Coração.

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Beatrice pede sua ajuda no pomar e para fazer as velas, depois ele arranca as ervas daninhas da horta e então enche seus dois frascos de Isten Lényege. Nesta noite janta espaguete com almôndegas e suco de pêssego. Preparando seu cinto e chapéu de esporos, sai logo após Beatrice voltar ao seu quarto.

- "Por trás da parede de ametistas,
Kinyit." - repete durante todo o percurso, se recusando a esquecer.

Entrando na pequena passagem por trás das trepadeiras, adentra aquele lugar que está mais escuro que a última vez, dificultando sua visão.

- Fény. - diz ao unir os dedos, criando uma esfera de luz branca.

O garoto nota que as tiras do líquido das larvas brilhantes quase não estão presentes, indicando que a bruxa recolheu em maior quantidade dessa vez. Se aprofunda no local, alcançando a região de cristais cintilantes.

- "Por trás da parede de ametistas"... - procura pelas pedras por todas as divisões de caminhos, até que encontra uma pequena ametista no chão, mais outra logo a frente e mais outra. De repente percebe uma trilha de ametistas de diferentes tamanhos. Devido ao brilho, não é mais necessário utilizar o feitiço, então desencosta os dedos causando o desaparecer da esfera de luz.

Os cristais começam a aparecer em maiores quantidades, atrapalhando sua caminhada. Quando fica quase impossível andar sem pisar nas doloridas pedrinhas, vira a esquerda e se depara com uma parede completamente cheia delas.

- Que bonito! - exclama admirado. - Espero que por dentro seja tão bonito quanto por fora... eu tô cansado de descobrir mais segredos sombrios. - encosta em um espaço vazio do tamanho de uma mão entre os brilhos, sentindo a parede fria e úmida da caverna. O arrepio de poder se espalha por toda sua mão - Kinyit!

Com um ranger abafado, uma porta que estava escondida sob o brilho, se abre com o peso da mão do garoto. Entra com cautela naquele ambiente escuro, tendo somente uma pequena vela acesa no fim da sala. Seu fogo balança com o ar que entrou, fazendo a chama tremer e mudar de coloração para um lilás.

- Fény. - reativa seu feitiço e torna sua atenção para a sala, agora enxergando o que ela possui: duas mesas nas laterais, recheadas de ferramentas sujas de sangue; uma cadeira no centro com algo similar a cintos no apoio dos braços; um balde no canto da sala velho e sujo. - Deus... mais segredos sombrios... - se aproxima da mesa da esquerda observando alicates, serras, facas de diferentes formatos e pedaços de pano rasgados. - O sangue é seco e escuro, deve ser velho. - vai até a outra lateral, vendo três papéis espalhados pela mesa, recheados de informações sobre anatomia humana, passo a passo de como cortar as juntas, pontos específicos onde dor intensa é causada sem matar. - Uma sala de... tortura. - conclui ao mexer nas folhas, quando se depara com mais uma que deixou passar despercebida.

Carvalho e Bétula são necessários. Árvore podre é inútil. Trouxe dor para ela e para mim.
Ela deve morrer antes que contamine as outras. Purificação, salvação e perdição. Poder é somente para os mais fortes. Continuem vivos, são brinquedos valiosos.

Carvalho é a árvore mais forte, o rei de toda a floresta. Poderoso, inabalável, nem mesmo a mais severa das tempestades pode acabar com seu reinado. Animais, plantas, raízes e fungos se curvam diante de seu rei.

Bétula é a árvore de purificação, deve ser aproveitada ao máximo. Seu destino é se curvar perante as vontades do Carvalho, não importando seus desejos, ela deve realizá-los por bem ou por mal.

O Salgueiro é a mais poderosa fonte de Magia da Lua. O Carvalho que domina um Salgueiro, domina quem vive e morre na floresta. Além disso, é possível controlar os céus, definindo o clima e a hora. Através de um Salgueiro, mudanças extremas podem ser feitas na floresta. Quanto maior a árvore, maior será seu alcance, e no fim dele seus poderes sobre qualquer outra região se não aquela, não existem.

Saliem 1825Onde histórias criam vida. Descubra agora