Você já imaginou ter duas vidas? Ser duas pessoas ao mesmo tempo? Aposto que sim. Mas entre pensar e viver havia uma distância muito grande, acredite nisso. Imagine... Charlotte, mulher doce e dedicada. Cherine, sexy e imponente.
Qual você escolher...
Eu já havia esquecido como Bangkok podia ser quente. Acostumada ao frio da Europa, aquele clima agora parecia estranho para mim. Suspirei enquanto tirava o terninho que usava naquela manhã, tentando me ajustar ao calor sufocante.
Caminhei entre as pessoas que andavam de um lado para o outro, grudadas aos seus aparelhos celulares ou em conversas entretidas Ajeitei os cabelos, coloquei meu Ray-Ban no rosto e segui em direção à saída do aeroporto.
Do lado de fora, sob o sol intenso, avistei a Mercedes preta à minha espera.
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- Bom dia, Sra Waraha. – o motorista falou de forma educada.
- Bom dia, Tom. – falei entrando no carro, que estava com uma ótima temperatura graças ao ar-condicionado milagroso.
- Quando Bangkok foi tão quente? – resmunguei largando meus pertences sobre o banco.
- Sempre, senhora, o clima aqui sempre foi quente. – ouvi Tom dizer em meio a um riso baixo. – Desculpe perguntar, mas como está seu pai?
- Tem razão, eu que já estou esquecida daqui. – falei calmamente enquanto me acomodava no banco do carro. Dei um leve suspiro antes de continuar: – Ele está bem. Está em Los Angeles com o restante da minha família.
- Isso é ótimo, gosto muito do Sr. Waraha! Para onde devo levá-la? – Ele perguntou olhando pelo pequeno espelho.
- Ao meu novo apartamento, Tom, siga caminho por essa rua, que eu lhe darei as coordenadas.
O senhor assentiu, saindo daquele lugar.
Olhando as ruas de Bangkok pela janela do carro, eu podia recordar dos meus tempos vividos ali, e que belos tempos eu diria. Conhecia aquela cidade como a palma de minha mão, afinal, eu nunca fui apenas essa Engfa que só pensava em trabalho. Eu já tinha aproveitado um pouco da vida. Um pouco não, muito.
Meus pensamentos vagaram por lembranças de todas as coisas que aprontei, mas aquilo agora havia ficado no passado. A Engfa imatura e irresponsável não jazia mais aqui.
- Vire à esquerda no próximo quarteirão. – falei para o senhor que obedecia minhas coordenadas perfeitamente bem.
Finalmente chegamos ao prédio onde agora eu iria morar. Tom rapidamente saiu do carro caminhando em passos largos até a minha porta, onde em um gesto a abriu.
- Obrigada. – agradeci com um sorriso.
Tom era meu motorista desde quando era mais nova e morava com meus pais. Ele era um senhor de idade muito prestativo e sempre estava disposto a trabalhar, não importava quando fosse.
Caminhei para dentro do saguão do prédio, onde rapidamente os funcionários se colocaram em seus devidos lugares. Era cômico como eles se portavam em minha presença, as pessoas geralmente se acuavam comigo. Talvez seja o jeito rude e arrogante que eles imaginavam que eu teria, e eu não fazia questão de desmanchar essa imagem.