A Canção dos Mortos

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Os sinos em Porto Real tocaram, mas infelizmente não seria com as melhores notícias, na verdade, a morte parecia assolar a capital como um manto negro, espesso e cumprido, de forma que parecia os prender sem escapatória.

Em um ano incompleto houve cinco mortes entre os Targaryen, iniciando pelo Rei Viserys I, e terminando em Helaena Targaryen.

Agora no entanto, foi o momento de Daeron Targaryen enfrentar o estranho. Em uma rebelião impensada contra a tirania de seu irmão, o mais novo dos filhos do falecido Rei Viserys, teria pegado sua sobrinha sobrevivente, Jehaera, assim como sua mãe, e tentado fugir.

Pego, o mesmo seria enviado para ser preso nas celas negras até aprender a se comportar. E no entanto, ainda se mantém misterioso o que causaria sua morte entre aquelas paredes.

Tortura sob as mãos do irmão? Ou somente suas ordens? Um estranho? Ou um aliado negro enviado....

Muitos eram os sussuros ao redor da corte e além, mas a certeza só bastava uma. Não havia mais uma linguagem masculina nos Targaryen, ao menos não com os verdes, além do próprio Aemond.

Sem um herdeiro claro definido, a coroa estaria supostamente vulnerável, como se via a quase vinte anos atrás. Mas ao contrário de seu pai que ainda detinha dois potenciais herdeiros, o auto-coroado Rei Aemond Targaryen, o Primeiro de Seu Nome, só possuía, em família direta, a filha de seu irmão, Jehaera Targaryen, a gêmea do pequeno rei, já falecido.

Movido talvez pela ganância, ou senso de superioridade masculina, dada por sua mãe e avó, o mesmo não ousara declarar sua sobrinha sua sucessora, em questão, o homem imediatamente reivindicou uma esposa, Lady Cassandra Baratheon, como sua esposa, para poder ter filhos, e herdeiros supostamente legítimos ao trono.

Desconsiderando a usurpação ocorrida duas vezes entre sua família. De Aegon II, contra sua meia-irmã, Rhaenyra, e dele mesmo ao seu irmão, considerando também o assassinato de parentes.

E no entanto, assim como a morte de Aegon II, todos seriam obrigados a vendar os olhos e acreditar no que era dito.

Ao menos fora das sombras...

Mas os sussurros de olhos vendados e bocas pressionadas afirmaram por toda a Cidade do Rei e além, Aemond Targaryen assassinou seus irmãos, assim como seu ancestral. E assim como ele... teria sido condenado pelos deuses.

Não havia semente para florescer de algo tão seco e distorcido. E após quatro meses, após a Rainha Consorte Cassandra Targaryen ainda correr com seu sangue lunar, o Rei seria visto enfurecido, tentando ser controlado para o Rei para não matá-la ou tomar outra história.

O povo morria de fome, frio e doenças. E ainda assim, a coroa nada faria. O Conselho tentaria estabelecer meios de ajudar, minimamente, a população, desejando cessar qualquer ideias de rebeliões, mas seu Rei não possuía o mesmo pensamento.

"Se eles desejam se rebelar, que venham. Mostrarei do que o Sangue do Dragão é capaz."

Mais de cento e cinquenta homens, mulheres e crianças inocentes foram mortos em uma demonstração de força comandado pelo Rei na cidade, invadindo a fora dos portões do castelo e matando sem piedade qualquer um fora de suas casas após um toque de recolher repentinamente posto.

Suas cabeças foram enviadas as estacas, e seus corpos espalhados em praças para serem comidos pelos cães.

O mesmo então passaria a planejar saquear casas que em sua mente distorcida, ou nem tanto, apoiavam sua irmã-prostituta, iniciando por aquelas que ele se lembrava de terem contratos comerciais com Dragonstone; e sua primeira escolha seria Pouso de Gralhas,  a fortaleza sede da Casa Staunton nas Terras da Coroa.

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