malu?! Quanto tempo, última vez que te vi era menorzona. – a mulher de boné para trás e roupa larga fala. Ela estava diferente e pelo jeito tinha entrado para o movimento pelo vulgo.

– Ah, me lembro de você. – dou um sorriso simpático e cumprimento todas as meninas.

A Cobra fala algo no ouvido da garota que acabei de conhecer — a Laura — e sai. Pelo jeito são um casal, um casal muito bonito.

Eu e as meninas formamos o trem para andar no meio do povo.

– SEGURA QUE QUEM TA PASSANDO É O TREM! – Drica fala em auto e bom som dando risada e eu fico envergonhada, as meninas pelo jeito estão acostumadas.

O DJ sobe no palco e fala no microfone, cumprimentando geral, logo começa a tocar as músicas de facção e as meninas começam a jogar lua. Elas me puxam para acompanhar elas e eu vou morrendo de vergonha. Quando eu ia nos bailes na Serra eu não jogava não, só entrava nos passin. tava ficando maluca de caipivodka então a vergonha rapidinho sumiu.

Cutuco a Drica e grito em seu ouvido para ela ouvir.

– Vamos no banheiro, amiga. – chamo com a voz começando a ficar enrolada.

– Agora não, agora que ta ficando bom. – ela fala manhosa.

– Por favorzin. – falei mais manhosa ainda.

O foda é esse, uma gota de álcool na boca e a Maria Luiza sai de mim para entrar a Maria Mijona.

– Ta bom. – ela chama todo mundo para não nos separarmos e vamos.

Só a Drica entra comigo na cabine e eu me agacho sem encostar no sanitário, quase perdendo o equilíbrio e segurando nas paredes do lado. Drica ri de mim.

Saímos e no caminho de volta chega um garoto parando a gente.

Coé? – pergunto encarando ele.

MALU Onde histórias criam vida. Descubra agora