Planos, Mapas e Suspiros

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Os dragões circulavam o céu em euforia, como se notícias felizes os mantivessem assim. Notícias felizes de dragões não eram nada além de presságios para muitos....

Já disseram uma vez que dragões eram uma parte compartilhada das almas de seus montadores.

Se assim fosse seriam muitas as coisas autoexplicativos. Como o fato de que os dragões da jovens princesas Aemma e Daella eram dóceis, gentis e amáveis.

Ou como o dragão do jovem Príncipe Jacaerys era quieto e reticente até o momento oportuno para atacar.

Até mesmo as formas das lindas feras aladas compartilhadas pelos príncipes Lucerys e Aerys pareciam compartilhar seu temperamento; suas inseguranças, sensibilidades e anseios.

Alguns aguardando por uma luta.

Outros aguardando por um fim.

Talvez essa fosse a principal preocupação para aqueles que circulavam os Targaryen, de Dragonstone ou Porto Real.

Nunca poderiam ser mais diferentes uns dos outros mesmo se quisessem. No entanto, também nunca poderiam ser mais parecidos.

A altura que Rhaenyra leu, finalmente, a carta da Consorte Real, Traidora, e autointitulada Rainha-Mãe, luas já haviam se passado, não se preocupando em remoer um passado doloroso como seu antigo eu no sonhar.

E ainda assim...

Permitiu que a carta permanecesse em sua mesa, a encarando e delineando suas escolhas. Até seu marido dizer;

"Faça o que faça. Você não pode se esconder. Frente isso, querida. Você, mais do que todos aqui, é quem pode e tem direito a isso."

Ela assentiu, e suspirando abriu a carta e leu as duas primeiras linhas, antes de revirando os olhos a jogasse na lareira atrás de si no escritório.

Detinha mais com o que se preocupar do que com a vida medíocre de uma mulher que cortou suas amizades, atacou com crueldade e agora advinha em busca de... redenção ou perdão talvez?

Não tinha certeza.

E nem queria.

Pessoas assim não circularam mais ao seu redor em busca de fraquezas e astenia.

Levantando-se, ela passou pelas portas conectadas, enormes madeiras adornadas com o entalhe primitivo de dragões antigos de uma época que já não existe mais.

Valíria seria diferente se ainda vivesse.

Ou talvez sucumbisse devido ao poder e anseio de outros. Como Westeros.

Não tinha como saber.

E não desejava simples reviver pelas lembranças de uma ancestralidade inata.

Era ali, hoje. Agora. Presente. Futuro.

Isso pelo qual lutava;

Seus filhos.

Sua família.

Seu sangue.

Suspirando, ela atravessou a sala até a mesa pintada, pondo lentamente suas mãos nas laterais frias da terra enquanto observava o mapa dos sete Reinos, ignorando ao lado o mapa mais atual, talhado em cranito e obsidiana com todas as terras conhecidas além dos Sete Reinos e do Mar Fumegante e de Verão.

Um projeto auspicioso de seu filho que mostrou rentável o suficiente para alcançarem uma linha tênue com a região meridional de Essos, Sothoryos e Ulthos, embora menores, não menos surpreendentes com suas capacidades.

Observando as linhas avermelhadas como larvas endurecidas e claras, Rhaenyra dedilhou as regiões centrais que estavam na grande disputa unilateral do Trono.

Os Hightower já perderam o favor dos Baratheon e dos Lannisters. E não possuíam herdeiros ou mais descendência com sangue de dragão.

O Rei era um louco que a cada dia parecia mais determinado a superar seu impiedoso ancestral; Maegor, o Cruel.

E a corte caia as moscas entre mortes e fugas de empregados e senhores apavorados.

Muitos admitiam que os Deuses fizeram bem em não permitir que as bestas de Alicent tivessem filhos.

Rhaenyra riu com tais comentários.

Deuses eram muitas coisas. Piedosos e gentis não estavam entre eles. E a maioria não se importaria com a vida de meros mortais.

Foram suas ações que protegerem sua descendência.

Suas escolhas que marcaram este exato momento.

E eram suas decisões que traçariam o futuro do mundo como conhecido.

Suspirando, ela ergueu o rosto quando observou a porta abrir levemente e o torso do seu filho mais velho aparecer, os dragões ainda região ao fundo, brincando felizes com seus cavaleiros jovens e seguros nas costas, como lutou para ser.

Contudo, ainda havia muitas coisas a serem feitas.

"Mãe..." Jacaerys foi surpreendido pela presença da mulher, parando levemente antes de seguir a mesa do canto e depositar os enormes pergaminhos que carregava em seus braços. "Devo me retirar?"

"Porque não seguiu com seus irmãos aos céus? Está uma bela tarde."

Sorriu levemente, vendo a determinação e foco do seu filho mais velho, sempre o jovem diligente.

"Pensei em me juntar a eles depois de analisar esses pergaminhos com os mapas."

Rhaenyra levemente acenou com a cabeça em discordância.

"Vá agora, querido. Aproveite, terá muito tempo para ficar preso com deveres."

Jacaerys pareceu querer recusar por um momento, mas lentamente desinflou seus ombros e assentiu, seguindo rapidamente até sua mãe e a beijando na testa, antes de acenar e se retirar.

Rhaenyra o observou com afeto claro nos olhos.

Eles estariam seguros.

Garantiu isso.

E por mais que o pavor e a pusilanimidade adornassem sua espinha, sabia o que precisava fazer.

Suspirando, abaixou novamente a cabeça em direção ao mapa, lentamente pegando os pequenos adornos identificáveis com colorações e distinções de casas e cores da região, outros adornados com singelos, símbolos e adornos de casas menores. Ela os ignorou, esses menos importantes no jogo atual das coisas, pegando aqueles simples e singelos, docemente esculpidos por seus próprios filhos.

Pegou cada um deles e os separou, lentamente colocando em meio a respirações frágeis em cada ponto a ser planejado e enviados.

Jacaerys para os Baratheon.

Aerys para os Lannisters.

Com o apoio eminente do Norte, do Vale e até mesmo das terras Fluviais e das Ilhas de Ferro e Dorne, só precisavam lidar com as terras ocidentais, terras das tempestades e a campina, que estava se quebrando sozinha e caindo de joelhos, embora já tivesse alguns aliados em Senhores locais espalhados pelas terras.

Assim, pouco precisaria mover mais adiante.

E por isso...

E Lucerys ficou para trás. Enviando em vez disso para os Celtigar, onde em conluio com os Velaryon, preparavam as guarnições.

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