JEAN
O carro parou em frente ao prédio onde eles estavam. Noah Moretti não se deu ao trabalho de trocar de endereço no Brasil. E, ainda que fizesse, ela tinha total certeza de que eu descobriria se fosse da minha vontade. Naquele momento, naqueles breves segundos em que aguardei em frente ao prédio, deliberando sobre como agir, eu me amaldiçoei, depois amaldiçoei o próprio Noah por não tê-la escondido de mim.
Há quase dois anos eu não via Giullia. Sabia tudo a seu respeito, no entanto, me impedi de vê-la. Contudo, a minha resiliência escorregou pelo ralo quando eles ousaram retornar ao Brasil. No avião, enquanto eu ainda estava distante deles, acreditei que o álcool me venceria, que eu adormeceria e acordaria mais consciente da besteira que fazia.
Não aconteceu.
Tê-la tão próximo injetou adrenalina nas minhas veias, me impediu de dormir, recuar, de compreender o tamanho da merda que eu fazia. Por isso, os minutos passavam sem que meu soldado dissesse uma palavra. Eu percebia a movimentação dos quatro homens que me seguiram no outro carro, aguardando uma ordem, uma palavra. E eu nada fazia.
Abri a porta e no mesmo segundo os cinco soldados fizeram o mesmo, o que dirigia o meu carro e os que faziam a minha segurança. Fiz um gesto com a mão para que se mantivessem no lugar. A rua tranquila não indicava perigo e, além disso, ninguém sabia que eu estava ali, nem o motivo para estar.
Acendi um cigarro, tirei o celular do bolso e fiz o que jamais acreditei que um dia faria: liguei para ela. Por um segundo desejei que ela tivesse bloqueado o meu número, ou que, se o reconhecesse, me ignorasse. Entretanto, Giullia precisou de apenas três toques e então sua voz invadiu meu ouvido, adentrou em meu corpo e me dominou.
— Jean? — ela sussurrou com a voz sonolenta e certo receio.
— Giullia — eu disse, a voz rouca, um medo que eu odiava sentir e que, eu sabia, ativava uma raiva em mim que não me fazia um ser seguro para ninguém.
— Aconteceu alguma coisa? — ela quis saber, a voz mais desperta.
— Eu estou aqui embaixo — avisei. — Não se preocupe, ninguém sabe. Eu só quero... — engoli com dificuldade e fechei os olhos. Porque eu sabia o que queria, mas não podia querer. — Ver o Matheus.
— São quatro horas da manhã — ela sussurrou, mas ao fundo eu ouvi a voz dele, do homem com quem ela escolheu viver.
— Não vou acordá-lo. Você tem a minha palavra.
— Suba — ela disse, determinada.
Noah protestou sem medo de que eu o escutasse. Ignorei a raiva. De nada adiantaria levar aquela situação no peito. Foi a minha escolha também. Eu tive a chance de matá-lo, de mantê-la comigo, de ter o menino sob a minha segurança. Mas escolhi não ser o que Joel era e eliminar de uma vez por todas o que meu próprio pai foi em outros tempos. Eu escolhi libertá-la e a manteria livre nem que custasse a minha própria vida.
— Fiquem aqui — avisei aos homens, logo após desligar o telefone sem esperar por mais nada.
— Senhor...
— Fiquem — rosnei.
Como esperado, os homens me obedeceram. Joguei o cigarro no chão e atravessei a rua. Assim que me aproximei da porta um segurança me recebeu. Eu tinha a certeza de que Noah não seria ingênuo ao ponto de voltar com a família para o Brasil sem que seguranças armados cuidassem deles.
Sem trocar uma palavra, atravessamos a recepção e entramos no elevador onde o segurança acionou a cobertura. Ele não me revistou, não fez exigências e eu não sabia se isso significava que Giullia confiava em mim ou se Noah confiava de verdade em seus homens. Porque se esta fosse a ideia, ele deveria ter se informado com a esposa quanto ao treinamento que os homens da família Kuhn tinham a partir dos sete anos.
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JEAN KUHN - A REDENÇÃO
RomanceNo livro Noah Moretti - O CEO que me protegeu os leitores conheceram o personagem Jean Kuhn. Agora terão a oportunidade de adentrar no perigoso, instigante, apaixonante e quente universo desse homem tão bruto quanto cheio de segredos. Vocês estão pr...
