Anyone Else But You

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O dia estava sendo tranquilo, entretanto, um pouco antes do fim do meu expediente fui surpreendida pela a presença da minha chefe.

- Gi, posso entrar? - Diz após bater na porta.

- Susana - Levanto para recepciona-la. - , claro. - Trocamos um abraço rápido.

- estava de saída? - Pergunta.

- Quase. - Respondo.

Observo a sua fisionomia tensa e preocupante. Por mais que fossemos muito próximas, ter uma visita da minha chefe na minha sala e naquele horário era incomum.

Indico o sofá para que se acomode.

- Está tudo bem? - Diante do silêncio inicial resolvo me certificar em saber o que estava acontecendo.

- Tudo bem, querida. - Soa tranquila. - Somente queria conversar com você.

- Aconteceu alguma coisa? - Fico preocupada.

- Não aconteceu nada, Gi. - Me acalma.

- Tem certeza? Você está estranha.

- Só porque resolvi visitá-la antes que fosse embora?

Confirmo com a cabeça.

- Convenhamos, eu é que sempre vou à você.

- Realmente, no seu lugar eu também iria ficar preocupada. - Sorri.- Desculpa por isso.

- Imagina, eu sei o quanto você é ocupada..

- Sobre isso que quero falar com você. - Diz pacientemente. - Gi, estou pensando em me aposentar. - Esclarece de uma vez como se tivesse tirado um curativo.

Começo a rir, eu só poderia ter entendido errado.

- Susana? Se aposentar? - O semblante não muda, o que sugeria que era sério. - Você disse que isso nunca iria acontecer. - Meu riso vai embora.

- Sim, mas ultimamente tenho pensado muito, e cheguei à essa conclusão.

- Por qual motivo? - Assumo a pergunta que estava na minha cabeça. Não fazia sentido.

A mulher não pensa muito, logo responde:

- Eu preciso viver coisas novas. - Sorri novamente. - Sabe, eu adoro esse lugar, e tudo o que ele me proporcionou. - Suspira - Os melhores momentos da minha vida estão entrelaçados com as memórias do Sonata... Dediquei a minha vida, e não me arrependo, mas chegou o momento de curtir outras coisas e outros lugares.

- É difícil imaginar o Sonata sem você. - Sussuro sinceramente.

- Oh, meu bem! - Me abraça forte.

Nos afastamos, Susana seca a lágrima que escorre de seus olhos com o dorso da mão. Busco o lenço em cima da mesa, entrego à ela, e pego um para mim.

- Eu não conseguia imaginar esse lugar sem o Carlos, achava que.. tudo iria ruir. Mais veja , o Sonata continua vivo. A idealização de nossas vidas. - Escuto com atenção. - E, espero que continue com a minha ausência também.

- Até porque está apenas se aposentando, irá voltar quando necessário. - A mulher ri da minha fala.

- Sempre que possível. - Pega a minha mão. - Minha menina, nós sempre quisemos que fizesse parte do Sonata...

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