Austin e Atlas nunca se falaram de verdade na vida. Atlas acredita que Austin nem ao menos tem consciência da sua existência. Austin acha que se ele sumisse hoje mesmo, Atlas agradeceria, talvez até soltasse fogos de artifício.
Mas toda essa parede...
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Austin ligou a ducha, deixando a água gélida escorrer pelos cabelos avermelhados e descer por todo seu corpo. Uma tentativa de se refrescar, ou talvez de lavar os pensamentos indesejados.
Depois de mais algumas aulas, em que seu corpo estava presente, mas sua mente vagava distante, Austin sentiu a urgência de escapar. O peso dos dias recentes e as questões que ele evitava encarar o sufocavam. Quando o alarme, sinalizando o fim das aulas, finalmente ecoou, ele pegou sua bicicleta e começou a pedalar. A brisa fresca da tarde batia em seu rosto enquanto ele seguia rumo ao ginásio da cidade. As ruas, já conhecidas, pareciam passar como borrões enquanto ele focava apenas no som rítmico das rodas no asfalto.
Quando Austin chegou ao ginásio, o som abafado de bolas quicando e gritos ecoava pelo ambiente. Ele desceu da bicicleta com um movimento rápido, apoiando o pé no chão enquanto procurava um lugar seguro para trancá-la. Encontrou uma grade próxima à entrada e, com pressa, passou a corrente em volta do aro da bicicleta e do metal da grade, fechando o cadeado com um clique firme. Ainda com um leve suor na testa e o coração acelerado pelo trajeto, ele puxou o capuz da jaqueta para trás, sentindo o ar fresco bater em sua nuca, e entrou no ginásio.
Seus olhos se ajustaram à luz mais forte do interior, e ele imediatamente começou a procurar Atlas. Lembrava que ele e as garotas do time haviam saído mais cedo da aula para virem ao jogo. Eles certamente já estavam ali, provavelmente em aquecimento ou jogando entre si.
Dois times disputavam acirradamente os últimos minutos da partida, os lances cheios de adrenalina e competitividade. Austin observou por um momento, e deduziu que o Águias seria o próximo a entrar em jogo.
Com passos tranquilos, ele caminhou ao longo da lateral da quadra, seus tênis ecoando levemente no chão de madeira polida. Ele olhou para a arquibancada, onde alguns estudantes conversavam, e logo avistou Atlas.
— O Romeu chegou! — Atlas exclamou notando sua presença. — Senta aqui que o Águias logo vai entrar. — O moreno o olhou de canto com um sorriso amigável, fazendo um movimento sutil para o lado, abrindo espaço para que ele se sentasse. Austin devolveu o sorriso, um pouco sem jeito, e os dois ficaram em silêncio enquanto assistiam o restante da partida.
Assim que o Águias finalmente entrou em quadra, Austin procurou Denise rapidamente com os olhos. Seu coração deu um leve salto quando a viu ao longe, seus cabelos presos em um rabo de cavalo que a deixava tão fofa, a expressão concentrada. Ele ainda a achava incrível, não achava? Claro que achava! Sua mente urgentemente começou a listar tudo que a tornava tão fascinante: Ela era tão boa no futebol e em tudo que fazia, ficava tão graciosa quando tocava violão, sua voz suave parecia a de um anjo, além de ser tão brilhante na cozinha e ter uma beleza realmente cativante, ela sempre jogava o lixo na lixeira correta, se empenhando a cuidar do meio ambiente e levava a sua bandeja depois de comer para as cantineiras, realizava trabalho comunitário nos finais de semana...ATLAS, ATLAS, ATLAS...