Octavia
— Por que você está saindo essa hora? — Fala rígido — Eu não deixei você passear pelas ruas.
Congelo. Meus sangue dispara cada vez mais rápido. Preciso sair dessa situação imediatamente. Penso em desconversar, mentir.
Não, isso é impossível.— Você só me da trabalho.
A abertura da porta é muito provocativa, mais pra frente o carro que Levi usa está aberto enquanto ele fala no telefone.
Corro, escuto ele atrás de mim por alguns metros. Praticamente pulo dento do carro. Fecho a porta e tranco, dou a ré e quase atropelo o motorista.
Piso no acelerador até o portão de entrada, os seguranças estão já atentos, mas não são de ferro para ficar na frente de um carro à cem quilômetros por hora.
O portão é aberto com força pelo capô e sigo correndo pelas ruas de Moscou. Dirigir foi uma prática que tive na minha iniciação em segredo com Alexei.Pedestres correm em direção contrária após eu buzinar, hoje eles não tem preferência.
Uma moto aparece na minha visão. Andrei.— Merda!
Coloco na marcha máxima, tento escapar dele nessa perseguição.
Viro com pressa em uma rua estreita e longa com pouca luz.
Chego em uma estrada, fico triste em ver sua moto ainda atrás de mim.
A estrada ao lado direito tem um grande bosque, viro o volante e entro pelas árvorez altas e finas.
Finalmente não aparece mais a moto atrás de mim, e isso não é totalmente um bom sinal.
Procuro por alguma arma ou algo que eu possa usar como tal, achei dentro do porta luvas um revólver 9mm.Abro a porta e saio com cautela, levanto a arma na altura da minha cabeça, fecho a porta e viro o rosto procurando Andrei.
Andrei
Meus. Demônio. Estão. Soltos.
OctaviaNada. Aonde ele está é uma boa pergunta. Cada minuto nesse lugar fico mais nervosa, cada segundo sinto o perigo ao meu redor, mas nesse jogo perigoso sou eu quem controla as peças.
— Apareça! Agora! — grito.
Fico parada, quieta, esperando uma resposta. A única coisa que recebi foram barulhos de folhas secas sendo pisoteadas. Viro rapidamente na direção do ruído o mais rápido, aponto a arma na altura de seu peito, que estava à oitenta metros de distância.
Sua mão estava vazia, agora, eu tenho a vantagem. De repente, sou empurrada para frente e caio no chão com força. Não entendo o quê aconteceu agora. Talvez eu esteja delirando.
Deve pesar noventa quilos seu corpo, contando pela sua altura e seus músculos de atleta. Ele puxa a arma da minha mão mais tempo que percebo a rapidez. Consigo sentir seu perfume masculino viciante pela nossa aproximação.
— Te peguei — diz, levantando a arma até encostar na minha testa. — Agora, vou te levar pra conhecer onde os traidores vivem.
— Nem fodendo!
Chuto sua mão e me levanto para dar uma joelhada no seu nariz. A arma cai no chão, pego-a e não hesito em dar um tiro, bem dado no joelho esquerdo. Ele grita, corro para o carro o mais rápido possível. Preciso sair daqui. Pegar minhas coisas e fugir. Meu Deus, aonde eu fui parar.
Eu não consigo nem abrir a porta, sou puxada pelo cabelo e, logo seu braço entrelaça meu pescoço, arfo enquanto aperta cada vez mais.
— Isso passou dos limites — diz com sua voz rouca — Estou cansado hoje, porra, colabora.
Quero fugir, chorar, gritar. Eu queria ser normal, ter uma vida aonde minha maior preocupação era passar em uma boa faculdade.
— Me deixa fugir! — sinto as bochechas ficarem úmidas pelas minhas lágrimas — Você fala que me matou e eu saio da Rússia. Por favor, eu odeio ficar nessa vida, nessa casa... Tudo isso.
Abro meu coração, falo, desabo em sentimentos e vontades obscuras. Ele solta meu cabelo, viro para seu rosto, sério, Andrei parecia pouco se importar. Seu olhar é invasivo, intimidador. Ele quer me engolir e não se importa se eu quero ou não isso.
Suas mãos tocam o meu corpo todo enquanto escorrega para baixo até minha bunda. Sou puxada para cima, para seu colo.
— Foda-se, linda.
Ele ataca meu corpo, mas, não com uma arma ou faca e sim com algo muito mais forte e intenso, um beijo. É aquele beijo de novela para mais de catorze anos. Sua boca me devora, sua língua me leva para outra dimensão. Puxo seu corpo até ficar colado no meu como um instinto involuntário.
Passo meu braço pela sua costa e arranho sua nuca.Me deixo se entregar, permitir que isso aconteça. Algo se desperta dentro de mim, sim, é aquela emoção apocalíptica.
Nos separamos quando a necessidade de respirar foi maior da vontade de nos sentir. A vergonha cai agora, Deus, e se ele se arrepender disso? Eu deveria gostar de beijá-lo? Isso parece errado pelas minhas atitudes no futuro.
Nem respiro direito e já estou deitada em seus braços da mesma forma que ele me carregou no dia da minha festa.
— Andrei, eu te dei um tiro, você não precisa fazer isso... Me deixa ficar no chão.
— Como eu posso confiar em você?
Começo a falar mas na mesma hora paro, fizemos um selo de confiança e quebrei. Ele tem razão, como ele pode confiar em mim?
— Você tem razão, isso passou dos limites. Quer saber? Foda-se, vou falar tudo!
Fico sentada ao seu lado do banco do motorista. Ponho o cinto, olho pela janela o lado de fora passar numa forma rápida.
Vou falar as coisas que escondo dentro de mim e, talvez ele como eu não esteja preparado pra isso.
Andrei saberá sobre tudo, meu pai, minha infância, minha vida.— Ótimo, você vai dizer tudo quando chegarmos em casa.
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𝐒𝐂𝐎𝐑𝐏𝐈𝐎 & 𝐒𝐏𝐈𝐃𝐄𝐑
Romance↯ 𝚛𝚎𝚜𝚞𝚖𝚘 Octavia é uma jovem destemida envolvida em um mundo perigoso de intrigas e segredos, liderando uma poderosa família criminosa. Seu coração é dominado por uma paixão intensa e proibida por Andrei, um igualmente habilidoso mafioso de u...