Atlas, percebendo que Austin estava visivelmente abatido, resolveu adotar uma abordagem diferente. Ele pegou um avental e jogou para o garoto.
— Vista isso e vamos começar. Se você quiser sair dessa aula com alguma dignidade, vai ter que colocar a mão na massa.
Austin segurou o avental, olhando para ele como se fosse um pedaço de chumbo. Depois de um momento, ele finalmente cedeu, vestindo-o com um suspiro resignado.
— Eu realmente não sei o que estou fazendo aqui, Atlas. — Austin murmurou enquanto ajustava o avental em volta da cintura. — Cozinhar nunca foi minha praia.
Ele esfregou o rosto com as mãos, como se quisesse apagar a frustração que se acumulava dentro dele.
— Cadê aquele Austin extremamente confiante? — Atlas perguntou, a voz carregada de uma mistura de incredulidade e preocupação.
O ferrugem estava parecendo um bebê chorão. Sua cara de derrota era visivel a quilômetros de distância. Era estranho vê-lo tão preocupado e abatido, já que era o tipo de pessoa que balançava a poeira e seguia com um sorriso no rosto.
Ou pelo menos era o que ele queria transparecer.
Austin, sem tirar as mãos do rosto, soltou um riso curto, sem humor. Ele finalmente abaixou as mãos, revelando um olhar cansado e vazio. Seus olhos, que antes sempre brilhavam com autoconfiança, agora estavam turvos, cheios de desânimo. Ele encarou Atlas por um momento, e a resposta que veio não foi a que Atlas esperava.
— Morto. — murmurou, sua voz fria e desprovida da energia que sempre o caracterizou.
Austin Grandy estava com uma crise de autoconfiança?
— Relaxa, cara. Vamos fazer o básico e passar por essa — Incentivou, tentando ser mais encorajador. Ele pegou uma tábua de corte e uma faca, colocando-os na frente de Austin. — Vamos começar com algo simples: cortar vegetais.
Austin olhou para a faca com hesitação, mas antes que pudesse pegar o utensílio, seu olhar vagou novamente até Denise. Ela estava concentrada, cortando legumes com uma precisão que ele sabia que jamais conseguiria imitar. Denise riu de algo que sua parceira disse, e a visão daquele sorriso fez o coração de Austin apertar mais uma vez. Ele estava ali, tão perto, mas parecia que Denise estava em outro mundo, inacessível.
E o que de tão engraçado elas compartilhavam naquela conversa?
Ele se mordia de curiosidade e uma pontada de ciúme. Doido para estar no lugar daquela garota.
— Austin, foco aqui — a voz de Atlas o trouxe de volta à realidade. — Se continuar sonhando acordado, você vai acabar cortando um dedo.
Austin assentiu, afastando os pensamentos sobre Denise. Ele pegou a faca, segurando-a com incerteza, e começou a cortar um tomate de maneira desajeitada.
Atlas observou, tentando não revirar os olhos.
— Não é assim, deixa eu te mostrar. — Ele pegou a mão do garoto, ajustando a posição da faca. — Segura firme e usa esse movimento. Você tem que ser consistente.
Austin tentou imitar o movimento de Atlas, mas seus cortes saíam desiguais, e ele estava claramente frustrado. O que deveria ser um simples tomate estava se transformando em um desafio monumental. Ele suspirou, sentindo o peso da decepção crescer.
— Eu sabia que isso ia ser um desastre — Austin murmurou, largando a faca com um som oco na tábua.
Atlas suspirou, percebendo que precisaria de mais do que instruções básicas para motivar o colega. Ele colocou a faca de lado e se inclinou na direção de Austin.
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Desafeto
HumorAustin e Atlas nunca se falaram de verdade na vida. Atlas acredita que Austin nem ao menos tem consciência da sua existência. Austin acha que se ele sumisse hoje mesmo, Atlas agradeceria, talvez até soltasse fogos de artifício. Mas toda essa parede...
