HARLEY NARRANDO
O pânico está correndo como farpas por minhas veias, meu corpo todo treme e as mãos do Michell eram agarradas firmemente pelas minhas próprias, o tremor é tão grande que nem a espada consigo manter firme, sinto criaturas se aproximando, mas não tenho a capacidade de atacar, se não fosse por meu companheiro e a Ashyla, já teria sido atingida.
Tenho pavor do desconhecido, de não saber o que tem ou acontece a minha volta, e está diante de uma situação assim me deixa paralisada. O tempo parecia que simplesmente havia desistido de passar, e o torpor que cobre minha mente passou no momento em que senti algo agarrar meus tornozelos, o susto foi tão grande que um grito escapou da minha garganta, instintivamente desferi um chute no que quer que estivesse à minha frente.
__ Harley, está tudo bem? - ouço a voz alarmada da minha amiga ao passo de que sentia o aperto da mão do Michell se afrouxando, no mesmo momento soube que ele havia aberto os olhos. De forma desesperada o puxei para perto quando senti que se distanciava, soltando minha espada o seguro com as duas mãos. Lágrimas começaram a germinar nos meus olhos.
__ Harley? - chama mais uma vez em desespero.
__ O-o Michell... ele... ele abriu os olhos. - pronuncio entre soluços.
__ Merda! - ouço o exclamar do Lyan cortando mais um monstro. - Fiquem entre mim e a Ashyla. - ordena.
Com rapidez passo por trás da Ashyla enquanto,trêmula, puxava o Michell junto de mim. Meu aperto no seu pulso é firme, só o pensamento de nunca mais vê-lo faz minha alma estremecer, o medo se apossou de forma profunda de mim, enquanto muitas possibilidades vinham e iam na minha mente.
O que acontecerá agora?
Tem a possibilidade dele não voltar ao normal?
O Michell terá alguma sequela?
S
erá que ele acordará?
E se... e se ele não voltar mais?
__Harley, por tudo que é mais sagrado, pare! - o esbravejar da Ashyla me faz soltar um silencioso soluço, enquanto assustada chego o Michell para mais próximo de mim. - Eu sei que dada a situção é dificil, mas tente aquietar seus pensamentos ao menos um pouco. O MIchell vai ficar bem, nós vamos dar um jeito, ok? - pede agora com o tom mais ameno, porém, firme. Maneio a cabeça tentando conter o choro que sai agora em lágrimas silenciosas, mesmo que ela não possa ver.
Nossa voz não foi ouvida por um longo tempo, vez ou outra se ouvia um praguejar vindo do Lyan. Para mim o tempo restante que passou comigo agarrada ao Michell e os dois lutando as cegas contra os montros se resumiu em uma eternidade, até que os sons gradativamente foram sumindo, os passos desaparecendo e os chiados silenciando. O Michell deixou de tentar escapar do meu aperto e aquietou do meu lado, de forma instintiva meu corpo aliviou levemente, mas se tensionou ainda mais quando senti seu corpo amolecer e pender para o lado, o seguro para não deixá-lo cair.
__ Parece que a névoa já se foi. - Fify afirma. Lentamente abro meus olhos observando em volta, me deparando com o mesmo cenário feio de antes.
__ O Michell apagou, gente. - minha voz sai tremula e vejo os outros se abaixarem para verificá-lo.
__ Ele está respirando, vamos sair daqui primeiro antes que anoiteça e a névoa volte. - o Supremo decreta com urgência. - Me deixa carregá-lo. - pede já se transformando.
Rapidamente o coloco na sua lombar e sem mais demora continuamos o percurso, apressados. Nenhuma palavra foi dita por longos minutos, que pareciam se arrastarem de maneira preguiçoso ao meu ver, sentimentos de angústia e claustrofobia faziam questão de tomar conta de mim o cenário rodeado por árvores robustas e gigantes não ajudavam em nada o meu estado. O corpo estava quente pelo exercício prolongado exercido de forma rápida, porém, o suor que descia pelo meu corpo era frio, causando uma sensação de choque na minha pele.
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O anoitecer estava próximo, meu coração acelerou pelo medo de ter que passar por aquela situação de novo, instintivamente meus passos se alongaram, numa tentativa frenética de tirar a ansiedade de dentro de mim. Horas se passaram e com ela o avanço da névoa, fazendo meu corpo ficar trêmulo e nossos passos serem mais ligeiros.
__ Parece que as árvores estão diminuindo. - constata o guaxinim no ombro da Ashyla.
__ Devemos estar próximos da saída. Vamos nos apressar. - ordena o Supremo.
Mais um tempo se passou, as árvores agora não são tão intimidadoras quanto antes, porém a névoa no topo não deixou de estar presente já na metade de seu percurso. A essa altura já estávamos correndo, uma corrida contra o tempo, e quanto mais corríamos parecia que a saída estava mais longe de ser alcançada. Meus pulmões trabalhavam veementemente para manter o oxigênio do meu corpo, enquanto minha garganta ardia pelo fluxo constante de ar entrando e sainda de forma irregular pela minhas vias aéreas. Faltando pouco para a névoa pousar sobre nossas cabeças avistamos o fim da Floresta do Pânico. O desespero começou a me tomar com a possibilidade de não conseguirmos sair logo quando estavamos próximos do fim, mesmo com minhas pernas já trêmulas, as forcei a aumentaram o ritmo. Ao chegarmos na borda, num impulso todos nós pulamos para fora a fim de fugir do pesadelo que estava raspando sobre nossas cabeças. Saímos rolando pelo chão e meu primeiro pensamento foi o Michell, num rompante me levantei o procurando com os olhos, o alcançando assim que o vejo deitado próximo ao Liam, que por sua vez já ia apressado até a Ashyla que estava um pouco mais a frente.
__Me deixa ver como ele está. - pede a Ashy se abaixando com a ajuda do Liam perto de mim. De forma instintiva juntei o Michell nos meus braços enquanto rosnava.
__ Harley Woods, me deixa ver como ele está. - seu tom de voz era irritadiço e impaciente, de forma que nunca se direcionou a mim antes, isso me fez soltar receosamente meu companheiro. - Lyan, você consegue examiná-lo? - se direciona a ele que apenas assente e coloca as duas mãos sobre o peito do Chell, fechando os olhos.
__ Ele está bem, o fluxo de energia dele está irregular, porém isso se resolve depois de um tempo de descanso. E acho que deveríamos fazer o mesmo.
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FILHA DA LUA AZUL _ Guardiã
FantasyE se... Nada fosse como deveria ser? E se por algum acaso existisse seres sobrenaturais? E se todo o mundo e universos paralelos estivessem correndo perigo por um temível e imortal vilão? Venon, um terrível mago das trevas, todos temem a tamanho po...
