capítulo 17

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LEE FELIX
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— Oi, já comeu hoje? — questionei Liv assim que a porta foi aberta.

— Um pouco. Hyun trouxe comida pra mim. Lix...

— Sim? — deixei as compras em cima do balcão da cozinha.

— Por que disse aquilo do Minho? Você não é assim.

— Não sei, Liv... — suspirei. — Acho que surtei. Eu já tentei me desculpar, mas ele não quer me ouvir.

— Felix, ele lida com dois lutos. Mesmo que você não soubesse, não tinha direito de expô-lo assim. — minha irmã retrucou. — Você sabe como é conviver com alguém que precisa lidar com uma depressão. Acha o mesmo de mim? Que sou uma viciada?

— Não, Olivia. É claro que não. — me aproximei dela. — Eu não penso assim sobre você e nem sobre ele, eu só estava em um momento ruim e deixei me levar.

— Eu entendo, mas o que você não entende é que não é sobre você. Em momento algum foi.

— Eu sei, fui um babaca. — suspirei. Arrumei dois pratos na mesa e não soube mais o que dizer. — Mas não sei como reverter toda essa situação.

— Eu não te perdoaria. Sendo sincera, não acho que poderia fazer isso, mas Minho e eu não somos a mesma pessoa.

— Você não me perdoaria?

— Como irmão, é óbvio que sim. Mas como um amigo ou qualquer outra coisa, não. Falar algo sem pensar não tira a sua responsabilidade do que aconteceu, ainda está nas suas costas e na dele um peso que ele não deveria estar carregando se não tivesse sido exposto dessa maneira.

— O que posso fazer para ele me desculpar? Estou me sentindo tão mal.

— Infelizmente não posso responder isso, Lico. Você precisa aprender a pensar antes te fazer, toda ação tem uma reação.

— As minhas nunca são boas.

[...]

MINHO
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Assim que entrei no estúdio, vi Felix parado em frente à minha sala improvisada. Revirei os olhos e segui em direção contrária, mas senti meu corpo sendo puxado para trás.

— Não estou afim de falar com você.

— Fiz brownies para você. — ele me estendeu uma vasilha pequena, a qual nem me dei o trabalho de tocá-la. — Qual é, Minho...

— Eu não gosto de brownies. Não entendi se sua intenção é comprar o meu perdão com presentes, mas te adianto que isso não vai funcionar comigo.

— Olha, eu sei que fui um babaca.

— Quer os meus parabéns agora por perceber isso?

— Não. — suspirou. — Me desculpa. Eu não sei onde eu estava com a cabeça quando falei aquilo de você, eu ficaria transtornado se falassem essas merdas da minha irmã. Fui impulsivo e esqueci como se pratica a empatia.

— 'Tá, tanto faz. Pode me deixar em paz agora.

— Você me perdoa?

— Eu te desculpo. Perdão é uma palavra muito forte.

— Aceita os brownies pelo menos. Minha irmã mais nova me ajudou a fazer e ela estava animada para que eu te entregasse, ela é fã do seu trabalho.

— Sendo assim, eu aceito. — peguei os brownies. — Agradeça à ela por mim e diga que eu desejo que ela se recupere logo. E quanto a você, espero que não desconte sua frustração na vida pessoal dos que estão a sua volta.

blank space - minlixOnde histórias criam vida. Descubra agora