Ao entrar na portinha feita com a madeira do próprio salgueiro, sente como se tivesse cruzado para outro mundo, onde tudo é sombrio. Prateleiras com pequenos potes de vidros vazios, pedras cinzentas, plantas mortas em vasos pendurados no teto, restos de vela com um pequeno talo saindo de cada uma, mesa no centro da sala suja de sangue, tudo coberto por pó. O garoto sente cheiro de mofo e de frutas podres.
"Acho que esse é o cheiro que a morte teria." - pensa e logo pega um paninho que Akiro antes lhe deu para cobrir seu nariz.
Noah sente um aperto no peito, uma ansiedade repentina e esmagadora. Ele sente a dor que esse lugar carrega, dor de vidas que talvez tenham sido tiradas bem aqui, e ainda atormentam esse velho salgueiro.
- ela voltouuuu!! - um sussurro medroso diz.
- quem é ele? - sussurra o curioso.
- ele é feio. - o outro resmunga baixinho.
- cheiro de puuro!! - a medrosa sopra seu pescoço.
O grisalho se prepara para correr de medo.
- Não precisa ter medo Noah, são só sussurros! Eles são burrinhos!! - diz a bruxa em sua forma adolescente.
- eu sou inteligente. - retruca o mais sério
- eu...eu tenho medo... - murmura de forma que apenas alguém como o Noah, que tem uma boa audição, conseguisse ouvir.
- por que seu cabelo é grisalho? - sussurra o curioso.
- eu não gosto de nenhum de vocês. - o mais marrento mussita.
- Venha, me ajude com essa bagunça. Eu vou tornar esse lugar melhor para você.
- Certo...
- ele é intocado. - o inteligente conclui.
- ele é um demônio?
- haha! um distorcido!!
- não seja rude.
- eu sou rude!
- se fosse um d-demônio não seria um... r-rebaixado?...distorcidos são apenas meleca!
- não sejam burros! não enxergam que ele não parece um demônio?!
- mas é compatível com um.
- eu nao gosto disso...melhor nos escondermos ou ele vai nos usar que nem a gula...
- ele é perigoso?
- O que vocês querem dizer com isso? Por que eu não os vejo? - os procura no teto, debaixo da mesa, mas nada.
- ele é burrinho! demônios não são burrinhos!
- Noah, pode pegar um pouco das folhas do Salgueiro e duas pedras de fogueira, por favor?
- Sim... - ele sai sem dar as costas à bruxa, que analisa seu arredor pensando em meios de agilizar a limpeza.
Sair daquele ambiente e admirar aquela vista renova as energias do grisalho e o ajuda a processar melhor o que está acontecendo.
As folhas de um salgueiro crescem finas e retas para baixo, como cabelo. O garoto arranca um punhado, pega as pedras certas da grama e leva até a Beatrice, que está com todos os pequenos potes de vidro das prateleiras em cima da mesa, que se encontra sem sangue agora.
- Obrigada Noah. - ela põe dentro de um dos potes e batendo uma pedra na outra gera uma faísca, que queimam as folhas - Ahh...que saudades eu estava desse cheiro... - pega as cinzas de dentro, as esfrega nas pontas de seus dedos escuros, se camuflando - A lustaság sóhaja. - acaricia o ar e de repente uma leve corrente de ar leva todo o pó embora - Lusta helyreállítás. - a casa range e assim toda a madeira está boa novamente, o cheiro de mofo some.
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Saliem 1825
Gizem / GerilimNoah é um garoto de 16 anos que mora na cidade Alma, em Quebec (Canadá). Em suas férias, sua mãe decidiu colocá-lo em um acampamento que parecia comum aos seus olhos, mas aos de Noah, se tornou seu pior pesadelo. Algo começa a chamá-lo naquela flor...
