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Jisung fechou a sua mochila após recolher todos os seus pertences, que não eram muitos. Ele foi até onde Haru estava adormecido como um anjo e alisou a bochecha gorducha com um dos dedos.

— Durma bem, garotão — murmurou amorosamente, tendo um bloqueio o impedindo de ir embora.

Mas ele não queria ficar ali. Sinceramente, já fazia algum tempo que não se sentia confortável na presença de Minho, que sequer fazia questão de estabelecer contato visual sem necessidade.

Naquele dia em especial, Minho lhe pediu para cuidar de Haru enquanto ia para o escritório. Era a oportunidade que Jisung estava esperando para ver o bebê sem que ele tivesse que solicitar formalmente, já que Minho era incapaz de viver fora dos quadrantes do campo jurídico.

Parecia que sua existência era baseada em um código de conduta.

Jisung apenas o cumprimentou quando chegou em frente ao sobrado majestoso o qual lhe deixou embasbacado e sem jeito. Quando foi até lá na primeira vez, era noite e ele estava tão nervoso e deprimido que sequer se atentou aos detalhes da construção que ficava em meio a arborização densa de uma reserva. Era tranquilo, calmo e discreto. Minho tinha a sorte grande por poder viver rodeado pelo canto dos pássaros e o aroma suave das flores.

O ambiente era arejado e iluminado pelas luzes naturais que adentravam através das paredes de vidro que eram vestidas somente com os tecidos das cortinas. O único cômodo que Minho o instruiu para não adentrar era o seu escritório. Ele sinalizou que havia uma funcionária responsável pela limpeza na casa que logo iria embora para lhe dar privacidade.

Minho tinha funcionários! Isso era tão surreal.

Jisung não queria demonstrar o quão maravilhado estava, afinal, ele já esperava que o outro fosse muito rico e tivesse pessoas para fazer pra ele o que ele não queria. Além do mais, Minho não tinha tempo livre, então era normal que precisasse de ajuda.

Passou um tempo com a moça que fazia a limpeza semanalmente e ela elogiou Minho, alegando que sequer tinha muito para lhe ocupar naquela casa porque o dono tratava de manter tudo limpo e organizado. Ele era educado e, com um pouco de insistência, descobriu que ele pagava bem, seguindo todas as leis trabalhistas vigentes.

Conviver com Haru não era difícil. Ele era um bebê como qualquer outro que chorava quando estava com fome, sede ou cólica. Gostava de brincar com o pequeno e ter a companhia dele; ele era tão adorável que Jisung se sentia remexido por dentro. Queria levá-lo consigo, mas sabia que o melhor para ele era permanecer com o advogado temporariamente.

— Dami estava reclamando que sente sua falta. Ela acha que você é mais bebê do que ela — Jisung disse para Haru, velando o seu sono. — Quando for possível, prometo que vocês vão se ver de novo.

No canto da porta, Minho observava a interação com o seu coração partido. Ele conseguia farejar de longe os sentimentos fraternos de Jisung pela criança a qual criou uma conexão tão forte quanto um umbigo umbilical. Seu desejo em ficar com a criança era notável, assim como o seu amor.

Não tinha certeza de quanto tempo passou com Jisung, mas foi o suficiente para atestar que foi criado um vínculo que estava custando muito para Jisung quebrar.

Minho se espantou quando foi flagrado bisbilhotando, movimentando a cabeça para os lados para disfarçar, fingir que havia acabado de aparecer e não que estava assistindo a cena agradável se desenrolar a sua frente. Ele se sentia mal por estar separando duas pessoas que tinham uma relação de pai e filho.

— Obrigado por me deixar ficar com ele hoje — disse Jisung, categórico.

— Hongmin me ligou para contar que te viu passando mal algumas vezes durante o dia. Ela ficou preocupada com você — Minho falou enquanto se aproximava, averiguando com os olhos o bebê em sua cama, rodeado por travesseiros. — Você tomou algum remédio? Não é melhor ir ver um médico?

VERÃO AUSTRALIANO | CHANLIXOnde histórias criam vida. Descubra agora