Capítulo 23

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MINHO
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Depois que fomos embora da casa de Felix, passei o dia todo pensando na bagunça que a minha vida se tornou depois que virei cantor. Tudo virou de cabeça para baixo.

Abri a porta do meu quarto e andei até o cômodo em que Jisung e eu fizemos um estúdio improvisado. Me joguei no sofá, com o meu caderno e caneta em mãos. Ele estava dormindo nesse exato momento, passei em seu quarto antes de vir até aqui, o isolamento acústico me permitiria extravasar sem incomodá-lo.

Peguei o meu telefone e liguei o gravador de voz, deixei ele ao meu lado e posicionei o meu violão ao meu lado.

FLASHBACK

LAGUM - Eu sou a última nuvem do céu.

No caminho de volta, eu passei a analisar tudo o que via com cuidado. O pássaro cantando em cima de um muro baixo, o sol se pondo conforme a estação mudava, a flor que desabrochava em um jardim. Eu vi tudo o que ninguém via pela pressa de se viver o agora no mundo. Qualquer coisa que percebia, me refletia a dor de todas a coisas que já quis ser, mas não fui. Todas as versões de mim que poderia viver, mas não fui nenhuma.

Abri a porta de casa e a minha mãe estava com a Sam na sala, tricotando enquanto conversavam sobre algum programa que assistiam juntas. Tirei os meus sapatos e depositei um selar na bochecha de cada uma.

— Como foi sua aula, filho?

— Chata, mãe.

— Sempre é chata pra ele. — Samantha riu.

— Não há como negar. Mãe...

Ela me encarou, desconfiada. Sabia que eu já estava pronto para pedir algo e já estava certa do que era.

— Só se vocês dormirem na sala, Chaeryeong não irá ficar sozinha no quarto com quatro rapazes.

— Quatro rapazes confiáveis, dona Anne.

— Não duvido disso, mas pode ser desconfortável para ela. Passa na loja e conversa com o seu pai sobre, ok?

Senti meu peito apertar e a garganta se fechar, encarei a minha irmã, que me lançou um olhar de segurança.

— Eu vou com você, Lino. — se levantou do chão em um pulo. — Wooseok disse que ia deixar uns livros da faculdade lá pra mim.

[...]

— Oi. — me apoiei no balcão do supermercado e encarei meu pai.

— 'Tô ocupado, Minho. Diz logo o que quer e vai embora.

Sam me direcionou um sorriso amarelo, meio triste. Era assim que ele ficava quando ele decidia que eu não era o o suficiente para ser digno de seu amor... como filho.

— Mamãe me disse pra te perguntar se eu posso levar uns amigos pra dormir lá em casa hoje. A gente tem um audição marcada pra amanhã e como eles moram longe, lá em casa fica mais perto.

— Como você é teimoso. — bufou. — Já te mandei procurar um emprego de verdade e parar com essa história estúpida de bancar de cantor.

Fechei os olhos com força.

— Só me responde. Sim ou não?

— Tá, tanto faz.

Como se ser cantor não fosse um emprego de verdade.

— Ei, Sam. Você vai ficar? — ela me olhou de relance, negando com a cabeça.

— Vai voltar para a sua outra família hoje? — questionou e eu a puxei para trás de mim quando ele ameaçou levantar a mão para atingi-la.

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