Missão, trégua e aproximação

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  O cheiro de mofo foi a primeira coisa que ela conseguiu identificar. Fora isso, ela ouviu em algum lugar o som de uma goteira ou um cano vazando, mas o gotejar era muito característico. Ela franziu o cenho, sentindo os fios de cabelo em seu rosto, sua cabeça doía, seu corpo estava pesado, e ela se sentia fraca e enjoada. Finalmente abriu os olhos, mas o ambiente era escuro, chão de cimento puro, e paredes mal rebocadas, uma porta de madeira na frente e mais nada, nenhuma janela. 

  Ela mexeu os punhos, só para descobrir que estava presa. Olhando para baixo, reconheceu as correntes de chakra, seus tornozelos estavam da mesma forma. “O que aconteceu… eu… não me lembro.” Ela fechou os olhos mais uma vez, tentando mandar embora ou aliviar a tontura com chakra curativo, mas de nada adiantou. Se concentrou em se autodiagnosticar. Havia sem dúvida nenhuma alguma substância entorpecente em seu corpo, ela tentou forçar seu chakra a eliminar aquela toxina, mas ele estava muito baixo. “As correntes… estão drenando meu chakra.” Ela se concentrou em ouvir ao redor, mas estava tudo silencioso demais. Fez um esforço tentando ativar seu selo Byakugou, mas não conseguiu. “Droga! Como vou enviar uma mensagem a Konoha, se nem consigo acessar meu chakra direito.” Mensagem, ela pensou, quando foi exatamente que ela foi capturada?

  Ela lembrou de sair de Suna escoltada por Kankuro e mais dois shinobis da Areia. Depois na fronteira do país do vento, eles pararam em uma casa de chá, onde fizeram uma breve pausa, antes de se despedirem. Depois disso, tudo parecia um borrão, a estrada, uma vertigem, se escorou em uma árvore, sentiu enjôo, ouviu passos, forçou o corpo a eliminar a toxina em vão, e caiu ao chão, antes de apagar, viu um par de botas se aproximando dela. “Alguém na casa de chá… Droga!” Já estavam esperando por ela.

  Ela olhou em volta mais uma vez, mas seu corpo estava cansado, e ela sabia que provavelmente poderia cair na inconsciência de novo. Precisava de um plano, precisava ao menos descobrir quem e porque a capturaram. Mordeu o lábio, pensativa, era uma escolha arriscada, mas no momento era sua única opção. Então tomando fôlego, gritou com todas as forças.

  — HEEEY!! SEUS IMBECIS! ME TIREM DAQUI! Ela aguardou, sabia que tinham ouvido. Depois de alguns segundos, a porta foi aberta, e um Shinobi vestido de preto, e com o rosto coberto por uma máscara surgiu, ela sabia que era um homem, ele era alto e forte, os olhos, a única coisa visível, eram cor de mel, e usava uma bandana riscada da névoa. Sakura estreitou os olhos, ela podia ver mais três shinobis na porta, todos vestidos da mesma forma, com bandanas riscadas, ela conseguiu identificar dois deles com o símbolo de Suna, e o terceiro com o da pedra. “Humm… eles devem ser o grupo de nukenins que andam aterrorizando as aldeias nos últimos meses. O que eles querem comigo?”

  — Vejam só, nossa princesa acordou. A forma como a voz do homem soava maliciosa e melódica, embrulhou o estômago dela na hora. — Você grita bem alto, mesmo com o chakra quase todo drenado. Adoraria fazer você gritar de outra forma. Sakura estreitou os olhos ainda mais.

  — Para um covarde você fala demais! Precisam me manter presa nessas correntes porque não conseguiriam me vencer em uma luta. Me tire essas correntes e eu mostro a você quem vai gritar aqui! Ela disse entre os dentes. O Shinobi riu zombeteiro, se aproximou dela, agarrando seu rosto e o erguendo, chegando bem perto. Ela sentiu o cheiro repugnante de suor rançoso misturado com sake. O homem passou o polegar por sua boca, fazendo com ela tentasse se afastar com repulsa. Mas ele segurou seu lábio, forçando o dedo para dentro de sua boca, Sakura em choque e raiva, mordeu com toda a força e virou rapidamente a cabeça, causando um estalo alto, arrancando um grito do homem.

  Enquanto ele olhava horrorizado para o dedo quebrado em um ângulo estranho, Sakura cuspiu o pouco de sangue que ficou em sua boca.

  — Nunca mais ponha suas mãos imundas em mim, escória! O shinobi rosnou enfurecido e desferiu um soco forte no rosto dela, fazendo com que seu lábio fosse cortado e depois mais um, que a desmaiou, afinal ela ainda estava sob efeito da substância não identificada. Ele iria desferir um terceiro golpe na mulher desfalecida, mas uma voz grave e cortante ecoou no ambiente.

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