Na clínica, David e Miguel olhavam com preocupação os monitores. De vez em quando os corpos de Patrícia e Paulo tinham uns pequenos espasmos. Ali, naquele ambiente imperava a ansiedade e a incerteza.
Miguel puxou conversa para acalmar David, que se encontrava ao lado da cama de Patrícia, demostrando muito nervosismo perante a situação.
- Tu como psicólogo e psicanalista já deves ter ouvido muitas histórias anormais para um ser humano.
- Sim, por acaso, já ouvia algumas vindas da boca dos pacientes que me deixou espantado com a condição humana. Uma das histórias mais incomuns que tive foi de homem que era meu paciente, que por razões de vivência estava a atravessar um período muito difícil. As sessões que vinha a ter com ele, aparentavam uma evolução e recuperação aceitável. Quando comecei a pensar que ele já tinha ultrapassado tudo aquilo, ele num ato de desespero, suicida-se. Nunca consegui compreender a razão. Tinha ideia que ele estava a recuperar bem. Poderá ter sido algo, algum gatilho na vida que o levou aquilo. Nunca consegui entender. E isso atormenta-me desde então.
- No meu trabalho já investiguei casos em que roçavam o paranormal e incompreensível, mas esta história dos desaparecidos é o auge. E, depois a tua teoria foi ainda mais além do que eu acredito e imagino. Mas como investigador, estou sempre aberto a novas teorias para explicar situações inéditas.
A conversa foi cortada por um novo sinal sonoro vindo da máquina. David olhou atentamente o monitor. Outro sinal surgiu ainda mais audível. David estremeceu, o pânico instalava-se no corpo dele.
- Eles estão a chegar aquele ponto de não retorno. Os sinais vitais deles foram a máximos históricos e agora estão a baixar velozmente para mínimos. Estamos a perdê-los. Precisamos fazer algo.
- Tens a certeza? – retorquiu Miguel.
- Sim, vou injetar isto agora.
E quando pegou na seringa e se voltou para Patrícia, esta começou a desvanecer, até desaparecer. Tinha sumido em pleno ar.
David estremeceu e deixa cair a seringa no chão. O mesmo tinha acontecido a Paulo. Olha para Miguel petrificado.
- E agora? – perguntou Miguel, agora, tão confuso e nervoso como ele. Aquilo tinha escalado para algo que eles não estavam á espera. Tudo era desconhecido naquela experiência, mas agora tinha-se tornado algo que ia além do compreensível e racional. Desapareceram também.
- Voltámos ao início. Melhor, estamos em terreno negativo, perdemos mais duas pessoas. Presenciámos o que aconteceu realmente, só falta saber o porquê e o mais importante, recuperar todos. Tudo, a partir daqui, será mover no desconhecido, em areias movediças.
Para maior surpresa deles, olharam para o monitor e notaram que este continuava a indicar valores. E neste caso, já não estavam no mínimo desastroso de alguns segundos atrás. Tinha estabilizado num valor. Cada vez mais, aquela situação ganhava contornos alucinantes.
- Como é possível os corpos não estão aqui, mas, os elétrodos continuam a enviar valores ao monitor?
- Pois! Não sei. Não faço a menor ideia. E agora também não tenho nenhuma teoria louca para esta situação nova. Eles continuam vivos, certo? Pelo que os monitores mostram.
- Talvez o melhor é esperar e ter fé no evoluir da situação. Vamos acreditar que tudo vai correr bem. Se o monitor apresenta valores é porque talvez eles ainda existem algures, certo?
- Agora sou eu que estou descrente com toda a situação. Estes últimos minutos foram de loucos. Mas sim, vamos esperar e ter esperança num final que agrade.
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O Mundo dos Sonhos
FantasyDe súbito, várias pessoas desaparecem, misteriosamente, durante a noite. Paulo e Patrícia, juntam-se ao investigador responsável, procurando por uma solução para o caso. O paradeiro dos desaparecidos envolve uma fantástica aventura que os dois irão...
