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As ruas estampavam a estação primavera. As cores e os cheiros faziam com que a cidade tivesse se tornado altamente sensorial, o que me deixava ainda mais alegre. Andando pelo o caminho já conhecido, com o fone no ouvido, sigo com a mesma sensação de sempre, que um belo dia havia se iniciado e tinha tudo para ser especial.

Um ano havia se passado desde que Rafaella e eu começamos um sonho juntas, o sonho de termos a nossa própria escola de dança.
O início foi puxado, mas ao contabilizamos todas as nossas economias, e cortarmos muitos gastos, percebemos que o sonho poderia se tornar realidade, não somente poderia, como se tornou. Naquela ruazinha escondida era aonde ficava o nosso sonho barra realidade, o local da escola não poderia ser em outro que não fosse no meu (nosso) lugar favorito.

Observo a pessoa ao meu lado, meu amor mantinha a sua mão na minha, com o par do meu fone em seu ouvido. De vez em quando me lançava um grande sorriso, e nos olhos continha felicidade e alegria, - sentimentos semelhantes que eu tinha em mim-, retribuo o sorriso e a rodopio pela rua até chegarmos ao nosso destino.

Tudo parecia perfeito.

- Bom dia, Dona Jussara - Rafa a cumprimenta com um abraço caloroso.

- Bom dia, minha querida. - Retribui o gesto.

- Bom dia! - Digo altamente animada.

- Bom dia, Gi - Deixa um beijo na minha bochecha.- Como estão?

- Ansiosas! - Respondemos juntas.

Me aproximo de Rafa, ela me abraça por trás, do modo que fico de frete com a senhora mais velha.

- Rafa, lembra o que cochichei quando você trouxe a Gizelly aqui pela a primeira vez?

A morena sorri, morde os lábios, e diz:

- Que era um recomeço para nós duas.

A senhora aplaude a fala da professora, se encaminha ao balcão e como sempre pega uma florzinha.

- Essa eu não conheço - Aponto para a flor.

Jussara responde:

- Se chama Alstroemeria, é para celebrarmos e agradecermos. - Segura as nossas mãos. - Vocês trilharam um grande caminho, parece adequado entregá-las a vocês.

- Esse lugar é o meu favorito por sua causa. - Rafa diz - Obrigada.

- Boa sorte, minhas meninas.

- Ela é linda - Aperto a mão de Jussara, que corresponde com um afago, deixando a flor comigo. - Obrigada.

Começamos a caminhar, quando a senhora chama novamente por Rafaella.

- Você lembra a primeira flor que te entreguei?

- Camomila.

Jussara confirma com um acenar, pisca com um olho, sorri e volta para os seus afazeres.

Rafa volta a sua atenção para mim.

- Pronta, meu bem?

- Pronta.

Abrimos juntas as portas, o local se parecia com o original, visto que alteramos pouquíssimas coisas. Entretanto, tinha tanto de nós, a nossa essência, gostos e detalhes que era perceptível para aqueles que nos conheciam. No centro, como se fosse óbvio, ali estava ela, a lua. Que optamos totalmente por incluí-la no estúdio, afinal não parecia correto tirá-la daquele espaço.

- É oficial. - A morena de olhos verdes estende a mão para mim.

Eu aceito a mão dela de bom grado, mas antes que possa dizer algo temos um sobressalto.

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