A dor queimou seu corpo, cada fibra doendo, como se chamas lambessem sua pele.
Seu braço direito e três dedos foram cruelmente cortados, mas a podridão persistiu.
Viserys cerrou a mandíbula, seu rosto contorcido em uma careta enquanto ele suportava a dor que atormentava sua forma agora frágil e enfraquecida.
O ar estava pesado com o cheiro metálico de sangue e o fedor acre de decomposição.
A sala ecoava com os gemidos agonizantes que escapavam de seus lábios, misturando-se ao crepitar agudo das chamas na lareira.
Ano após ano desse tormento implacável, tudo o que Viserys conseguia pensar era em quão completa e irrevogavelmente tolo ele tinha sido.
Apesar de suas esperanças, Aegon continuou em seus modos depravados e libertinos, uma fonte de constante aborrecimento que superava a de seu irmão e filha juntos.
A ambição de Aemond queimava tão ferozmente como sempre, e pelas confidências compartilhadas pelo Lorde Comandante Westerling, era evidente que o rapaz estava envolvido em esquemas preocupantes. E quanto a Daeron... Viserys mal conseguia suportar pensar nele.
Nenhum de seus filhos era digno de sentar no trono, incapaz de continuar o legado de Aegon, o Conquistador.
Todos os seus esforços, todos os sacrifícios que ele fez, não deram em nada.
Viserys estava profundamente ciente de que o tempo não estava do seu lado.
O Estranho parecia se aproximar cada vez mais, não, ele já estava aqui; ele estava cego demais por sua própria angústia para vê-lo, tomando a forma de sua esposa morta, alimentando-se vorazmente de cada grama de seu sofrimento até que ele finalmente fosse saciado.
No entanto, Viserys não podia se render, ainda não. Ele tinha que fazer alguma coisa, mas o quê?
A resposta o iludiu por um tempo, mas ele não podia simplesmente ficar parado e assistir o reino pagar o preço por seus erros.
Ele precisava de mais tempo. Tempo para recuperar suas forças. Para salvar a bagunça que ele havia criado. Para garantir que o legado de seu avô não fosse perdido.
Ele é Viserys Targaryen, filho de Baelon, o Bravo. Ele não desistiria sem lutar.
E então?
Enviou cartas a todos os cantos do Reino e além. Convocando seu irmão.
Enviou inúmeras cartas e mensageiros para sua filha. Para Prima. Para sua família.
E no entanto. Nenhum deles respondeu.
Eles o renegaram.
O abandonaram e seguiram com suas famílias...
Na escuridão de seus aposentos, o rangido da porta se abrindo chegou aos seus ouvidos, quebrando o silêncio.
"Tem alguém aí?"
Viserys gritou, sua voz ecoando no vazio mais como um sussuro, sendo recebida apenas pela assombrosa ausência de uma resposta.
Ela também não está aqui esta noite.
Aemma...
Um nó se formou em sua garganta, uma sensação de mau presságio se apoderou dele. Onde a Guarda Real estava posicionada do lado de fora de seu quarto?
Algo estava errado.
Viserys percebeu logo, mesmo com sua mente nublada.
O que o levou a sair mancando da cama, apoiando-se pesadamente em sua bengala para se apoiar.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Sonhos e Sangue
FanfictionCAPA PROVISÓRIA Eles sonham. A Dança dos Dragões era um sonho vivido e terrivel para aqueles com sangue valíriano. A queda da última verdadeira casa Valíria. A Casa Targaryen. Mas eles poderiam impedir isso? Poderiam mudar o futuro? O Rei Viser...
