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Chan estava paralisado como se houvessem raízes prendendo os seus pés no piso. Sua mente estava vagando enquanto uma pressão se acumulava pelos membros de seu corpo ao ponto de ele sentir vontade de chorar. Seus músculos estavam tensos como se estivessem cristalizando, o seu estômago estava dolorido e revirava em um giro nauseante que lhe dava um gosto ruim no paladar, as mãos estavam congeladas e sua pele do rosto, pálida.

O coração de Chan estava acelerado de tal forma que era possível senti-lo na garganta, onde havia um nó apertado empurrando para cima. Havia uma linha de água em seus olhos que refletia o seu estado debilitado que era consumido por raiva e desespero.

Devagar, Chan fechou as pálpebras com força e soprou ar para fora da boca. Ele ouviu sua respiração irregular e trêmula, ficando com pena de si mesmo. Seu peito não podia acoplar tantas emoções ruins; havia algo como cacos de vidro raspando contra a sua pele. Estar sob os próprios joelhos era desconfortável, as roupas que usavam pareciam finas demais, a dor atrás da nuca evidenciou o que era similar a um tubo adentrando o seu crânio para introduzir mais camadas densas de estresse massivo feito ar comprimido.

A respiração de Chan batia irritante em seus tímpanos. Ele passou os dentes pelos lábios, afundando até que seu paladar fosse inundado por uma textura lisa de sabor metalizado. Seu coração se acalmou um pouco, mas logo ele percebeu que havia cravado as unhas nas palmas das mãos fechadas em punhos também. Mais respiração descompensada, e então, ele engoliu em seco com dificuldade e disse a si mesmo que era necessário que se mexesse.

Mover um membro após o outro soou ruim, como se faltasse lubrificante entre os espaços de seus ossos, porém, Chan se forçou a suportar, mesmo que sua ansiedade estivesse o dominando internamente. Ele tinha que pensar em Eva, manter o seu foco nela e em salvá-la seja lá de qual risco estivesse falando. O fato era: Chan sabia que sua filha estava em perigo porque ele sentia isso visceralmente, ele sentiu desde o momento que colocou os pés em casa, mas ignorou o seu instinto paterno e agora estava se culpando por isso. Ele pensou que se tivesse escutado sua intuição e ficado perto de Eva, nada daquilo estaria acontecendo e ela estaria bem, em casa, brincando na frente da televisão ou em uma tenda improvisada no quarto.

A comoção de Chan o fazia tremer dolorosamente por dentro. Ele bateu a porta do quarto e ligou o motor, mas não saiu imediatamente, temendo que seu estado de perturbação o fizesse esquecer de como dirigir e o matasse. Abaixou a cabeça e a apoiou no volante, puxando o ar e soltando, fechando as pálpebras e se concentrando em manter a calma. A pressão que partia de seu peito até sua garganta não se dissipou, contudo, Chan não estava mais sentindo a sua pele fria como se houvesse uma camada de gelo sobre ela. Ele voltou a sentir os componentes pesados do próprio corpo. Sua cabeça estava latejando, ele estava enjoado e nervoso, mas recuperou certo controle de si mesmo.

Finalmente deu partida no carro, dirigindo à caminho do estabelecimento onde iria encontrar Chaeryeong e colocá-la contra a parede, iria obrigá-la a confessar a verdade. Chan estremeceu ao cogitar que aquela mulher pudesse estar tão louca ao ponto de machucar sua filha. Chan jamais a perdoaria; ele seria o que nunca foi graças a isso. Eva era tudo o que ele tinha de mais importante no mundo, ele batalhou duro para cuidar dela, ele não dormiu por noites para vigiar o sono dela ou falta de sono, ele estava tentando ser um pai bom do tipo que ele nunca teve e ele queria vê-la crescer e conquistar as próprias coisas com o apoio dele e de Felix. Chan queria levar Eva para o maternal e depois para a escola elemental, ele queria convencê-la de que não era tão ruim quanto parecia, queria levá-la aos festivais e assisti-la se apresentar graciosamente, gostaria de ter discussões com ela onde sabia que os dois iriam discordar e ele lutaria para ser compreensível. Chan queria passar horas ensinando Eva, ler as suas anotações, desenhar e pintar com ela, montar barracas e acampar, ele queria brigar com ela porque ela era uma formiga como Felix e não se segurava quando o assunto era doce. Chan queria limpar as suas lágrimas mais pesadas e presenciar os seus sorrisos mais genuínos e enormes. Ele queria aconselhar Eva, se preocupar mais e mais com ela, segurar a mão dela, carregá-la e, claro, ele queria coisas estúpidas como ser maquiado por ela ou ouvi-la reclamar que ele não entendia de moda ou de esportes ou de qualquer coisa que ela iria gostar e ele não muito.

VERÃO AUSTRALIANO | CHANLIXOnde histórias criam vida. Descubra agora