Capítulo 7

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Atlas, percebendo que Austin estava visivelmente abatido, resolveu adotar uma abordagem diferente. Ele pegou um avental e jogou para o garoto.

— Vista isso e vamos começar. Se você quiser sair dessa aula com alguma dignidade, vai ter que colocar a mão na massa.

Austin segurou o avental, olhando para ele como se fosse um pedaço de chumbo. Depois de um momento, ele finalmente cedeu, vestindo-o com um suspiro resignado.

— Eu realmente não sei o que estou fazendo aqui, Atlas. — Austin murmurou enquanto ajustava o avental em volta da cintura. — Cozinhar nunca foi minha praia.

Ele esfregou o rosto com as mãos, como se quisesse apagar a frustração que se acumulava dentro dele.

— Cadê aquele Austin extremamente confiante? — Atlas perguntou, a voz carregada de uma mistura de incredulidade e preocupação.

O ferrugem estava parecendo um bebê chorão. Sua cara de derrota era visivel a quilômetros de distância. Era estranho vê-lo tão preocupado e abatido, já que era o tipo de pessoa que balançava a poeira e seguia com um sorriso no rosto.

Ou pelo menos era o que ele queria transparecer.

Austin, sem tirar as mãos do rosto, soltou um riso curto, sem humor. Ele finalmente abaixou as mãos, revelando um olhar cansado e vazio. Seus olhos, que antes sempre brilhavam com autoconfiança, agora estavam turvos, cheios de desânimo. Ele encarou Atlas por um momento, e a resposta que veio não foi a que Atlas esperava.

— Morto. — murmurou, sua voz fria e desprovida da energia que sempre o caracterizou.

Austin Grandy estava com uma crise de autoconfiança?

— Relaxa, cara. Vamos fazer o básico e passar por essa — Incentivou, tentando ser mais encorajador. Ele pegou uma tábua de corte e uma faca, colocando-os na frente de Austin. — Vamos começar com algo simples: cortar vegetais.

Austin olhou para a faca com hesitação, mas antes que pudesse pegar o utensílio, seu olhar vagou novamente até Denise. Ela estava concentrada, cortando legumes com uma precisão que ele sabia que jamais conseguiria imitar. Denise riu de algo que sua parceira disse, e a visão daquele sorriso fez o coração de Austin apertar mais uma vez. Ele estava ali, tão perto, mas parecia que Denise estava em outro mundo, inacessível.

E o que de tão engraçado elas compartilhavam naquela conversa?
Ele se mordia de curiosidade e uma pontada de ciúme. Doido para estar no lugar daquela garota.

— Austin, foco aqui — a voz de Atlas o trouxe de volta à realidade. — Se continuar sonhando acordado, você vai acabar cortando um dedo.

Austin assentiu, afastando os pensamentos sobre Denise. Ele pegou a faca, segurando-a com incerteza, e começou a cortar um tomate de maneira desajeitada.

Atlas observou, tentando não revirar os olhos.

— Não é assim, deixa eu te mostrar. — Ele pegou a mão do garoto, ajustando a posição da faca. — Segura firme e usa esse movimento. Você tem que ser consistente.

Austin tentou imitar o movimento de Atlas, mas seus cortes saíam desiguais, e ele estava claramente frustrado. O que deveria ser um simples tomate estava se transformando em um desafio monumental. Ele suspirou, sentindo o peso da decepção crescer.

— Eu sabia que isso ia ser um desastre — Austin murmurou, largando a faca com um som oco na tábua.

Atlas suspirou, percebendo que precisaria de mais do que instruções básicas para motivar o colega. Ele colocou a faca de lado e se inclinou na direção de Austin.

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