Sangue E sangue

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Rhaenyra respirou dundo enquanto descia às profundezas da escuridão dos âmbitos mais profundos da Fortaleza, acompanhada pela sombria e furiosa de Sara Snow.

Juntas, elas percorreram os corredores sinuosos do castelo, iluminados apenas pelas velas que tremiam como se estivessem possuídas por uma força maligna, com o som do aço ressoando ao seu redor.

O ar estava saturado com o fedor da morte e da decadência, como se a própria essência da cidade estivesse em putrefação.

A princesa respirou fundo, como se estivesse se preparando para uma batalha, para um banho de sangue, algo que poderia descer ao próprio abismo da loucura.

Ao longo do caminho, entte as ameias e as colunas, se encontrariam com o príncipe consorte, o Lobo agorento e silencioso, que as esperava com uma expressão sombria e solene.

Fosse o que fosse.

Até mesmo as sombras da noite sabiam; alguém iria pagar.

Parados frente a frente, se olharam com uma intensidade que parecia queimar a alma.

Seu marido não era tolo, Rhaenyra sabia, ele poderia não reconhecer os deuses ou a linha traçada do destino como ela, mas sabia que estava preocupado, mas também sabia ele que preparado.

Preparado para protegê-la. Sempre.

Para proteger seus filhos. Ad aeternum.

Para defender a vida que construíram e o futuro que viria disso. Com sua vida.

Eoe a apoiaria em sua decisão, não importa o que fosse. E lentamente o homem assentiu, como se estivesse dando sua bênção para o que estava por vir.

A Rhaenyra o beijou lentamente nos lábios, e então, seguindo com Sara continuou em frente, deixando o príncipe consorte para trás.

Elas percorreram mais corredores sinuosos, mais escadas escuras, até que finalmente chegaram a uma porta de madeira escura e entalhada. De onde Rhaenyra já poderia sentir o calor emanar de dentro como se fosse a própria abertura para o reino fervente dos Infernais.

A porta estava adornada com símbolos arcanos dos primeiros valirianos, que pareciam pulsar com uma energia envolvente e sedutora.

Ela respirou fundo, como se estivesse se preparando e olhou para sua amiga, a mulher da qual mais do que todos tinha o direito da fúria justa que assolava seu peito.

Essa, que assentiu lentamente, com os olhos brilhando de aço, gelo, fogo e sangue, que tinha as mãos firmes em seu vestido e um grito quebrando que trancou sua garganta.

Rhaenyra por um momento pensou em um lugar do passando, uma memória distante de seus sonhos.

Olho por olho.

Sangue por sangue.

A vingança não trará uma vida de volta.

Mas ela também não acredita mais em justiça.

A equanimidade era uma ilusao dada aos fracos, aos ingenuos e aos perdoadores.

Ela sabe disso.

Sentiu na pele.

Com cada gota sendo arrancada, cada respiração que teceu seu pulmao.

Ela não poderá mudar isso por ela. Pela mulher que entregou sua devoção e fé em si, mas fará com que os algozes, esses que tiraram seu sangue, sua vida, pagassem.

Direta ou indiretamente.

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