JEAN
Foram as horas mais difíceis e angustiantes desde que deixei Giullia ir embora. Ninguém falou. Meus soldados conheciam meu estado. Eu bebia. Bebia muito. Do tipo que perdia a consciência e fazia bobagem. A prova disso era a arma na minha mão desde o momento em que entrei no avião.
E eu bebi tanto, mais do que acreditei suportar. Minha última lembrança foi conduzir a lancha de volta ao cais, sozinho, porque ameacei todos os que se atreveram a tentar me impedir, e apagar sem quase conseguir fazê-la atracar de forma correta. Dormi ali mesmo, no banco, com a arma em uma mão e a garrafa de uísque na outra. E só neste instante, em que entrei em coma alcoólico, que eu esqueci.
— Jean?
Minha cabeça doía e meu estômago embrulhava enquanto puxavam meu corpo para cima, ainda que ele teimasse a continuar no chão.
— Merda, cara! Não me obrigue a te levar para um hospital por causa de uma porra de uma bebedeira.
Reconheci a voz de Álvaro próximo a mim. Emburrado, me esforcei para me livrar das mãos dele ao me dar conta da situação. Eu, Jean Kuhn, o Rei das putas, o Capo, o homem mais respeitado daquela porra de ilha, estava no piso da lancha, de ressaca, após uma madrugada miserável.
— Tire as mãos de mim — rosnei, mas ele não me obedeceu, em especial quando tentei levantar e não consegui devido ao balanço do mar e de tudo o que havia dentro de mim. — Porra!
Debruçado na lateral da lancha, escorado para dizer a verdade, vomitei como um filme de terror. Minhas entranhas se revoltaram e decidiram me abandonar. Eu ficaria à própria sorte por abusar, mais uma vez, da bebida.
— Porra, Jean! — Álvaro reclamou baixinho. — Eu preciso te tirar daqui.
— Eu estou bem. Só preciso... — Outra vez vomitei, sem controle, como se meu corpo tivesse vontade própria. — De água — completei ao me dar conta de que a merda era maior do que eu imaginava.
— De água, de um banho e de toda a sua força de volta — meu subchefe reclamou. — Aconteceu uma merda, cara. — Ele mantinha a voz baixa, mas pelo tom, eu sabia que era algo que exigiria tudo de mim, e o que havia ali era apenas o meu resto. Como equilibrar aquela balança.
— O que aconteceu?
— Venha. Vou te levar para dentro.
Álvaro, e apenas ele, me apoiou em seus ombros e eu caminhei pelo cais e depois pela passarela de madeira que me levaria para dentro do castelo sem que olhares curiosos conferissem o meu estado. O sol naquela manhã brilhava como se quisesse me castigar. Se eu estivesse em um bom estado, acharia um lindo dia, mas a verdade era que eu estava com um gosto horrível na boca, com o estômago revirado, dor de cabeça e necessitando do amparo do meu subchefe até mesmo para andar.
Ou seja, um dia de merda!
Agradeci mentalmente quando entramos pelo corredor de pedra que nos levaria até a parte moderna do castelo. O local pouco iluminado facilitava meu raciocínio.
— O que aconteceu? — repeti, disposto a afundar meu estado e assumir o que meu posto exigia. — Alguma merda com a carga que receberíamos hoje?
— Antes fosse — ele resmungou. — Apenas se recomponha. Venha.
Entramos no quarto e logo me dei conta de que não era o meu e sim o destinado ao meu subchefe para os dias em que ele se hospedasse na ilha.
— Por que me trouxe para cá?
— Preciso de você sóbrio, tomado banho e em posse do seu equilíbrio mental. E preciso disso já.
— Que porra aconteceu, Álvaro?
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JEAN KUHN - A REDENÇÃO
RomanceNo livro Noah Moretti - O CEO que me protegeu os leitores conheceram o personagem Jean Kuhn. Agora terão a oportunidade de adentrar no perigoso, instigante, apaixonante e quente universo desse homem tão bruto quanto cheio de segredos. Vocês estão pr...
