Conselhos e Maus Conselhos

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Prometi, e entreguei. Dois capítulos, um pouco menor, mas ainda assim intenso, acredito que alguns tem boas perguntas nesse dia, entao; o que me dizem, quem morreu? Como acha que Nyra e os outros vão devolver?

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Às vezes ouvir um conselho bem intencionado poderia os servir bem. Às vezes, observar em silêncio, analisando criticamente era melhor do que agir primeiro e por impulso. Em certos momentos, não fazer nada poderia significar ganhar tudo.

E ainda assim. Ali estava ele. Sozinho. Com gritos roucos em sua garganta e sua vida se esvaindo lentamente de sua consciência.

E tudo por conta da decisão precipitada e indefinida de seu neto.

Aemond Targaryen, Rei Maligno, o digno herdeiro do Cruel, como alguns o chamavam em sussuros, sentava-se em seu trono, olhos arregalados de raiva e sede de vingança.

Uma fúria intensa incessante o colidia, uma chama que ardia dentro de si sen controle, consumindo sua alma. Ele não podia permitir que seu povo, seus servos desafiassem sua autoridade e vivessem para contar a história.

Espere até ele tomar posse do que é seu. Até ter um dragão....

"Eu vou mostrar a ele o verdadeiro significado de poder..." Sussurrou com sorriso lívido.

Seu rosto contorcido em uma máscara de ódio. Ele estava determinado a destruir a prostituta de sua meia-irmã e seus bastardos, a arrancar-lhe a vida e a deixá-los como um exemplo para todos aqueles que ousassem desafiar sua autoridade.

Aemond não se importava com as consequências, não se importava com o custo em vidas humanas. Ele apenas queria vingança. O que aos seus olhos era seu e fora negado.

Otto Hightower, Mão do Rei, aproximou-se dele, tentando acalmar a perversidade feia que culminará seu neto descontrolado, o fazendo sentir desgosto ao saber que seu próprio sangue conseguia superar, em mil, seu maior algoz.

"Vossa Majestade, talvez devêssemos reconsiderar nossa estratégia. Se não o assassino não tiver matado Rhaenyra ou seu marido, isso foi um erro que pode custar tudo. Precisamos premeditar cuidadosamente os próximos passos."

Contudo, ele era o Rei, um que não desejava ouvir ou ver a verdade. Assim como seu maldito pai.

Enquanto um era cego pela banalidade e jubilosidade, outro era cego pela raiva e pela sede de vingança. Ele não podia ver que sua estratégia era errada, que estava levando Westeros à ruína.

Alicent Hightower, Rainha-Mãe, tentava acalmar Aemond, mas ele não queria ouvir.

"Talvez os deuses estejam ao nosso lado. Talvez Rhaenyra esteja morta, e Dragonstone esteja instável."

"Ela possui herdeiros. Muitos deles, que possuem dragões." Otto os lembrou entredentes.

"Isso não importa." O Rei afirmou com uma voz carregada de arrogância por sua posição. "Dragonstone mostra não ser impenetrável, além disso, uma invasão colocará todos em aviso e desordem, desestabilizados, com medo. Duvido muito que consigam reagir, surpresos por minha ação. Quero que envie um navio de mercenários e soldados mais leais e fortes para penetrar nas ilhas e tomá-la a força. Mate todos no caminho, não me importo. Os escorpiões já estão prontos, use-os bem."

"Majestade, isso..."

"Isso não foi um pedido, Lorde Mao. Foi uma ordem, alta e clara." O mesmo o olhou com arrogância. " A idade o está deixando débil? Preciso procurar outra pessoa mais capaz de assumir seu posto."

A expressão dura e fechada do homem mais velho era nítida de que havia muito desejo de falar mais, porém sua cabeça se inclinou, ligeiramente, antes de negar e se desculpar com seu Rei.

A coroa enviou então, um completo arsenal de soldados ao Mar Estreito, acreditando já em uma vitória sem justificativa e sem seguranças, e assim como previsto por muitos, como previsto pela Mão, tudo decaiu.

Menos de dois dias depois, os soldados retornaram, ou melhor, suas cabeças foram enviadas de volta, na verdade, entregues praticamente em maos.

O Rei Aemond pode não demonstrar, mas todos os outros deixaram claro seu receio e surpresa ao ver as cabeças organizadas na mesa do Conselho Privado, com um bilhete anexado àquela que jazia na frente da Cadeira do Rei, aquela pertencente ao assassino enviado primeiro.

Os olhos do homens haviam sido grotescamente costurados, e pelo líquido escorregando entre as linhas, possivelmente quando o homem ainda estava vivo e com os dois olhos dentro. Sua boca ao contrário dos olhos estava aberta, não totalmente, mas o suficiente para que um alfinete grosso passasse por seus lábios, de cima à baixo, o atravessando enquanto entre os lábios jazia um bilhete de pergaminho curto e claro, sem enigmas ou dúvidas, a mensagem era alta e clara;

"Sangue Por Sangue. Vida Por Vida."

Aemond sentiu um arrepio, todos sentiram. Ele sabia que essa era apenas o começo. A guerra estava longe de terminar. Ele olhou em volta, procurando por alguém para culpar, mas não poderia usar de bode expiatório aqueles que estavam ali presentes, o limite de sua insanidade não jazia totalmente perdido, aparentemente.

E assim, todos ali iniciaram os preparativos. Se acreditavam que conheciam a guerra, os Black estavam prontos para mostrar então o que era um massacre.

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