Capítulo 24

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FELIX
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Quando vi o meu telefone tocar, estranhei o nome que apareceu no visor. Por que Minho estava me ligando aquela hora da noite?

— Desculpa te ligar. — ele disse. — Mas eu só precisava desabafar e o Han já sabe essa história de cor.

— Tudo bem. — eu sussurrei. — Fico feliz que você esteja contando isso para mim.

— Eu sinto falta delas e tenho muito medo de que eu esteja seguindo o caminho errado.

— Tenho certeza que elas estão muito orgulhosas e olha... Eu não acho que tenha um caminho errado ou certo a se seguir e tá tudo bem. Ninguém precisa ter um caminho programado e ideias certas a vida toda, a gente pode se permitir só seguir o fluxo.

— Eu... Eu não sei nada sobre você. — ele afirmou, em um tom de voz baixo. Parecia ter medo de perguntar, parecia ter medo de se aprofundar em mim.

— Não tem muito o que saber. Como você mesmo disse, eu vim de uma família rica e não passei nenhuma dificuldade financeira.

— Mas e o que o dinheiro não compra?

— O que...?

— O amor. A felicidade. Essas coisas não são compradas pelo dinheiro. Você teve isso?

— Segundo a Olivia, sim. Mas nunca me senti amado pelos meus pais e tudo piorou quando a minha sexualidade veio a tona.

— O que eles fizeram?

— Me expulsaram de casa. — ri em escárnio. — Jogaram todas as minhas roupas na rua e eu apareci no jornal como o desgosto da família política. Meses depois, apareci em uma manchete como cantor novidade e o meu pai tirou tudo do meu nome. Ele até me mandou uma notificação extrajudicial para retirar o meu sobrenome.

— Eu iria dizer que não é possível que um pai faça isso ao filho, mas percebi que sim, é totalmente possível. — suspirou. — Eu sinto muito. E... As suas irmãs? Olivia me disse que não eram só vocês.

— Rachel mora no Brasil já tem 6 anos, assim que consegui juntar uma grana, tirei Olivia de casa e fomos morar em um apartamento que era bem apertado, mas naquele momento, era nosso. Naquele momento, nossos pais não tinham influência nenhuma sobre a gente, nem financeira, nem nada.

Fiquei em silêncio por um momento.

— Eu desenvolvi ansiedade e a depressão da Olivia piorou muito, quando eu não estava mais conseguindo lidar com nada ao meu redor, ela foi morar com o Hyunjin.

— Você já passou dificuldades sim, né? Por mais que um pouco antes, tenha me dito que não.

— Quando eu saí da casa dos meus pais, eu não tinha quase nada. Estava com pouquíssimo dinheiro e me neguei a pedir ajuda aos meus amigos, era muito vergonhoso para mim. Como uma pessoa que tinha tudo, era um bom filho, irmão, amigo, aluno, pessoa, passa a ter nada por ter sido tirado do armário? Morei alguns meses com a minha avó, mas ela era bem de idade e já não lembrava mais de mim por conta do Alzheimer, então era bem... difícil. Eu cantava em alguns bares, tocava violão na rua, participava de alguns eventos... E aí a Toni me viu.

— Foi quase o mesmo comigo. A Toni é um pouco complicada às vezes, mas ela salvou a minha vida. Eu consegui ter um pouco mais de tempo com a minha irmã por causa dela, ela pagou parte do tratamento e nunca cobrou nada em troca.

— Ela é uma mulher incrível.

— É irônico, eu te julguei muito e eu não sabia nem metade de todas as merdas por quais você passou.

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