Após a trágica morte de seu pai em um confronto entre militares e a máfia no seu aniversário de 8 anos, a vida de Tiana mudou drasticamente. Criada em um ambiente familiar conturbado com uma mãe viciada em drogas e um irmão desaparecido, ela enfrent...
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TIANA MORETTI
New York, EUA
13:29
O dia mal havia começado, mas já estava repleto de tarefas sufocantes e de uma rotina esmagadora que parecia não ter fim. No hospital, meu corpo operava no automático, entre atendimentos e cirurgias, enquanto minha mente implorava por um breve descanso que parecia inalcançável. A correria me consumia. Como médica-chefe, a responsabilidade era um fardo constante, e naquele dia, mais do que nunca, o peso parecia dobrado.
Quando finalmente meu horário de almoço chegou, refugiei-me em meu escritório como quem escapa de uma tempestade. Fechei a porta atrás de mim e me permiti um longo suspiro, deixando o corpo afundar na cadeira de almofadas, o único conforto que conhecia naquele momento. Minhas têmporas latejavam com uma dor persistente, e ao pegar o remédio da gaveta, apoiei os braços sobre a mesa abarrotada de papéis e massageei as têmporas, na vã esperança de afastar a enxaqueca.
O silêncio era uma bênção rara naquele ambiente, mas bastou uma batida na porta para desfazer minha paz frágil. O som ecoou dentro de minha cabeça como um trovão. Fechei os olhos, soltando o ar entre os lábios.
— Entre — murmurei com voz cansada, já esperando mais uma demanda urgente.
Para minha surpresa, não era um paciente nem um enfermeiro. Era Simon. Meu marido.
Ele apareceu na porta com sua presença marcante, usando um terno escuro perfeitamente alinhado, o casaco jogado de forma despreocupada sobre um dos braços. Um leve sorriso adornava seu rosto e, por um breve momento, o peso em meus ombros aliviou.
— Amor? — soltei, surpresa. — Você veio me ver?
— Claro. Achei que você precisava de um respiro. — Seu olhar gentil pousou em mim, e naquele instante, o hospital, os pacientes, as dores, tudo se apagou.
Conversamos brevemente, sua voz baixa e tranquilizadora agindo como um bálsamo para meus nervos à flor da pele. Mas então, com aquele brilho travesso nos olhos que eu conhecia tão bem, Simon se endireitou.
— Vamos. — anunciou com simplicidade.
— Para onde? — franzi o cenho, desconfiada.
— Vou te levar para comer. Mal posso esperar para cravar meus dentes em algo suculento. — Seu sorriso largo foi acompanhado por um olhar sugestivo, o que me fez soltar uma risada e lhe dar um tapa leve no braço. Ele riu.
— O que foi? Você sabe que eu adoro uma boa carne, por isso vou levá-la para uma churrascaria. — disse ele, piscando para mim enquanto pegava o casaco que deixara sobre a cadeira ao chegar.