Capítulo 7 ✔

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TRÊS MESES MAIS TARDE

Ashyla narrando

Estava em uma floresta junto a minha amiga Harley, caminhávamos pela penumbra observando com a fraca luz do luar, as enormes árvores que compõe a floresta, quando do nada sinto algo puxando minha perna e me deixando de cabeça para baixo ao passo que ouço um grito da Ley. Olho em sua direção e vejo que se encontra na mesma situação que eu, com uma árvore segurando-a pelos tornozelos. Olho ao redor e vejo criaturas horripilantes de todos os jeitos possíveis vindo em nossa direção. O foco da imagem a minha frente muda, me deparo com uma campina verde com flores espalhadas por toda sua extensão, em sua extremidade havia um penhasco onde se encontrava eu e também minha amiga Harley. Eu estava apontando para uma enorme lua azul, do meu lado Harley apontava para uma enorme lua vermelha como o sangue. Mais uma vez o foco da imagem é modificada e posso ver duas mulheres sendo maltratadas em uma sela. Mais uma vez a imagem é modificada. Me encontrava parece que no campo de batalha, quando olho para o lada e vejo o exato momento que uma espada é cravada bem no coração de uma pessoa que não mostrava o rosto.

Acordo assustada com uma angustia se instalando no peito e uma enorme vontade de chorar. São quatro horas da manhã, como não vou conseguir dormir novamente, pego minha toalha e vou direto para o banheiro.

Por que será que a última imagem desse pesadelo bizarro me causou tanta aflição? Quem poderia ser aquela pessoa? Por que raios eu estou chorando?

Argh! Que raiva dessa situação. Que raiva de mim. Raiva dessas lágrimas imbecis que saem do meus olhos. Saio do chuveiro e encaro a imagem  do meu rosto no pequeno retângulo de espelho que se encontra pendurado a cima da pia do banheiro. Pálida como sempre, olhos avermelhados pelo choro e o caminho que as lágrimas fazem por minhas bochechas.

_ Chega, Ashyla Johnson. - falo comigo mesma limpando as lágrimas com brutalidade. - Chega de ser fraca e mesquinha. Chega de chorar por qualquer coisa. Chega! Eu prometo que esta é a última vez que choro. Eu te proíbo, te dou ordens restritas de que nunca, nunca mais vai chorar. - aponto para meu reflexo no espelho. - Seja forte, garota. Seus pais não iriam te querer ver assim. Levanta a cabeça e passe pelos obstáculos, não deixe que eles passem por você. Sorria abertamente, não deixe que os acontecimentos da vida por mais difíceis que seja tirar seu sorriso, outras pessoas podem precisar dele para ter um dia feliz. - falo como se estivesse falando a uma outra pessoa. - Toma as rédeas da sua vida. Você controla a situação e não ela que te controla.

Harley narrando

Eu apontava para uma lua gigante da cor vermelha, era de um vermelho tão ávido que parecia sangue. Do meu lado minha amiga Ashyla está apontando para uma enorme lua azul. Nossos cabelos voavam ao vento que vinha de algum lugar chegando até a beira do penhasco onde nos encontramos. A imagem a minha frente muda, estávamos andando na floresta –a mesma que treinamos todos os dias– conversando, quando nos deparamos com um lago logo a nossa frente. Ele refletia azul e vermelho. Ficamos olhando por um tempo hipnotizadas pelas cores que o lago refletia. Ouço passos vindo em nossa direção, o que acaba tirando minha atenção do lago. Olho ao redor e nada vejo, volto minha atenção para o lado quando noto que a Ashy encarava com os olhos esbugalhados algo mais a frente. Volto minha atenção para a mesma direção e vejo um ser horrendo todo preto, parecia está se desfigurando, ele vinha em nossa direção. Quando iria nos golpear vejo algo atingi-lo  em cheio, mas não consigo identificar o que poderia ser.

Acordo em um sobressalto. O que seria aquele bicho? E quem foi que nos salvou? Teria esse sonho algum significado? 

_ Pesadelo? - ouço a voz da Ashy.

FILHA DA LUA AZUL _ Guardiã Histórias para pegar e não largar. Descubra agora