Charlotte Austin's Point of View
Uma brisa fria percorreu meu corpo, fazendo-me estremecer. Instintivamente, espremi os olhos e deslizei a mão pela cama, em busca de um cobertor — ou melhor, do calor do corpo de Engfa. Mas minha tentativa foi em vão.
Com certa dificuldade, abri os olhos, apenas para encontrar a cama vazia.
Onde estava Engfa?
Encolhi-me sob o edredom para me proteger do frio, sentindo a pele arrepiada e a lembrança vívida dos acontecimentos da noite passada. Ainda nua, deixei escapar um suspiro ao avistá-la na sacada, apoiada no batente, alheia ao mundo ao seu redor.
Semicerrei os olhos, observando-a em silêncio. Havia algo na sua postura —um peso invisível, talvez?— que a mantinha distante, perdida em pensamentos.
Sentei-me na cama, sentindo um leve incômodo no corpo, especialmente onde Engfa mais se aproveitou. Sorri para mim mesma. Não me incomodava. Pelo contrário. Nossa reconciliação após a greve foi intensa e inesquecível—um retorno em grande estilo, tão prazeroso quanto inevitável.
Coloquei as duas pernas para fora da cama, deixando as pontas dos meus pés encostarem no chão frio. Um arrepio percorreu por toda minha coluna, mas levantei. Enrolei-me no lençol de seda branco e caminhei na direção de minha mulher. Eu tinha que confessar, Engfa estava fodidamente sexy. Seus cabelos estavam levemente desgrenhados, caindo feito uma bela cascata por suas costas macia. Ela usava apenas um baby doll azul escuro, tão curto que eu poderia ver um pouquinho da sua bunda empinada. Eu não sabia que horas eram, mas o céu ainda estava escuro e a noite muito fria.
Caminhei em passos tão leves que a morena nem percebeu minha presença, até eu envolver seu corpo por trás em um abraço carinhoso. Engfa ficou ereta no mesmo instante, respirando fundo. Dei um pequeno beijo em seu ombro, onde apoiei meu queixo.
- Insônia?
- Sim, problemas demais na cabeça. – respondeu de forma séria.
Eu suspirei e a apertei mais em meu abraço, deixando que minha mão deslizasse por seu abdômen lisinho, em um carinho leve. Eu podia ouvir nossas respirações fracas com o silêncio que fazia ali.
- Não fica assim, amor. Vai ficar tudo bem.
Engfa não respondeu, ficou paralisada no mesmo lugar. Ela me parecia irritada, e distante. Eu soltei seu corpo e a virei para mim, sentindo um arrepio por meu corpo ao fitar seus olhos. Estavam frios e furiosos.
- O que está havendo, Fa? – perguntei segurando seu rosto com as duas mãos.
Engfa desviou, e negou com a cabeça.
- Nada.
- Como nada? Você está estranha.
Ela não respondeu apenas me olhou.
- Vem pra cama comigo, eu te faço carinho até você dormir. – falei tentando fazer um carinho em seu rosto, mas ela se afastou de mim.
- Engfa, você pode me dizer qual é o problema? – perguntei segurando na barra do lençol que estava enrolado em meu corpo.
- Desde quando está me traindo?
- O que? – Meu cérebro demorou alguns segundos para realmente acreditar que ela estava me perguntando aquilo.
- Isso mesmo que você ouviu, Cherine. Você acha que pode brincar comigo?
- Engfa! Meu Deus, de onde tirou isso? – perguntei calma.
- Não importa. Você achou que eu não ia descobrir? – a voz dela saiu pausada, controlada, mas a raiva transbordava por trás de cada palavra.
- Descobrir o quê? Eu não fiz nada.
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The Stripper | ENGLOT
RomanceVocê já imaginou ter duas vidas? Ser duas pessoas ao mesmo tempo? Aposto que sim. Mas entre pensar e viver havia uma distância muito grande, acredite nisso. Imagine... Charlotte, mulher doce e dedicada. Cherine, sexy e imponente. Qual você escolher...
