Engfa Waraha's Point of View
Naquele instante congelado no tempo, meu corpo simplesmente parou. Fiquei estática diante da visão de Charlotte estirada no chão, coberta de sangue. Era como se o mundo tivesse mudado de frequência, mergulhado em um silêncio abafado onde só existia o medo de perdê-la. Ouvi minha própria respiração entrecortada, os batimentos do meu coração desacelerando até quase cessarem.
Ela não estava sozinha, outro corpo estava ao lado do dela, tão próximo que tornava a cena ainda mais perturbadora.
Meus olhos desviaram de Charlotte e pousaram na loira que permanecia com o objeto pesado nas mãos. Alexa colocou os olhos em mim, e sua expressão era quase indefinida. Um misto de medo, desespero e raiva. E foi como se uma faísca acendesse a dinamite dentro de mim.
- Você... você matou ela... – minha voz saiu falhada, como um sussurro dilacerado. – VOCÊ MATOU ELA! – gritei com uma fúria que rasgava a garganta.
Perdi o controle.
Avancei sobre Alexa com uma fúria que nem sabia que existia dentro de mim. A dor e a raiva explodiram no peito como uma bomba, e tudo o que eu queria naquele momento era destruí-la. Empurrei seu corpo com violência, jogando-a contra a mesinha de canto, que tombou e espalhou tudo pelo chão. Ela me olhou, assustada, e soltou a pistola, que deslizou para debaixo da estante.
Sem pensar, agarrei-a pela blusa e a joguei no chão.
- Me larga! – Ela gritou, desesperada.
Me lancei sobre ela, imobilizando seu corpo contra o piso frio. Meus punhos agiram sozinhos. Um, dois, três tapas diretos em seu rosto.
- Eu vou acabar com você! – gritei entre soluços, as lágrimas já escorrendo.
- Sai de cima de mim! – ela revidou, tentando me empurrar.
- VOCÊ MATOU A CHARLOTTE! – berrei, minha voz crua e dilacerada.
Em meio à confusão, minhas unhas se cravaram em sua pele, talvez no braço, talvez no pescoço. Eu nem sabia mais. Arranhei, empurrei, bati com a palma da mão em seu ombro, em seu peito. A raiva explodia em movimentos desordenados, sem técnica, sem controle. Só dor.
Ela reagiu, levou as mãos ao meu pescoço e me arranhou com tanta força que me fez grunhir, mas eu não recuei. Eu a destruiria. A adrenalina queimava em minhas veias como fogo, tirando qualquer senso de limite.
- Você vai – falei com fúria, mais um tapa com toda a força – me pagar por isso!
Alexa gritava e tantava em meio aos seus prantos desesperados, e um deslize ela me segurou com força. Virando seu corpo contra o meu, fazendo-me cair no chão. Candece me acertou um tapa que com toda certeza ficaria marcado, suas mãos vinham em minha direção quase de forma desesperada na busca de se defender. Tentei segurar seus braços, mas estava quase impossível. A mulher por uma fração de segundos se distraiu com a dor me dando a chance de virar a situação. Empurrei ela com força, fazendo-a bater na mesa principal, que tremeu com o impacto.
- Sua filha da puta! Você não vai sair viva! – gritei, partindo pra cima dela outra vez. Minhas mãos tremiam, meu rosto já encharcado de lágrimas que simplesmente não paravam.
Segurei-a pelo tecido da blusa, puxando com tanta força que seu corpo tombou pra frente. Sem pensar, sem freio, arremessei um soco em sua boca — forte, seco, brutal — que a jogou contra o chão. Vi o corpo dela bater e se arrastar alguns centímetros, enquanto os braços se esticavam numa tentativa de alcançar algo.
Segui o olhar dela e vi o brilho metálico no chão. A pistola.
Meu coração disparou.
Num impulso, me agachei e agarrei a arma. Estava ofegante, trêmula, engolida por uma mistura sufocante de raiva e desespero. Meus dedos se fecharam em torno do metal frio, como se aquela arma pudesse, de alguma forma, me devolver o que eu tinha perdido.
VOCÊ ESTÁ LENDO
The Stripper | ENGLOT
Roman d'amourVocê já imaginou ter duas vidas? Ser duas pessoas ao mesmo tempo? Aposto que sim. Mas entre pensar e viver havia uma distância muito grande, acredite nisso. Imagine... Charlotte, mulher doce e dedicada. Cherine, sexy e imponente. Qual você escolher...
