JEAN
— Eu quero respostas, porra!
Gritei, no calabouço do palácio, construído de forma estratégica para intimidar nossos inimigos. Quem ali chegasse como refém, deveria ter como última prece a gratidão de ter o fundo do mar como sua última moradia. No momento, dois homens, em salas distintas, eram mantidos.
Um dos meus, o responsável pelo monitoramento da segurança no dia em que mataram Scarlett, e que, a duras penas, admitiu que transava com uma das minhas garotas, algo proibido por mim e que deveria ser seguido por todos, quando o sistema falhou.
Álvaro, com as mangas dobradas até o cotovelo e os punhos manchados pelo sangue do homem, se intrometia quando desejava. No geral, nossos homens cuidavam daquela parte e meu subchefe fazia as perguntas, entretanto, em situação especial, como a morte da minha exclusiva, em meu quarto, em uma noite onde nada poderia dar errado, nós extravasávamos.
— Eu já disse. Não havia como burlar o sistema — o cretino balbuciou, o rosto deformado. — Quem o fez contratou um especialista ou... era de dentro.
— De dentro todo mundo já tem esta certeza — eu disse e sinalizei para que Álvaro desse um pouco mais da nossa gentil recepção aos traidores.
Assisti, sem emoção, o homem ser espancado. Aos sete anos meu pai me iniciou na máfia. Perdi as contas de quantas mortes presenciei até que ele me desse de presente de quinze anos a minha primeira. Antes disso, tive todos os tipos de treinamento, desde etiqueta a lugares exatos onde perfurar o corpo humano para causar maior ou menor dor.
Meu pai, Dom Stefan Kuhn, não era um mafioso dos romances. Ele era o tipo legítimo, temível, do que fazia com que as pessoas temessem respirar errado ao seu lado. Ele não tinha piedade e às vezes, eu acreditava que sentia prazer no sofrimento. Isso explicava as constantes surras que eu recebia, e que ele justificava como parte da minha disciplina.
Joel, por anos foi meu herói. Ele me encorajava, lutava por mim, me ensinava para que eu não precisasse apanhar. Foi mais meu pai do que o próprio Stefan. Isso até nos tornarmos adultos, eu me destacar como seu subchefe no Brasil, o desejo do meu pai de me levar para a Alemanha para que eu me tornasse Capo por lá.
Depois disso, Joel mudou. Ou talvez a vida longe do domínio do nosso pai, com todo um país à sua disposição, o tenha mudado. No entanto, a real mudança aconteceu quando Giullia surgiu em nossas vidas. No Brasil, sem a necessidade de uma promessa de casamento para firmar uma união vantajosa para a família, Joel se perdeu. Enlouqueceu, eu poderia afirmar.
E, por causa disso, eu ainda acordava assustado com as lembranças. Não a do dia em que o matei. Quando dei o tiro Joel já estava morto para mim, mas quando ele preferiu me matar. Eu jamais seria capaz de esquecer.
— O desgraçado não sabe nada — Álvaro disparou quando o homem desmaiou outra vez. — O que quer que eu faça?
— O de sempre — afirmei. — E a outra sala?
Na noite em que eu desapareci para ver Giullia, e mataram Scarlett, houve outra intercorrência. Aquela ilha era o nosso paraíso. As mercadorias chegavam e saíam com facilidade, contribuindo para o processo de lavagem de dinheiro. Esperávamos uma carga importante, valiosa até demais. Não o trivial: armas e drogas, que eram o que no geral negociávamos com os governantes para o livre acesso. Aquela era a carga que negociaríamos com gente grande e a mesma se perdeu, desapareceu, sem que alguém conseguisse explicar o motivo.
Pois é, todas as desgraças do mundo se abateram sobre minha cabeça quando eu decidi que valeria a pena visitar uma mulher que nunca me amou e que vivia feliz ao lado do homem que escolheu.
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JEAN KUHN - A REDENÇÃO
RomanceNo livro Noah Moretti - O CEO que me protegeu os leitores conheceram o personagem Jean Kuhn. Agora terão a oportunidade de adentrar no perigoso, instigante, apaixonante e quente universo desse homem tão bruto quanto cheio de segredos. Vocês estão pr...
