24| good night

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Espiava pela fresta da sacada já pronto, saboreando o uísque puro que ficava no recipiente de cristal na mesa de cabeceira impaciente com a demora com que minha chamada não era atendida, via uma linda Lamborghini azul escuro seguida por alguns outros automóveis de luxo ingressando no prédio. O telefone apitava no ouvido e eu voltava apoiando o copo que tinha esvaziado ao ouvir sua voz.

- Como está?

- Isso vai ser um pouco maior do que pensei.

- Imaginei isso, dei alguns toques, não vai ser nada diferente do que já está acostumado.

- De que toques está falando?

- Vai receber meu presentinho daqui a pouco, não esqueça que estou de olho em você, se divirta.- O tom sorridente do outro lado da chamada me incomodava por sua calma.

- Aliás, ele conseguiu fazer um bom trabalho.

- Fizeram as pazes rápido.

- Sabe que vai acabar quando voltar.

- Off, pode enganar todos ao seu redor menos a mim. Não tira o nome desse pirralho da sua boca desde o dia que a boca dele foi parar em outro lugar.

- Gumpa!

- Não faça nada burro e nos traga lucro.

A tela preta sinalizando o fim da chamada era o suficiente para saber que estava na hora, olhava uma última vez no grande espelho do closet ajustando incomodado com a gravata e logo sumia pelo corredor. Eu espiava pela escada vendo o seu corpo esparramado no sofá e logo seu olhar desgrudar do celular, agora descendo e subindo sobre mim me fazendo perceber o quanto ele estava lindo. O cabelo perfeitamente bagunçado, os acessórios chamativos e como qualquer roupa cairia bem nele, em especial, ele fez questão da que marcasse perfeitamente cada centímetro de sua cintura fina, mesmo de preto da cabeça aos pés ele brilhava por completo.

- Não.

- Não, o que?

- Não costumo criticar o seu senso de estilo, no geral acho que o minimalismo cai com bastante classe em você é só que....

Ele levantava do sofá vindo até mim, segurando a corrente dourada no meu pescoço, só acompanhava seus movimentos com os olhos.

- O que foi? É Valentino baby, nunca viu um?

Sua risada tomava um som na sala.
- É claro que já vi. Não orna, ouro com prata. O anel da família, o broche, o relógio e o detalhe do smoking... todos prata.

- Mas eu já vi você fazendo isso.

- Eu tenho licença poética.- Ele alcançava o próprio colar tirando com facilidade.- Vamos trocar, esse deve servir.

Eu revirava os olhos vendo ele subir no sofá alcançado o meu próprio o tirando com agilidade e substituindo pelo seu, voltando rapidamente pra sua posição inicial. Agora o rosto rabugento e o cento enrugado eram substituídos pelos olhos redondos brilhantes e as covinhas discretas. Os dedos passavam ainda pelo adereço arrumando qualquer assimetria que pudesse alcançar seus olhos. Seu cuidado me fazia faltar o ar ficando quase imóvel com a sua proximidade.

- Perfeito.

- Eu sou perfeito?

O sorriso sumia lentamente enquanto ele voltava a sua atenção pra mim. Eu esperava ver seu olhar desafiador mas ainda via as belas órbitas cor de jabuticaba, tão brilhantes que pareciam roubar a luz do ambiente. Meu pigarreio fazia ele ruborizar e fazer o cenho enrugar novamente quando não pude evitar soltar um sorriso.

- Do que tá rindo? Convencido. Se não fosse por mim cometeria um erro de principiante, agora faz sentido Gumpa escolher até suas roupas.

- Até que ouro cai bem em você.

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