Cap.20 - A vida depois do caos

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"(...) Mais, eu quero mais
sabe que eu gosto assim
pedindo faz, faz olhando pra mim
não me deixa vai, não me deixa aqui...
Eu gosto da sua cara quando fica bom
eu te faço gostar, baby, esse é meu dom...
Não me deixa esperando, baby,volta já pra cá
Vem pra cá...

(Te esquecer - Diego Martins)

N/A: Tem Hot neste capítulo.

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Quando chegaram à fazenda, o entardecer já se deitava sobre a terra como um bicho manso.

O carro levantou uma poeira leve na estrada de chão, e Kelvin observava pela janela como quem revê um lugar sonhado muitas vezes durante o exílio. Havia o curral ao longe, o galpão de telha antiga, os eucaliptos inclinados pelo vento, a cerca comprida desenhando limites que o campo nunca respeitou de verdade, e a imensidão das plantações de algodão que pareciam pequenas nuvens fixas que balançavam a revelia do vento.

Nada ali tinha pressa.

Era estranho.

Durante anos, sua vida fora feita de aeroportos, agendas, crises administradas por terceiros, luzes acesas antes da hora e gente chamando seu nome como se ele lhes pertencesse, como se tivessem o controle da sua vida. Agora o que o recebia era apenas o barulho de cigarras e uma vaca impaciente reclamando de não conseguir ultrapassar a cerca para conseguir o capim mais verde.

Ramiro desligou a caminhonete.

— Chegamo, meu bem.

Kelvin não se moveu de imediato.

As mãos pousadas no colo, os olhos úmidos, parados. Haviam regressos que doíam.

Ramiro o observou sem falar. Conhecia aquele silêncio. Era o silêncio de quando o peito do seu pequetito estava cheio demais.

— Mas, ocê já vai chorar antes de descer?

Kelvin fungou e abriu a porta.

— Mas, é um bruto, mesmo! Seu sem delicadeza.

— Falei mentira? Ocê sempre chora!

Kelvin bufou e desceu.

A terra cedeu um pouco sob a sola do sapato. O cheiro veio primeiro: capim esmagado, esterco distante, madeira quente, alguma flor anônima abrindo no escuro. Kelvin respirou fundo e sentiu uma pontada quase violenta no peito.

Ninguém o esperava com câmera.
Ninguém pedia foto.
Ninguém queria explicação.

O mundo seguia sem exigir espetáculo. Sua equipe de segurança cercava a propriedade por precaução, mas a verdade era que ninguém sabia do seu paradeiro, por enquanto, muito embora ele soubesse que essa paz não duraria, sempre descobriam.

Ele chorou mesmo assim.

Não dramaticamente. Apenas lágrimas honestas escorrendo enquanto olhava a varanda simples da casa principal.

Ramiro pegou as bagagens no porta-malas, sem tirar os olhos de Kelvin, observando suas reações.

— Vai gastar toda a água do corpo todo logo na chegada?

Kelvin riu entre soluços.

— Cala a boca.

Ramiro largou uma mala no chão, veio até ele e o abraçou forte, o tipo de abraço que reorganiza a alma da gente.

— Vem calar, uai! — murmurou provocativo enquanto apertava a cintura do mais baixo e Kelvin prontamente grudou os lábios aos dele, num beijo profundo e cheio de amor.

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⏰ Última atualização: May 18 ⏰

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