MINHO
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— Senhor Lee? — Tom bateu na porta e entrou assim que dei permissão. — Um homem está ali na porta dizendo que quer falar com você.
— Comigo? Deixaram ele entrar tão fácil assim?
— Disse que é da sua família.
Minha família toda está aqui.
— Provavelmente está procurando o Lee errado. O senhor já viu com o outro Lee daqui?
— Não, é o senhor mesmo. Já verificamos.
Me levantei e segui até onde Tom disse que o tal cara estava. A sala de convidados estava vazia, só havia aquele estranho de costas e eu ali.
Senti a minha garganta fechar e o meu coração acelerar, meu corpo todo ficou gelado e eu quase cai para trás.
— Filho?
— O que você quer aqui?
— Soube da sua mãe. E da sua irmã.
— Não é possível. — ri ironicamente. O sentimento de ódio se apossava de mim e era melhor senti-lo do que sentir a culpa que eu sentia antes. — Soube da morte da esposa e da filha que você deixou para trás só depois de anos?
— Minho...
— Sabe, chegou muito tarde para o velório ou para o enterro.
— Tentei achar o cemitério que elas estão, mas não é tão simples assim.
— Graças a Deus, elas não iriam querer você lá. Assim como eu não te quero aqui. Vá embora antes que eu chame os seguranças.
— Meu filho, eu só quero conversar com você.
— Filho? Conversar? Você só pode estar de brincadeira com a minha cara. — juntei meus braços em frente ao meu corpo e o empurrei para trás. — Suma daqui.
— Somos uma família, você precisa me ouvir.
— Minha família está morta! — gritei, já com lágrimas nos olhos. — A minha mãe morreu e a minha irmã também. Sabe o que eu me lembro do último dia em que eu vi você e o que eu senti naquele dia? Lembro dela com o diagnóstico de câncer e você arrumando suas coisas para ir embora. Eu senti nojo de você.
— Eu tinha muita coisa para lidar, Minho. — ele passou as mãos pelo rosto, nervoso. — Não podia passar por aquilo.
— Eu não me importo, mas acho importante ressaltar que eu não te considero família e que quero você bem longe da minha vida. O que você quer de mim? De quanto de dinheiro você precisa para sumir da minha vida pra sempre?
— Eu não achei que precisaria recorrer a você atrás disso.
— Eu sabia que você faria isso, minha mãe sempre me alertou. Você tem alguma ideia do que ela passou para cuidar de mim e da minha irmã? Sabe quanto tempo ela teve que trabalhar até tarde da noite para ter um sustento para criar os filhos estando doente? Consegue imaginar como foi quando o câncer voltou? Quando ela descobriu que a filha também estava com câncer. Eu tive que lidar com tudo sozinho, eu só precisava de um pai e você nunca esteve lá para fazer o seu papel!
— Guardar tanto rancor assim não te fará bem. Eu sinto muito, filho.
— Seu filho morreu quando teve que enterrar as duas mulheres da vida dele, "pai".
— Eu sei que falhei com vocês três e você nunca vai saber o quanto eu me arrependo disso, mas quero fazer tudo certo dessa vez.
— Eu espero mesmo que você se arrependa disso para sempre, mas quero que saiba que eu não preciso de um pai agora. A minha família está aqui nessa empresa, são os meus companheiros de banda. Minha família é o Jisung, que cuidou de mim quando eu estava sobrecarregado trabalhando em três lugares diferentes para pagar os tratamentos. Não você, que foi embora porque se assustou. Eu me assustei, mas nunca fugi, eu continuei aqui porque fui homem o suficiente para fazer isso.
— Eu tenho uma filha pequena. Você tem uma irmã. — ele disse. — Eu preciso de ajuda para custear o tratamento da bronquiolite, perdi o meu emprego e sua madrasta nos deixou.
O peso daquela frase me atingiu com força, precisei de uns minutos em silêncio para digerir o que ouvi.
— Se eu fosse uma pessoa ruim, estaria feliz por você estar passando exatamente o que nós passamos quando se mandou sem nem olhar para trás, mas essa criança não tem culpa nenhuma do indivíduo que chama de pai. — suspirei, cabisbaixo. — Minha mãe não gostaria de saber que eu não o ajudei por puro rancor e não foi assim que ela me criou. Deixe o número da sua conta com o meu agente e ele cuidará do que você precisa, agora suma daqui e da minha vida.
— Anne quer conhecer você. — ele sussurrou, contive as lágrimas que queriam sair.
— Você não sente vergonha? — perguntei ao me aproximar, estávamos cara a cara e tudo o que eu mais queria era gritar com ele até não ter mais voz. — Você some por anos, depois reaparece do mais absoluto nada me pedindo dinheiro e ainda me diz que a minha "irmã" quer me conhecer? E ainda tem coragem de me dizer com o maior orgulho que o nome que sua filha carrega é o mesmo nome da esposa doente que você deixou para trás?
— Você está no seu total direito de ter rancor e estar chateado comigo, mas não pode me tratar assim.
Não consegui mais impedir o choro, senti a minha garganta se fechar e o nariz arder.
— Eu vou te tratar como eu bem entender, o jeito que estou te tratando agora sequer chega perto de como você tratou a minha mãe e a Sammy. Por favor, vai embora daqui.
— Se a bronquiolite for fatal, eu espero que você não carregue novamente em seu peito a culpa de não ter aproveitado tudo o que pôde por um rancor estúpido que guarda consigo.
— Suma daqui. AGORA.
Quando a porta bateu, me virei para o lado e peguei um vaso de plantas, o arremessei na parede e conforme os vidros se espalhavam, eu sentia meu coração se quebrando novamente. Me sentei no chão, em meio aos cacos e abracei as minhas pernas enquanto me engasgava no meu próprio choro. Maldita seja essa sensibilidade estúpida.
— Ei. — a porta foi aberta novamente e dessa vez eu soube quem era, mas já não tinha mais forças para brigar. — Me desculpe entrar assim, eu ouvi o barulho de vidro e fiquei preocupado. Minho...?
Senti o meu corpo ser arrastado para perto do de Felix e os seus braços rodearem meus ombros.
— Calma, está tudo bem. Eu estou aqui com você...
Fechei os olhos, afundando no calor daquele abraço, deixando a dor escapar em lágrimas silenciosas.
— Vai ficar tudo bem, eu te prometo... — sussurrou, enquanto acariciava os meus cabelos.
Segurei firme em seus braços e me escorei em si.
— Felix... Por que dói tanto?
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blank space - minlix
Roman d'amourFelix e Minho são da mesma gravadora, mas seus caminhos nunca haviam se cruzado até certo momento. Minho, o guitarrista e vocalista de uma famosa banda de pop recebe uma proposta para colaborar em uma parceria com Lee Felix, o solista de sua empresa...
