Capítulo 16
O ambiente ao meu redor parecia mais silencioso do que nunca, como se o tempo tivesse desacelerado, e tudo ao meu redor estivesse sendo absorvido pela presença de Jungkook. O calor da tarde se espalhava suavemente pela janela aberta, tingindo o quarto com uma luz dourada, enquanto eu me sentava na poltrona perto da janela, absorto em meus próprios pensamentos. A dor no meu ombro ainda estava ali, persistente, mas a tranquilidade que a mansão oferecia fazia com que fosse mais suportável. A sensação de estar seguro, protegido, começava a tomar conta de mim, mas, ao mesmo tempo, havia algo mais ali, algo que crescia no fundo do meu peito e que eu não sabia como lidar.
Ouvi os passos firmes de Jungkook antes de vê-lo, e, por um momento, o som se misturou à batida acelerada do meu coração. Ele entrou no quarto sem fazer barulho, mas sua presença parecia preencher cada canto do ambiente. Seus olhos encontraram os meus imediatamente, e a intensidade com que ele me observava não passou despercebida.
— Como está se sentindo? — Sua voz era baixa e suave, mas havia algo nela que me fez sentir que ele realmente queria saber, como se se importasse profundamente com cada nuance da minha recuperação.
— Melhor... — respondi, tentando não mostrar o quão incomodado ainda estava, não só fisicamente, mas pela força da presença dele.
— Melhor, graças a você e à sua família.
Eu não sabia se estava dizendo isso apenas para ser educado, ou se de fato sentia uma gratidão tão imensa por tudo o que eles haviam feito por mim. Talvez fosse um pouco dos dois, mas uma coisa era clara: eu não estava mais sozinho. Não naquele momento.
Jungkook se aproximou, e essa simples ação causou algo dentro de mim, como se a pressão aumentasse no ambiente. Eu sabia que ele estava perto, mas quando ele se aproximou ainda mais, até ficar ao meu lado, uma sensação estranha tomou conta de mim. Uma tensão, uma energia que eu nunca havia sentido antes, algo entre o desejo e o medo de não saber o que poderia acontecer.
Havia algo em seus olhos, algo profundo e inconfundível. Talvez ele também sentisse, da mesma forma, aquela atração inexplicável, aquele magnetismo que parecia nos unir sem que pudéssemos controlar. Eu tentei desviar o olhar, mas meu corpo parecia incapaz de se mover. E então, sem que eu conseguisse prever, Jungkook se inclinou, seu rosto tão perto do meu que pude sentir a leveza de sua respiração sobre meus lábios.
Foi como se o mundo ao nosso redor desaparecesse. Tudo o que eu conseguia ouvir era o som da minha respiração e o batimento forte do meu coração. Por um momento, eu hesitei, completamente consciente da distância entre o que era certo e o que eu estava prestes a fazer. Mas, naquele instante, a necessidade de sentir algo, de não me sentir mais perdido na dor e na solidão, superou qualquer dúvida.
Seus lábios tocaram os meus com uma suavidade inesperada, como se ele estivesse perguntando se era realmente o que eu queria. Era um beijo calmo, mas carregado de emoção, como se a única forma de expressar tudo o que ele sentia fosse através daquele gesto. O calor de seus lábios foi um choque, e ao mesmo tempo, uma promessa silenciosa. O toque suave se transformou lentamente em algo mais profundo, mais urgente, como se ele estivesse finalmente se entregando a algo que estava guardado dentro dele por muito tempo.
Minha resposta foi automática. Não consegui resistir. A dor que sentia no ombro parecia desaparecer momentaneamente, substituída pela sensação quente de seu toque. A suavidade inicial do beijo deu lugar a algo mais intenso, mais real. Eu me deixei levar, cada movimento meu guiado pela necessidade de sentir aquele calor, aquela conexão que crescia entre nós, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Quando finalmente nos afastamos, minha mente estava em um turbilhão, e o espaço entre nós parecia carregado de um silêncio denso, quase pesado. Eu olhei para Jungkook, tentando processar o que acabara de acontecer, e vi a intensidade nos seus olhos. Ele estava tão próximo, quase como se pudesse ler cada pensamento que passava pela minha cabeça, e ao mesmo tempo, parecia tão vulnerável quanto eu me sentia.
— Jimin... — Ele sussurrou, sua voz grave e suave, mas havia uma hesitação ali, como se estivesse tentando encontrar as palavras certas.
— Eu... não esperava que isso acontecesse.
Se eu tivesse dúvidas sobre o que aquilo significava, as palavras dele me fizeram ter a certeza de que ambos estávamos experimentando algo novo, algo desconhecido para ambos. Uma sensação de insegurança pairava no ar, mas não era uma insegurança de medo, e sim de algo que não sabíamos como definir.
Eu olhei nos olhos dele, absorvendo o peso daquilo, e então murmurei, sentindo o coração bater de forma acelerada.
— Nem eu... — minha voz estava mais suave do que eu esperava, e as palavras pareciam sair com mais sinceridade do que eu tinha intenção. Mas, por um momento, tudo parecia claro.
— Mas... eu não mudaria nada.
Jungkook permaneceu em silêncio por um instante, seus olhos estudando cada expressão no meu rosto, como se estivesse procurando algo. Talvez uma confirmação, ou talvez apenas tentando entender o que aquela troca significava. Depois, ele deu um leve sorriso, um sorriso que parecia aliviar a tensão que nos envolvia.
— Então... vamos fazer isso com calma — ele disse, a suavidade de sua voz me dando uma sensação de alívio e, ao mesmo tempo, uma sensação de expectativa. Era como se aquele beijo tivesse aberto uma porta para algo maior, e agora precisávamos caminhar para descobrir o que seria.
Eu assenti, sem palavras, mas a resposta estava ali, em meu olhar, na maneira como eu o observava agora. A sensação de calor e tranquilidade que ele me proporcionava me dava a certeza de que tudo ficaria bem. Que, mesmo com o caos interno e as dúvidas, eu não estava mais sozinho.
Ele tocou meu rosto suavemente, com o polegar acariciando minha pele, e ficou em silêncio por alguns momentos, como se também estivesse processando tudo o que havia acontecido. Quando ele finalmente se afastou, houve algo no seu olhar, uma espécie de promessa silenciosa de que, independentemente do que o futuro reservava, ele estaria ali. E, naquele momento, isso era tudo o que eu precisava.
O silêncio que se seguiu não era desconfortável. Era um silêncio de entendimento, de algo que ainda não era completamente definido, mas que, de algum modo, fazia sentido. Aquele beijo não havia sido apenas um gesto físico. Ele representava uma mudança, uma evolução na nossa relação, algo que, apesar de nos assustar um pouco, também nos unia de uma maneira mais profunda.
Jungkook permaneceu ao meu lado por mais algum tempo, sem pressa de partir. Sua presença era reconfortante, como uma âncora, e, por mais que estivesse confuso com o que havia acontecido, a sensação de paz que ele me transmitia fez com que eu fechasse os olhos e me permitisse relaxar, mesmo que o coração ainda batesse descompassado.
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MUERTE
FanfictionSinopse Em um mundo onde clãs de lobos dominam territórios e tradições, Park Jimin é um ômega raro e poderoso, conhecido como "Muerte", destemido que não se curva a ninguém. Temido e respeitado, ele prefere a solidão ao invés de alianças forçadas. P...
