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- Não acha estranho ele nos chamar do nada pra nos ver?- Indagava tirando Dunk de seus devaneios acadêmicos.

- Ele não me pareceu bravo, então não sabe de nada, é nítido quando Tawan está bravo.

- Se fosse eu não estaria apreensivo não tenho culpa no cartório.

- É mesmo senhor Archen?

- Vira essa boca pra lá!- Ele jogava seu estojo na minha direção, eu agarrava rindo enquanto, ele voltava a escrever impaciente.

- As coisas estão boas depois que ele voltou de viagem, eu não te entendo.

- Gun pense bem, Joong passou um mês fora viajando com o pai que o levou justamente pra assumir o negócio dele, apresentou onde deveria morar, com quem deveria se casar e ele assinou um documento prometendo isso tudo.

- Está com medo de ele ficar pobre caso descubram do seu caso?

- Ele é uma pessoa pública, se você pesquisar o nome dele no Google vai aparecer ele assumindo aquela empresa como um rei assume um império.

- Tá e daí? Ele disse que ainda quer ficar com você só precisa esperar o momento certo pra oficializarem isso, é só ter paciência.

- Não sei se quero oficializar eu gosto dele mas não sei se o suficiente pra o fazer correr riscos por minha causa, é complicado.

- É emocionante.

- Emocionante. Você é patético tá na mesma situação de esconder algo de alguém que se importa.

- Isso é diferente eu só me diverti algumas vezes sem me envolver.

- Sem se envolver? Você trabalha pra ele! Ah, isso é muito pior, com certeza.

Meu estômago se embrulhava pensando na possibilidade de Tay querer tratar de algum assunto relacionado à isso. Meu telefone tocava e eu apoiava no ouvido.

[- Já estou aqui, em que bloco estão?]

- Estamos no campo do bloco C.

[- Não estão matando aula só pra tomar sorvete, não é?]

- Tay!- Começavamos a guardar o material espalhado.

[- Só pra confirmar.- Sua risada atravessava a chamada.- Estou vendo vocês.]

A chamada ficava muda.
- Ele desligou, como vamos saber em qual carro ele está?

- Vermelho, sempre vermelho, dessa vez ele se superou.

O Cadilac vermelho vinho parava ao nosso lado abaixando o vidro.

- Você enlouqueceu? O que tá fazendo com esse carro aqui?

- Gostaram? Não vai ser meu, é só um teste drive.

- Eu vou na frente!- Dunk me empurrava pulando no banco do passageiro dando um beijo na bochecha de Tay.- Comprou de chocolate belga? Pistache?

- Sim, e de morango para o Gun.

Ele me olhava no retrovisor sorrindo e eu me esticava para baguncar seu cabelo.
- Bom garoto, não faz menos do que sua obrigação sendo nosso amigo rico.

- Eu não sou rico. Ainda.

- Quando ele for vai comprar amigos novos.- Dunk dizia pra mim debochando.

- Nem com todo dinheiro do mundo eu teria pessoas como vocês.

- Perfeitos?

- Insuportáveis!

- Tay!

Ele acelerava repreendendo nossa reclamação, logo adentravamos no seu apartamento subindo com as sacolas de sorvete. Eu me jogava na sua cama com a cabeça pendendo na borda, Dunk tratava de abrir o pote de sorvete enfiando uma colherada gigante na boca dividindo comigo e Tay nos olhava com um desdenho fingido sentando no chão alcançando o joystick do seu vídeo game.

IMPETUOSOSHistórias para pegar e não largar. Descubra agora