Guk Saemi's point of view
—Saemi, tem um senhor aqui te chamando.— Ouvi Minho gritar da sala de estar.
—Certo.— Gritei em resposta.
Me levantei da cama de Minho e saí de seu quarto. Eu caminhei até a porta e dei de cara com um homem de trinta e poucos anos, seu rosto se iluminou no mesmo instante em que me viu, algo me dizia que aquilo era muito estranho —novamente, minha intuição nunca falha— mas tentei ignorar aqueles pensamentos intrusivos.
—Saemi!— Ele sorriu. —Meu Deus, você é tão bonita quanto eu imaginei que fosse.
—Er... Obrigada, eu acho.— Murmurei em resposta.
Ficamos alguns segundos em silêncio.
—Sabe quem eu sou?
Fiz que não com a cabeça.
—Eu imaginei.— Ele tirou um cartão do bolso e me entregou.
Tinha o nome Kim Jinyoung e algumas informações de contato, fiquei olhando para o cartão por algum tempo, não me lembrava de nenhum Kim Jinyoung. Coloquei o cartão no bolso da minha calça e direcionei meu olhar em direção a ele novamente.
—Nunca ouviu esse nome?
Fiz que não com a cabeça de novo.
—Sou eu, Saemi.— Jinyoung sorriu. —O seu pai.
Eu paralisei completamente, meu queixo caiu, nenhuma palavra ou som saiu da minha boca. Aquilo era estranho, eu não conseguia entender como aquele cara conseguiu sumir por quase dezessete anos e simplesmente aparecer assim, sem mais nem menos. Uma mistura de raiva e confusão me consumiu, ao mesmo tempo que eu não conseguia acreditar que ele estava de volta depois de fazer a minha mãe passar por tudo aquilo, eu também pensava no que poderia ter acontecido para ele me procurar.
—Saí daqui.— Murmurei.
—Perdão?
—Eu disse saí daqui.
—Saemi, eu preciso da sua ajuda, é...
—É sério, saí da minha frente.
—Tá bom, tá bom.— Jinyoung suspirou pesado. —Mas se mudar de ideia pode me ligar.
—Saí da minha frente agora!— Falei irritada, só percebi que tinha falado alto demais quando notei Minho me encarando com os olhos arregalados.
Eventualmente, Jinyoung foi embora, eu ainda sentia aquela tensão esquisita consumir meu corpo. Me virei em direção a Minho, ele parecia estar preocupado enquanto deixava o pequeno Soonie no chão.
—Quem era? Alguém que você conhecia?
—Ele era...— Eu engoli seco. —O Meu pai.
O rosto dele ficou horrorizado, ele apenas se levantou e foi até mim. Antes que qualquer um de nós pudesse dizer qualquer coisa, ele me deu um abraço, mas um daqueles abraços reconfortantes que só ele podia me dar, deitei minha cabeça em seu peito enquanto ele acareciava meus cabelos, senti algumas lágrimas se formarem nos meus olhos. Eu esperava nunca conhecer meu pai na vida, mas vê-lo pessoalmente só me fez ficar com mais raiva ainda dele.
—Por que esse cara teve que vir logo agora?— Ouvi Minho murmurar durante o abraço. —Saemi, eu sei que você não tá tendo um tempo bom esses últimos dias, mas eu prometo que vai tudo melhorar, a gente vai dar um jeito e vai ficar tudo bem, ok?
Fiz que sim com a cabeça enquanto sentia lágrimas escorrerem pelos meus olhos. O Lee desfez o abraço, colocou as duas mãos sobre meus ombros, ele olhou diretamente para o meu rosto, como se estivesse me examinando, então, suas mãos se moveram para as minhas bochechas e ele começou a secar as minhas lágrimas com os polegares.
—Calma, não chora.— Ele sussurrou em um tom reconfortante, senti meu coração derreter.
Sequei minhas lágrimas e me forcei um sorriso.
—Eu não vou mais chorar, eu prometo.
(...)
Apesar de toda a loucura que tinha sido a última semana, tive que voltar para a escola na segunda-feira, eu caminhava pelos corredores sentindo alguns olhares e ouvindo alguns sussurros. Eu sabia que estavam falando de mim e de toda aquela fofoca sobre eu ter beijado o namorado da minha amiga, suspirei, eu estava me segurando para não chorar de novo quando senti alguém segurando minha cintura.
—Tá tudo bem, a gente já deu um jeito de resolver isso.— Minho sussurrou no meu ouvido em um tom reconfortante.
Fiz que sim com a cabeça e ele sorriu para mim. Meu coração acelerou, senti minha respiração ficar mais curta e meu rosto ficar levemente vermelho, eu sorri de volta para ele e notei seu sorriso ficar maior enquanto ele baixava a cabeça levemente, nós estávamos muito perto um do outro, era como se só fôssemos nós dois naquele corredor, como se todos aqueles que estavam olhando para mim não existissem mais, era como se eu tivesse entrado em um transe.
Esse momento foi interrompido por uma certa movimentação das pessoas no corredor, os sussurros ficaram mais altos e eu olhei para trás para ter certeza do que estava acontecendo, vi Kaeun correr até nós enquanto Minho tirava a mão da minha cintura. A Yoo agarrou meu braço assim que parou na minha frente e me encarou com um olhar sério.
—Eu preciso que você venha aqui comigo.— Ela disse antes de olhar para Minho. —E você vem com a gente também.
—Sim senhora.— Ele disse enquanto mantinha um sorriso de canto.
Kaeun começou a me puxar pelos corredores da escola e Minho nos seguiu. Andamos por alguns segundos até que ela parou na frente do mesmo quadro de avisos que tinham colocado as fotos do Hyunjin me beijando, mas dessa vez, o mural estava cheio de prints impressos de todas as conversas que provavam que ele me assediou além de um relato escrito de alguém —que deduzi ser Minho— contando sobre tudo o que aconteceu. As pessoas olhavam chocadas e conversavam entre si, meu queixo caiu, agora as pessoas estavam todas do meu lado, eu queria falar algo —talvez agradecer Kaeun e Minho por terem me ajudado— mas não consegui dizer nada.
—Sae!— Ouvi Boram gritar de longe antes que ela me desse um abraço apertado. —Meu Deus, Sae! Me desculpa, foi tudo culpa minha.
—Tudo bem.— Eu a abracei de volta. —Não foi culpa sua, eu devia ter te contado antes sobre tudo isso.
—Ah, vocês duas!— Kaeun se juntou ao abraço.
Ficamos mais um tempo assim, até que a Choi decidiu se separar do abraço, foi quando eu notei Hyunjin nos observando de longe. Boram se virou na direção dele, não pude ver sua expressão, mas vi que ela fechou os punhos com força e começou a caminhar até ele com passos pesados e rápidos.
—Você!— Ela deu um tapa no rosto dele. —Seu filho da puta, eu nunca mais quero ver você na minha vida!—Boram praticamente gritou na cara dele.
Sim, ele com certeza mereceu esse tapa e aquela situação toda fez um sorriso vitorioso surgir nos meus lábios, eu sabia que aquele babaca nunca mais ia me incomodar novamente.
—Cacete, ele mereceu.— Minho disse enquanto ficava ao meu lado.
—Pois é.— Acenei com a cabeça.
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The Jerk Next Door
Fiksi Penggemar(Capa por ZelosNation_) Já imaginou ver uma pessoa que você odiava quando criança se mudar para o apartamento ao lado? Foi exatamente isso que aconteceu com Guk Saemi, uma garota de dezeseis anos como qualquer outra que acaba se surpreendendo ao des...
