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Jéssica e Catarina

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Chegados lá, encontraram logo Jéssica a percorrer uma rua.

 
Esta aparentava estar feliz na nova vida que levava. Paulo apressou-se a caminhar para ela. Ao chegar no seu encalço, tentou abraçá-la. Esta reagiu estranhamente, aceitou o abraço, mas tentou fortuitamente esquivar-se a seguir.

- Mas acabei de sair lá de casa, e agora estás aqui de novo a tentar abraçar-me? E quem são estas pessoas que te acompanham?
Paulo encarou a filha com surpresa. Tinha-se esquecido que estava num mundo que ela tinha criado.
- Sabes onde estás? – perguntou, rapidamente, Paulo.
- Não sei bem ao certo. Mas este sítio parece-me bem melhor do que a vida que eu estava a viver. Este sítio parece um sonho. Tem tudo aquilo que eu sempre desejei. Tu e a mãe, voltaram a estar juntos, o liceu está a correr bem. Todos me admiram. O que eu poderia querer mais?

- Sim. Estás em algo parecido com um sonho, mas mais real. Criaste toda esta nova realidade de vida para agora a viveres. O único problema é que viverás constantemente isto. Embora pareça o que desejavas mais que tudo, não passará disto. – afirmou Patrícia.
- Mas estou bastante contente com isto. Passaria o resto da minha vida aqui. Aqui sinto-me mais segura e melhor.

Patrícia pensou nas palavras que o Hudo tinha proferido em relação a eles e compreendeu agora que a tarefa não seria tão fácil assim. Levá-los de volta, seria um desafio.
- O teu pai quer que tu o acompanhes de volta para a tua antiga vida. – disse Jodi – A tua felicidade só existirá com uma vida bem vivida, não como uma vida desejada como esta. Viveres só o que desejas, não é saudável. Viver com fé num amanhã melhor é o epíteto da essência.
- Mas, e se eu não quiser voltar para aquele tormento? Aqui sou feliz.
- Posso vos dar uma palavra a sós? – pediu Jodi para Patrícia e Paulo.

Eles concordaram com a cabeça e afastaram-se juntamente com Jodi.
- Ela ainda está no início do ciclo e ainda não tem consciência do que a espera. Podemos voltar mais adiante e ter novos argumentos.

Paulo olhou relutante para Jodi. Toda aquela jornada até ali tinha sido confusa demais e, agora aquele momento tornava-se excessivamente frustrante para ele.
- Pode ser. – respondeu hesitante, Paulo. – Talvez voltando depois podemos convencê-la a vir connosco.

- Ok. Está decidido. Vamos ao próximo.
Patrícia começou a ficar nervosa e assustada. Era a primeira vez, desde que tinham entrado naqueles mundos que se sentia assim. Visitar a sua irmã e receber um não, seria frustrante para os intentos que traziam.

Juntaram-se os quatro, de novo e procedendo ao ritual anterior, seguiram em direção a outro sítio.
Lá encontraram facilmente Catarina. Estava a viver a sua vida de estudante universitária.
Quando a viu, Patrícia esboçou um grande sorriso. Catarina abraçou Patrícia calorosamente.
Patrícia pegou na mão de Catarina e pediu-lhe:
- Quero que deixes isto e voltes para casa, por favor. Precisamos de ti.

Catarina olhou para a irmã, com alguma surpresa pelas palavras.
- Estás a viver num sonho e quero que voltes para a tua vida.
- Num sonho? Isto parece-me bem real. E é a melhor vida que já tive. Tenho noção que esta não era a minha vida anterior, mas pelo menos aqui todos me adoram e sinto-me melhor.
- Isto foi uma realidade que criaste, com se fosse um sonho e agora estás a vivê-la. Eu compreendo que o que vives agora é o que mais desejavas. Mas, não mudará mais no futuro. Tornar-se-á um ciclo interminável da mesma vida. – respondeu Patrícia.

- Mas, estou a gostar demais disto. Não posso largar isto e voltar para a vida miserável que tinha. Acho que quero ficar por aqui.
Jodi encarou Patrícia. Patrícia encarou-o de volta e compreendeu que aquele não era ainda o momento certo para a levar de volta.

Teriam de voltar mais tarde quando a situação se alterar.
Até lá tinham de ter paciência que tudo poderia dar certo no final.

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