Nossa despedida

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O que a Marina estava fazendo na escola ontem? Faz dias que eu não vejo a Mia, minha mãe está preocupada porque vai na casa dela todos os dias e nunca tem ninguém lá.

Tem alguma coisa acontecendo e talvez eu precise renunciar meu orgulho e investigar sobre isso.

— Vi a Marina na escola ontem.

— Mia estava com ela?

— Não... ela não está indo na escola, não a vejo tem mais de uma semana.

— Eu disse que tinha algo errado Oliver, estou mandando mensagens e ligando, indo na casa dela mas eu nunca encontro ninguém é como se a Mia tivesse desaparecido.

— Talvez seja vergonha pelo que fez.

— Eu não acredito que ela tenha traido você, sabe disso. Ainda acho suspeito sua "amizade" com a tal Sophia.

Isso era outra história, Sophia e eu temos nos aproximado muito depois que transamos, ela não toca mais no assunto mas parece estar bem com isso.

Não vou mentir, tenho considerado começar alguma coisa com ela sério desta vez. Quando estou com a Sophia é o único momento em que não penso na Mia, eu não gosto dela, apenas sinto uma atração física mas não tenho sentimentos.

— Mãe porfavor não fala mal da Sophia ela tem me ajudado muito.

— Ah claro, eu vi como ela te ajudou.

— honestamente eu não entendo qual é o problema pra você mãe... quando eu estava com a Mia você apoiava, me dava conselhos e até me deu camisinha. Porque não pode ser igual com a Sophia?

— Quer mesmo uma lista de motivos? Não acha estranho o fato de que ela era amiga da Mia e não esperou nem um dia depois do término pra se jogar na sua cama? Também não acha estranho ela ter dito que viu fitas e mais fitas da Mia com o Trevor e nunca te mostrou nenhuma? Você está sendo ingênuo meu filho.

— E eu acho que você só está com raiva porque idealizou que seria a Mia a minha vida toda, mas eu não posso viver sobre suas expectativas mãe.

— Nem sobre as suas pelo visto. Eu tenho 40 anos Oliver, já vivi bastante pra ver onde você está errando e me magoa muito você não me dar ouvidos porque eu sei que você vai sofrer.

A campainha tocou e eu já sabia que era Sophia minha mãe bufou irritada porque também sabia que era ela.

— Eu vou cuidar do meu jardim, não quero fazer sala pra sua companhia.

Ela passou indo abrir a porta e eu a segui, Sophia olhou pra nós dois e parecia assustada, minha mãe ia passar por ela mas Sophia entrou na sua frente a impedindo.

— O que está fazendo?

— Quando eu estava vindo pra cá eu vi uma movimentação estranha na casa da Mia, eu sei que a senhora não gosta de mim mas como estava preocupada com ela achei que eu deveria contar.

Minha mãe me encarou e eu pude ver a esperança nos olhos dela, no mesmo instante ela saiu de casa indo até o outro quarteirão e eu me obriguei a segui-la assim como a Sophia.

Quando chegamos na esquina da casa da Mia vimos um caminhão de mudanças e uns homens carregando as coisas. Logo Marina apareceu falando com um dos homens e minha mãe se apressou em ir até ela e eu fui atrás.

— Marina, o que está acontecendo?.- minha mãe perguntou a ela e a mesma parecia nervosa em responder.

— Mia e eu decidimos nos mudar definitivamente pra Toronto.

— O que?! Antes da faculdade, porque?

— Ela quer ir se acostumando com a cidade... sabe, depois do que houve ela não se sente mais confortável aqui.

Marina olhou pra mim como se a culpa da traição fosse minha, será que ela sabe que foi tudo culpa da filha dela? Mia se sente desconfortável por ter me traido?

— Ela não.. não me disse nada nem...nem ia se despedir?

— Ela achou que você estava chateada com ela..

— Claro que não.. Mia é como minha filha Marina sabe disso.

— Eu sei e agradeço muito por ter cuidado da minha filha todos esses anos.. bom precisamos ir, espero que fique bem Vivian.

— Onde está a Mia?

No mesmo instante ela apareceu na porta, meu coração disparou ao vê-la porque era a primeira vez que a via depois do que aconteceu. Ela estava tão diferente, quase irreconhecível. Parecia estar mais gordinha não era muito mas estava diferente com certeza, mas também está pálida e abatida como se não tomasse sol a dias...

Mesmo com sua aparência tão diferente eu não pude deixar de sentir da mesma forma como eu sempre a senti, meu coração estava apertado porque ela ia embora, Mia ia me deixar e provavelmente eu nunca mais a veria.

Meus olhos estavam cheios de lágrimas eu queria tanto abraçá-la e tocá-la mas minha raiva voltou quando vi Trevor logo atrás, ele estava segurando sua cintura e olhou pra mim com um ar de superioridade, eles ainda estavam juntos?!

— Mia querida, dona Vivian veio se despedir de você..

Ela olhou pra Marina parecendo confusa e depois olhou pra minha mãe que já chorava..

— Não ia se despedir de mim querida?

—... me desculpe eu... foi tudo muito rápido..

Minha mãe a abraçou e Mia ainda parecia estranha e demorou um pouco até corresponder o abraço mas quando fez isso apenas fechou os olhos. Uma lágrima escorreu pelo rosto dela como se estivesse sentindo uma dor.

Minha mãe se afastou dela secando seu rosto com os dedos e dando um beijo na sua testa, Mia a olhava parecendo admirada.

— Gosto de você...- Mia disse quase em um sussurro.

— Eu também meu amor... não sei exatamente o que houve mas você vai ser sempre como uma filha pra mim, disso eu não tenho dúvidas..

— Obrigada...

Mia finalmente olhou pra mim e quando me encarou franziu o cenho parecendo que não me conhecia. Mesmo assim ela apenas ignorou que eu estava ali e não se despediu de mim...

— Amor já está tarde...- "amor" foi como ele a chamou e tanto eu como minha mãe fizemos a mesma expressão de nojo.— Vamos perder o avião.

— Porfavor olha no caminhão e vê se está tudo certo..

— Tudo bem..

Ele a deu um beijo e depois saiu dali, meu estômago estava revirado ela nem ao menos hesitou em beijar ele na minha frente.

— Mantenha contato querida, vou te ligar todos os dias..

— Claro eu... vou esperar suas.. ligações..

— Mia querida está na hora, entre no carro porfavor. Vivian até algum dia e obrigada por tudo.

Mia deu um beijo no rosto da minha mãe com um sorriso leve e delicado, olhou pra mim encarando meus olhos e naquele momento eu não consegui segurar a lágrima que escorreu pelo meu rosto. Mia pareceu confusa por eu estar chorando e parecia estar tomando coragem para fazer algo.

Sem que eu esperasse ela tomou um impulso me dando um beijo no rosto e eu não me segurei em abraçá-la forte. Era uma maldita despedida eu não me importava se estava chateado com ela ou não, foram malditos 15 anos eu precisava desse abraço, não conseguia parar de chorar como um idiota.

Seu cheiro estava por toda parte e ela me agarrava tão forte quanto eu.

— Não acredite que está tudo bem, não vou sentir saudade.

Ela se afastou de mim e ainda parecendo confusa segurou meu rosto e sorriu encarando meus olhos e dizendo..

— Acredito nos seus olhos laranjas...

Ela se afastou depressa e me olhando uma última vez seguiu para o carro, não tinha a perdoado pelo que fez mas eu precisava me despedir, sinto que tem algo errado mas não tem nada que eu possa fazer porque chegou nosso fim...

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