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Pisava ao raiar do sol carregando apenas o necessário, estava temeroso e o frio na barriga se transformava em um enjôo. Pousava o telefone no ouvido sendo atendido de imediato.

- Rain, querido.- Senti alívio por ser atendido mesmo aquela hora.

- Gun? O que foi?- Sua voz sonolenta atingiu meus ouvidos assumindo um tom preocupado.

Estava preocupado pela possibilidade de ter tido as chamadas grampeadas.

- Diga ao Payu que eu já estou esperando ele, no aeroporto.

- Aeroporto? Tá tudo bem?

Mesmo que eu estivesse preparado pra essa pergunta algo me calava fazendo engolir seco e o silêncio se instalar por alguns segundos.

- Sim, Rain.

Ouvi dessa vez sua voz se calar e apenas pude escutar o som de revirar na cama. [Amor, algo aconteceu.] [Hm?] [É P'Gun, se levante].

- Ok, Gun. Me liga.

A mensagem já tinha sido passada e recebida com sucesso. Apenas digitei o número do portão e o aguardei no mesmo quando o carro preto parava ao meu lado, via sua imagem pela pequena fresta que ele havia aberto do vidro da frente. Logo eu estava no banco do passageiro. Massageava minha têmporas. Simplesmente nem sabia por onde começar.

- O que deu errado?

- Off sumiu numa missão, perdi o contato com Gumpa logo depois disso. Todos estão em silêncio ninguém me contatou, muito menos os sócios. É algo grande.

- Pra onde vamos?

- Pra minha casa.

- Não é muito arriscado?

- Arriscado foi ter se metido conosco, sem Off, eu estou no comando. Quero saber o que aconteceu em casa e volto pra sede preparado.

- Por isso preferiu me chamar?

- Não quero levantar suspeitas, tentar entender o silêncio na sede e sei que você é leal a nós apesar de não trabalharmos mais juntos.

- Eu devo muito a vocês dois pode acreditar que estarei ao seu lado.- Suas palavras eram sinceras assim como o sorriso fraco que tinha no rosto, via de longe a aliança prata na mão direita.

- Como está Rain e as crianças?

- Estamos bem, é ótimo poder seguir o sonho de dar aulas de luta, temos os mesmos alunos e estamos economizando pra podermos abrir o nosso próprio espaço.

- Quando vai o pedir em casamento já estão noivos à um bom tempo.

- Logo após a sua benção.

- Sabe que sempre teve, confio em você, sempre confiei.

Payu pousou a mão no meu ombro fazendo eu respirar fundo e seguia o caminho em silêncio. Minha mente estava a mil eu mal conseguia destravar meu maxilar e começava a sentir o sangue ferver, sentia o medo e a raiva aflorados conforme as perguntas surgiam em minha mente.

Andávamos pelo quintal logo depois de chegar. A porta de vidro da sala estava aberta, as luzes acesas e a mesa de centro que era de vidro estava quebrada junto a cacos de vidro de copos, uma garrafa de uísque e um cinzeiro. Tinha sangue. Tive medo de me abalar mas o choque me impedia de ter qualquer reação precipitada e deduzir qualquer coisa, algo mudou minha percepção logo em seguida, vi Babe no pé da escada. Me ajoelhei ao seu lado e passei a mão levemente sobre seu corpinho, a segurei no colo e a ninei pela última vez os olhos fechados serenos. Covardes. Eles eram uns covardes.

- Gun.

A mão de Payu segurava meu ombro e ele se abaixava atrás de mim. Minha visão embaçava e a respiração ofegante deixando escapar alguns soluços mesmo sem nenhuma lágrima escorrer. Eu sentia como se algo tivesse sido arrancado diretamente do meu peito e esmagado na minha frente, iria fazer eles pagarem logo depois de ter Off de volta. A mão de Payu estava sobre meu peito enquanto eu segurava com mais força Babe em meus braços, as mãos tremiam enquanto minha cabeça pendia pra frente.

IMPETUOSOSOnde histórias criam vida. Descubra agora