Xeque-Mate

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Nervosos? Ansiosos?

Crucial que vocês comecem o cap escutando a música:
Supermassive Black Hole - Muse.

Pra quem gosta, vocês não vão se arrepender da sensação de ler com essa trilha sonora. Juro.

No mais, boa leitura.

{...}

Play na música: Supermassive Black Hole - Muse.

Chompu Athita's Point of View

Engfa estava inquieta. Sua expressão carregava uma tensão densa — a mandíbula travada, os olhos semicerrados, as mãos apertando o volante com força. Eu tentava manter a aparência calma, embora por dentro meu estômago estivesse embrulhado em nervosismo e uma euforia silenciosa. Aquilo poderia ser o início de tudo... ou o fim.

Estávamos no carro, a caminho da Imperium. Lá dentro, naquele exato instante, Cherine deveria estar subindo ao palco começando sua dança.

- Podemos desistir de ir lá. – Murmurei, tentando soar convincente, com um tom de falsa preocupação.

Engfa tirou os olhos da rua e colocou sobre mim.

- Você não quer me provar sua teoria? – a voz dela saiu grave, cortante. – Ou já percebeu que está me enchendo de asneiras?

O tom ríspido fez meu corpo estremecer, e por um breve instante, considerei recuar. Mas eu não podia. Não agora. Eu realmente esperava que tudo desse certo naquele momento.

- Estou falando a verdade, Engfa. Eu só me preocupo com você. – Disse tocando seu braço levemente.

A mulher negou com a cabeça e continuou o caminho.

Quando chegamos ao enorme estacionamento da boate, meu coração batia tão forte que podia jurar que ela ouviria. Engfa parou o carro bruscamente, tirou o cinto e saiu quase num salto. Eu respirei fundo, ajustei a roupa e fui atrás, tentando acompanhar seus passos largos.

A forma como ela entrou na Imperium parecia de alguém prestes a cometer um crime. Passou pelos seguranças sem sequer olhar para os lados.

- Para onde vai? – perguntei, ofegante, tentando alcançá-la.

- Procurar Charlotte. Se é uma dança particular, só pode estar nas salas privativas.

O tom dela era quase de desprezo, como se a simples ideia de Charlotte estar ali já fosse suficiente para irritá-la. Engfa seguiu em direção ao enorme corredor de portas, abrindo uma a uma, com movimentos bruscos. Todas vazias.

Meu nervosismo aumentava. Um peso frio crescia no meu peito.

Restava apenas uma última porta.

O som dos saltos dela ecoava, batendo seco no piso. Engfa respirou fundo, apoiou a mão na maçaneta e abriu a porta de uma vez.

Cherine estava lá, girando graciosamente no pole dance. A luz azulada da sala iluminava seu figurino branco e provocante, colado ao corpo. O tecido reluzia sob as luzes, quase etéreo.

Olhei imediatamente para Engfa. Ela ficou imóvel. Os olhos cravados na cena, o rosto tenso, ilegível. Era impossível saber o que passava pela cabeça dela naquele instante.

The Stripper | ENGLOTOnde histórias criam vida. Descubra agora