Capítulo 10

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— Por que não fizemos isso antes? — Austin comentou, com um sorriso discreto enquanto se ajeitava na cama ao lado de Atlas. — Sempre estivemos na mesma turma e nunca nos falamos, não é estranho?

Atlas olhou de lado para Austin, um sorriso meio irônico aparecendo em seus lábios. E sem perder tempo, respondeu de forma casual:

— Talvez porque a única vez que você falou comigo foi quando me empurrou com o traseiro no ônibus e disse "chega pra lá" para se espremer entre seus namoradinhos do handebol.

Austin ficou sem graça por um segundo, lembrando-se da situação. Ele não esperava que Atlas guardasse aquilo na memória, muito menos que mencionasse agora.

— Foi mal por aquilo, eu não estava no meu melhor dia. — O garoto se explicou, rindo sem graça enquanto olhava para a almofada em suas mãos. Ele deu um leve empurrão em Atlas com o ombro, tentando quebrar a tensão. — Mas, ei, eu não sou tão mal assim, né?

Atlas soltou um suspiro, mas não pôde evitar sorrir um pouco, apesar da lembrança desconfortável.
Ele estava começando a admitir para si mesmo que estava começando a gostar da companhia de Austin, mesmo com o jeito meio desajeitado dele.
Ele se acomodou mais na cama, aceitando a tentativa do ruivo de consertar a situação.

— É, acho que dá pra aguentar.

Austin tentou disfarçar a risada com uma tosse, mas o sorriso que lhe escapava denunciava o quanto estava se divertindo.

— Atlas Boyle...você não tem um sobrenome boliviano ou coisa assim?

Atlas soltou uma risada suave.

— Ah, eu tenho...é Ortiz, mas eu não uso muito. — Atlas respondeu meio hesitante. — Sabe, as pessoas não costumam ser muito receptivas quando notam que seu sobrenome termina com Z.

Austin se lembrava que as pessoas costumavam rir do colega por não conseguir se comunicar tão bem em inglês, mesmo que ele se esforçasse muito e tivesse aprendido relativamente rápido.

Ele abriu a boca, pensando em como responder, mas preferiu quebrar o silêncio de outra forma. Deu uma risadinha nervosa e se levantou da cama.

— Ei...você não tá com fome? — Ele disse com um sorriso torto. — Quer comer alguma coisa? Tenho salgadinhos, uns doces... e, bem, mais salgadinhos.

Atlas riu ao ver como o ruivo ficou visivelmente desconcertado, se esforçando pra aliviar o clima de forma desajeitada.

Ele estava prestes a responder quando ouviram o som repentino da porta da frente se abrindo, seguido pela voz familiar e animada do pai de Austin ecoando pelos corredores:

— Austin, já cheguei!

O ruivo trocou um olhar rápido com Atlas antes de se levantar da cama. Ele abriu a porta do quarto, gritando de volta para o pai:

— Tô aqui em cima, pai!

Poucos segundos depois, o senhor Grandy apareceu no corredor. Ele parou por um instante, observando Atlas com um olhar curioso.

— Ah, você trouxe um amiguinho, hein? — O homem tinha um sorriso acolhedor nos lábios — Sou Max, o pai do Austin. E você é…?

Atlas levantou-se educadamente, estendendo a mão.

— Atlas. Muito prazer, senhor.

O pai de Austin apertou sua mão com tanta firmeza e entusiasmo que parecia não querer soltar, analisando-o dos pés a cabeça.

O moreno observou como o senhor Grandy se assemelhava ao colega, ele também era ruivo e tinha leves sardinhas pelo rosto, além do sorriso largo e cativante.

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