Desesperada por uma oportunidade profissional sólida, Candice decidiu se reinventar... como babá? Às vezes, nos vemos em papéis que não imaginávamos, mas é nesses momentos que a vida nos reserva as maiores surpresas.
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Acordei cedo ao sentir uma mãozinha em meu rosto. Era a pequena Hope, olhando para mim com animação. Suspirei, imaginando que devia ganhar o dobro do meu salário por acordar tão cedo em pleno Dia de Ação de Graças, mas o sorriso dela fez valer o esforço. Levantei-me, vendo Pérsia se mexer na cama ao lado e Nina, que dormia como uma pedra, completamente alheia a tudo. Hope, impaciente, nem me deixou trocar de roupa; apenas me puxou pela mão em direção ao último quarto da casa, que não era ocupado por ninguém.
Ao abrir a porta, fiquei boquiaberta. O quarto estava repleto de pinturas, quadros antigos, roupas cuidadosamente guardadas e uma cama com lençóis rosas. Entrei, ainda surpresa, e vi Hope pegar um pequeno porta-retrato com uma foto de sua família reunida. Ela era apenas um bebê na imagem e talvez nem soubesse direito quem era a mulher que abraçava Joseph com ela no colo.
Hope apontou para a mulher na foto e me olhou curiosa. Baixei a voz e disse com delicadeza:
— É a sua mamãe.
Ela negou com a cabeça e apontou para mim.
— Oh, meu amor... Eu sou sua babá — respondi suavemente. Ela pareceu processar as palavras, então me abaixei para ficar na sua altura e acrescentei: — Você se parece muito com ela, sabia? Mas você tem os olhos do seu pai... olhos encantadores.
Continuei a observar o quarto, absorvendo a surpresa do momento, até que Joseph entrou de repente. Sorte? nunca tive, ele parece sempre me pegar em um momento que sinto que estou fazendo alguma coisa errada. Ele parecia calmo, mas seu tom firme me fez perceber que eu talvez tivesse ultrapassado um limite: como sempre.
— O que está fazendo aqui? — perguntou. — responde Candice!
Respirei fundo, buscando uma resposta. Hope, como se quisesse me salvar, correu até o pai segurando o porta-retrato e apontou para a foto.
— Ba-bá — sussurrou, hesitante, mas com uma determinação que eu nunca havia visto. Eu sorri involuntariamente; ela quase nunca falava, e quando o fazia, parecia carregar um medo tímido. Joseph se abaixou para ficar na altura dela, visivelmente confuso.
— meu Deus! que você disse, meu amor? — ele perguntou.
— Babá — repetiu, apontando para a foto.
— Essa é a mamãe — corrigiu, gentilmente. Hope pareceu entender, mas insistiu:
— Foto com babá.
Joseph pareceu entender e deu um sorriso.
— Você quer uma foto com a Candy? — perguntou, e Hope pulou de alegria em confirmação.
— Foto com a Candy! — disse ela com empolgação, e eu não resisti; corri para abraçá-la, sentindo o calor da felicidade dela me contagiar.
— Por que demorou tanto para falar comigo, mocinha? — falei emocionada, enquanto Joseph observava com o mesmo brilho nos olhos. Hope sorria, feliz em nossos braços, e, inesperadamente, Joseph nos abraçou, beijando o topo da cabeça de Hope e logo depois minha têmpora. Ficamos ali, num momento de pura ternura, até ouvirmos alguém pigarrear.